76% dos internados com Covid-19 relatam sintomas 6 meses após alta

13 de Janeiro 2021

Estudo publicado na “Lancet" mostra a importância do follow-up dos doentes, pois a infeção pelo novo coronavírus pode deixar sequelas.

Mais de três quartos dos pacientes com Covid-19 apresentam pelo menos um sintoma seis meses após as primeiras manifestações, revela um estudo realizado por cientistas de diversos institutos de investigação chineses, publicado na “Lancet”.

“Como a Covid-19 é uma doença muito recente, estamos a começar agora a compreender alguns dos seus efeitos de longo prazo na saúde dos pacientes”, explicou Bin Cao, coautor do artigo e professor no “National Center for Respiratory Medicine”, do “China-Japan Friendship Hospital”.

Entre 7 de janeiro e 29 de maio de 2020, os investigadores acompanharam 1.733 pacientes que receberam alta do Hospital Jin Yin-tan, em Wuhan, na China. Foram realizadas entrevistas para avaliar a qualidade de vida pós-infeção pelo novo coronavírus, além de exames físicos e testes de laboratório.

Segundo os resultados da investigação, 76% dos pacientes relataram pelo menos um sintoma contínuo no semestre seguinte à saída do hospital. Fadiga ou fraqueza muscular foi relatada por 63% das pessoas, enquanto 26% tiveram dificuldades para dormir e 23% sentiram ansiedade ou depressão.

Os indivíduos que tiveram quadros mais graves em geral apresentaram função pulmonar reduzida: 56% dos pacientes classificados na escala de gravidade 5 e 6 (que necessitaram de ventilação) apresentaram comprometimento no processo de difusão, o que significa fluxo reduzido de oxigénio dos pulmões para a corrente sanguínea. Para as pessoas classificadas na escala de gravidade 4 (que necessitaram de oxigenoterapia) e  na escala 3 (que não necessitaram de oxigenoterapia), as percentagens foram de foram 29% e 22%, respetivamente.

Além disso, estes pacientes tiveram pior desempenho num teste de marcha que mede a distância percorrida em seis minutos. Entre os classificados na escala de gravidade 5 e 6, 29% caminharam menos do que o mínimo, em comparação com 22% para os doentes da escala 4 e 24% da escala 3.

“A nossa investigação indica que a maioria dos pacientes continua a viver com  alguns dos efeitos do vírus após a alta hospitalar. Destaca-se a necessidade de cuidados pós-alta, especialmente para aqueles que tiveram infeções graves”, comentou Bin Cao.

Além dos pulmões, a infeção pelo SARS-CoV-2 afeta outros órgãos, incluindo os rins. Os testes de laboratório revelaram que 13% dos pacientes cuja função renal era normal enquanto estiveram internados apresentaram uma redução dessa capacidade no follow-up.

Exames de sangue realizados em 94 participantes revelaram que os níveis de anticorpos neutralizantes eram 52,5% mais baixos do que no auge da infeção. Para os autores, isso suscita preocupações sobre a possibilidade de reinfeção pelo novo coronavírus.

Os cientistas observam, no entanto, que a investigação teve algumas limitações. “O nosso trabalho também destaca a importância de realizar estudos de  follow-up mais longos em populações maiores, a fim de compreender todo o espectro de efeitos que a Covid-19 pode ter nas pessoas”, esclareceu Bin Cao.

Informação bibliográfica completa:

6-month consequences of COVID-19 in patients dischargedfrom hospital: a cohort study – Bin Cao et al.

The Lancet – Published Online Jan 8, 2021

NR/AG/HN/Adelaide Oliveira

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