50% dos medicamentos para doenças crónicas não são tomados como recomendado no verão

20 de Julho 2020

Estudos demonstram que cerca de 50% dos medicamentos para as doenças crónicas não são tomados como prescritos pelos médicos, variando a taxa de adesão à terapêutica entre 22% e 78% no que refere a doentes asmáticos ou com doença pulmonar obstrutiva crónica. Os números podem ser explicados pela “falta de disciplina e responsabilidade” dos doentes durante o verão.

Para garantir que doentes respiratórios não abandonam a medicação durante as férias, a Respira (Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e Outras Doenças Respiratórias Crónicas), a Associação Portuguesa de Asmáticos (APA), a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) e a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) lançam uma campanha de sensibilização para as consequências negativas que podem surgir.

Titulada “Neste verão não dê férias à sua medicação” visa alertar doentes para a necessidade de cumprir os tratamentos especialmente no verão. De acordo com os especialistas “as taxas de adesão à terapêutica são mais baixas nos meses de verão, aumentam no outono e permanecem altas durante os meses de inverno até à primavera, sendo julho o mês com menor taxa de adesão à terapêutica nos doentes asmáticos”.

A presidente da Respira, Isabel Saraiva, explica que “é natural que por vezes surja algum cansaço por parte dos doentes no cumprimento diário de uma terapêutica e que o verão e as férias conduzam a uma atitude de maior esquecimento. No entanto, sabemos que este tipo de comportamento conduz a situações de risco e por isso torna-se tão urgente alertar todos os doentes respiratórios para a importância de cumprir a terapêutica 365 dias por ano”.

Por outro lado, Mário Morais de Almeida, presidente da Associação Portuguesa de Asmáticos, salienta ainda que “estas campanhas são fundamentais para consciencializar os doentes para a importância de manter um tratamento sem interrupções. As férias não devem ser um motivo para abdicar da terapêutica, pois as consequências do abandono da medicação acabam por surgir a curto prazo e acabamos por assistir a uma diminuição da qualidade de vida dos doentes, algo que podia ser facilmente evitado com disciplina e responsabilidade”.

De acordo com o presidente da SPAIC, Manuel Branco Ferreira, “esta situação é algo com que nos deparamos todos os anos na nossa prática clínica. São muitos os casos que assistimos de doentes que apresentam um quadro clínico mais exacerbado no período pós-férias, consequência de um maior relaxamento que sabemos que acontece neste período. Tentamos sempre reforçar junto dos nossos doentes a importância da continuidade da medicação ao longo de todo o ano, para que exista um maior controlo da patologia. Este ano, em plena pandemia, é ainda mais importante reforçar esta mensagem”.

“No verão, os doentes respiratórios costumam descurar a sua medicação e, em alguns casos, chegam mesmo a abandonar a terapêutica. Esta situação leva à exacerbação de novas crises, que não se sentem no imediato, mas que podem ter uma relação direta com este abandono no futuro. Este ano, com a presença da Covid- 19, esta situação torna-se ainda mais grave, na medida em que os doentes respiratórios, que já são um grupo de risco, podem ver o seu estado de saúde agravar-se”, revela António Morais, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

Com o apoio da Novartis, a campanha decorre até ao dia 15 de setembro e conta com a disponibilização de um guia com dicas importantes para ajudar os doentes respiratórios a protegerem-se durante os meses de verão.

PR/HN/Vaishaly Camões

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