Especialistas alertam para o impacto da Inteligência Artificial na evolução da saúde

13 de Agosto 2020

O mais recente relatório do EIT Health e da McKinsey & Company, "Transformar os cuidados de saúde com a IA: o impacto no mercado de trabalho e nas organizações" alerta para a necessidade de atrair, educar e formar com conhecimentos digitais os profissionais de saúde. De acordo com a OMS, a nível global poderão existir menos 9,9 milhões de médicos, enfermeiros e parteiras.

De acordo com o relatório do EIT Health e da McKinsey & Company, a Inteligência Artificial (IA) pode revolucionar a assistência médica, através de melhores resultados neste acompanhamento, na experiência do paciente e no acesso a serviços de saúde, através da melhoria da produtividade e eficiência.

Os especialistas consideram que a evolução das novas tecnologias com base em ferramentas de lA obriga a um maior domínio digital por parte dos profissionais de saúde. É por isso que o relatório reforça que conhecimentos digitais básicos, ciência biomédica e de dados, análise de dados e fundamentos de genómica serão cruciais, isto se a IA e o machine learning entrarem nos serviços de saúde e apoiarem o respetivo mercado de trabalho.

O relatório do EIT Health em parceria com a McKinsey & Company destaca a Agenda de Competências para a Europa, o documento que a Comissão Europeia apresentou a 1 de julho sob o mote de melhorar a competitividade sustentável, a resiliência, bem como garantir justiça social para todos. De acordo com a Agenda, em 2019 pelo menos 85% dos empregos exigiu algum nível de competências digitais, sendo que apenas 56% dos adultos possuia um mínimo de conhecimento digitais básicos.

O documento releva ainda que entre 2005 e 2016, 40% dos novos empregos tiveram origem em setores com exigências digitais intensivas.

“Estas disciplinas raramente são ensinadas nas ciências clínicas tradicionais. E, portanto, sem culpa alguma, o mercado de trabalho na área da Saúde ainda não está preparado para a adoção da IA. Por nos encontrarmos na vanguarda da inovação em saúde na Europa, verificamos a criação de um crescente número de soluções de IA tangíveis, impactantes e emocionantes. No entanto, precisamos unificar todas as novas tecnologias que permitem aliviar parte da pressão sobre os serviços de saúde e integrá-las ao nível da prestação de cuidados. É hora de colmatarmos estas lacunas, para que a Europa não fique para trás na aplicação da IA”, explica Jorge Fernández García, diretor de inovação do EIT Health e co-autor do relatório.

Os especialistas explicam, por outro lado, que começa a ser visível uma maior noção por parte dos profissionais de saúde no que diz respeito ao impacto que as novas tecnologias dentro área. A recente Escola de Verão HelloAIRIS sobre IA em saúde, organizada pela GE Healthcare, Leitat e KTH Royal Institute of Technology, em Estocolmo, numa colaboração com o EIT Health, resultou em 900 candidaturas apenas este ano, tendo sido selecionados 400 candidatos para frequentar este curso online exclusivo. O principal objetivo desta ação visou envolver talentos das regiões da Europa central, de leste ou do sul, e construir uma comunidade de elite especializada em IA e equipada com as competências necessárias para o futuro, com o certificado do EIT Health.

“As nossas experiências ao trabalhar com start-ups em regiões emergentes mostram que há uma enorme necessidade de profissionais com qualificação superior, bem como da otimização da alfabetização digital em saúde. O curso online de verão que desenvolvemos com os nossos parceiros demonstra bem a importância da IA para o futuro. E tal verificou-se na elevada procura pelos candidatos, bem acima das nossas expectativas”, refere Monika Toth, Gestora de Programas do EIT Health InnoStars RIS.

Atualmente, na área da Saúde a IA é, por norma, aplicada nos processos de diagnóstico. No entanto, nos próximos 5 a 10 anos os profissionais de saúde esperam que a tomada de decisões clínicas passe a ser a aplicação digital mais relevante, de acordo com o estudo do EIT Health e da McKinsey & Company – que inclui uma pesquisa com 175 técnicos da linha de frente nos cuidados de saúde, e entrevistas junto de 62 decisores do setor.

Os especialistas garantem que a Inteligência Artificial tem condições para revolucionar a assistência médica: desde apoiar a melhorar a vida quotidiana dos profissionais, e com isso permitir que estes concentrem a sua energia nos pacientes, até gastar menos tempo em tarefas administrativas em detrimento da prestação direta de cuidados. Por exemplo, com um potencial que pode libertar 20% ou mais do tempo empregue por radiologistas em processos administrativos, as soluções de IA possibilitam que estes concentrem os seus esforços na leitura das radiografias, bem como na melhor forma de trabalhar com pacientes e equipas clínicas, com vista a uma maior personalização e melhor atendimento.

A IA pode potenciar a velocidade de diagnósticos e, inclusivamente, a sua precisão. Como exemplo, em 2015 os algoritmos ultrapassaram os seres humanos no reconhecimento visual, isto no Concurso de Reconhecimento Visual em Larga Escala do ImageNet Challenge, ao melhorarem de uma taxa de erro de 28% em 2010 para 2,2% em 2017, quando comparados com a típica taxa de erro humana, que ronda os 5%.

Prevê-se que até 2030 a economia global possa criar 40 milhões de novos empregos no setor da saúde. No entanto, no início da próxima década, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, a nível global poderão existir menos 9,9 milhões de médicos, enfermeiros e parteiras.

PR/HN

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