Ministra e DGS garantem que isolar não é abandonar crianças ou idosos

26 de Agosto 2020

A ministra da Saúde e a diretora-geral da Saúde recusaram esta quarta-feira estar em causa o “abandono” no isolamento de 14 dias imposto para prevenir contágio por Covid-19 quando alguém é institucionalizado, nomeadamente crianças retiradas aos pais.

“Isolamento não é abandono. O que se preconiza é um período de afastamento físico, não ausência de cuidados”, frisou a ministra Marta Temido na conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica em Portugal, referindo que tal é válido tanto para crianças como para idosos ou até para casos positivos e infeção.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, admitiu que a norma que impõe o isolamento de crianças que entram em instituições pode ser alterada se a Organização Mundial de Saúde indicar outro período temporal para o isolamento, frisando que “a revisão [da orientação] pode passar por transformar o isolamento” para deixar a pessoa “mais confortável”.

A responsável da Direção-Geral de Saúde (DGS) respondia a perguntas sobre a indicação, dada à Lusa pelo Instituto de Segurança Social, de que a orientação relativa ao acolhimento de crianças e jovens em perigo está “em processo de nova atualização, estando a ser revista na sua generalidade” e “prevendo-se a sua publicação para breve”.

O jornal Público escreve hoje que “Segurança Social está a rever norma que força isolamento de crianças” e que “a Comissão de Proteção das Crianças e Jovens sugere que se alterem estas regras quanto antes”.

Graça Freitas diz que “as normas estão sempre em revisão”, com base na evolução científica e as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Se se concluir que o período de incubação da doença é inferior a 14 dias, estamos dispostos a rever. Mas, até agora, não há orientações da OMS noutro sentido”, alertou.

A responsável referiu ainda que “as normas não são documentos fechados”, podendo ser alteradas “quando se sabe algo diferente sobre a doença” provocada pelo novo coronavírus.

“A revisão também pode passar por melhorar as condições de isolamento, criando uma atmosfera o mais protetora possível”, observou, admitindo que esta hipótese será mais simples e fácil de aplicar do que aguardar por uma eventual nova orientação da OMS que “pode nem chegar”.

As questões colocadas pelos jornalistas diziam respeito a crianças institucionalizadas, mas Graça Freitas notou que os idosos [sujeitos a isolamento quando entram num lar, ou quando regressam após eventual período de internamento hospitalar] também são motivo de preocupação.

“A OMS nunca deixou de dizer que o período de incubação é de 14 dias. Isto traz, para as crianças e jovens, mas também para os idosos, algum tipo de problemas. Mas isolar não é abandonar”, frisou.

Acresce que as instituições são “uma bolha” sem covid-19 e o isolamento é uma forma de “proteger todos”.

A ministra da Saúde acrescentou que “o que se preconiza é um período de afastamento físico”, não que as pessoas “sejam postergadas para um local onde não são vistas nem tratadas”.

“Bem sei que o carinho tem muito a ver com a expressão física dos afetos, mas é quanto a isso que se impõe um conjunto de medidas. Não quero é que se confunda isolamento com abandono ou não prestação de cuidados”, frisou Marta Temido.

LUSA/HN

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