Agência Europeia do Medicamento desaconselha adiamento da segunda dose além dos 42 dias

5 de Janeiro 2021

A Agência Europeia de Medicamentos desaconselha adiar a segunda dose da vacina Pfizer-BioNTech além dos 42 dias, numa altura em que Alemanha e Bélgica admitem administrar a primeira dose a mais pessoas e adiar a segunda além dos 21 dias prescritos.

Aquele organismo, que trata da avaliação técnica das vacinas na União Europeia (UE), ressalta que “os vacinados podem não estar totalmente protegidos até sete dias após a segunda dose”, como indicou a Pfizer após os ensaios clínicos, disse à agência espanhola EFE a porta-voz da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), Sophie Labbe.

No entanto, a EMA não proíbe estender a administração da segunda dose da vacina da Pfizer contra a Covid-19 até aos 42 dias.

Embora a informação do produto “não defina explicitamente o limite superior para o tempo entre as doses, as recomendações de dosagem fazem uma referência explícita (…) onde é especificado, respetivamente, que a evidência de eficácia é baseada num estudo no qual a administração de duas doses foi realizada com intervalo de 19 a 42 dias “, acrescentou.

Qualquer mudança neste modo de utilização “exigiria uma variação da autorização de comercialização, bem como mais dados clínicos para apoiar tal mudança, caso contrário, seria considerada como ‘uso off-label'”, acrescentou a porta-voz da EMA.

Dada a escassez inicial de vacinas enquanto aumenta a capacidade de produção, e à medida que outras vacinas vão sendo autorizadas na UE, como deverá acontecer com a vacina do laboratório americano Moderna ou a britânica da AstraZeneca e da Universidade de Oxford, há países que estão a considerar a hipótese de alterar as estratégias de vacinação.

A Comissão Europeia, que em última análise aprova a distribuição de vacinas na UE se a Agência Europeia de Medicamentos as considerar eficazes e seguras, evitou entrar no debate clínico sobre as dosagens e transferiu essa decisão médica para a EMA.

A Bélgica foi o primeiro Estado-membro da UE a afirmar publicamente que pedirá aos seus peritos que analisem esta possibilidade, iniciativa a que também se juntou a Alemanha, que estuda o adiamento da segunda dose até ao máximo de 42 dias.

Dada a maior transmissibilidade da variante britânica do novo coronavírus, o virologista belga Pierre Van Damme, que faz parte do grupo de trabalho belga sobre o coronavírus, chegou a propor que apenas a primeira dose fosse administrada para imunizar o maior número de pessoas possível, deixando a segunda dose para seis meses depois, quando houver produção suficiente, embora essa ideia tenha sido descartada.

Também o Reino Unido, que não sendo já um estado membro da UE e por isso não está sujeito às decisões da EMA, mas sim à regulamentação da Agência Reguladora de Produtos Médicos e Sanitários Britânica (MHRA, em inglês), está a estudar a hipótese de concentrar a vacinação na primeira dose, adiando a segunda.

Em Portugal a campanha de vacinação contra a Covid-19 iniciou-se em 27 de dezembro nos hospitais, abrangendo os profissionais de saúde, e na segunda-feira estendeu-se aos lares de idosos.

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 1.843.631 mortos resultantes de mais de 85 milhões de casos de infeção em todo o mundo.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Terapias CAR-T em foco: especialistas nacionais e estrangeiros reúnem-se em março

A III Conferência – Looking Today at Tomorrow’s Immunotherapy realiza-se a 14 de março no Hotel Lumen, reunindo médicos, investigadores e profissionais de saúde à volta das mais recentes abordagens no tratamento de doenças do sangue. O encontro, que conta com a parceria da Associação Portuguesa Contra a Leucemia e da Sociedade Portuguesa de Hematologia, pretende olhar para a expansão da inovação e para o impacto real das terapias de última geração na prática clínica

Comprimido único em investigação da Gilead mostra eficácia em pessoas com VIH-1

A Gilead Sciences apresentou na 33.ª Conferência sobre Retrovírus e Infeções Oportunistas, em Denver, os resultados de dois ensaios de fase 3 que avaliam um regime experimental em comprimido único para o tratamento da infeção por VIH-1. Os estudos ARTISTRY-1 e ARTISTRY-2, ambos selecionados como late-breakers, demonstraram eficácia na manutenção da supressão viral em pessoas que mudaram da terapêutica antirretrovírica prévia para a nova combinação

OMS trava atividades no Dubai e alerta para colapso sanitário no Irão e Líbano

A Organização Mundial da Saúde (OMS) suspendeu as operações do seu centro logístico no Dubai, essencial para o envio de ‘kits’ de emergência, num momento em que a guerra no Médio Oriente já provocou 13 ataques a instalações de saúde no Irão. A decisão, anunciada hoje, reflete a propagação do conflito para além das fronteiras dos beligerantes

Índia financia saúde materno-infantil em Cabo Verde com 749 mil dólares

O Governo cabo-verdiano anunciou esta quinta-feira um apoio financeiro da Índia de 749 mil dólares para a melhoria dos cuidados de saúde a grávidas, recém-nascidos e crianças, num projeto articulado com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e que prevê o reforço de equipamentos e a formação de profissionais

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights