Especialista pede urgente retoma da referenciação de casos de cancro colorretal

31 de Março 2021

O diretor do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital de Braga defendeu na terça-feira a “necessidade urgente” de retomar a normalidade no rastreio e na referenciação de doentes com cancro colorretal, alertando que o tempo faz toda a diferença.

Em declarações à Lusa, a propósito da campanha de sensibilização do cancro colorretal “Março Azul”, Joaquim Costa Pereira disse que, em 2020, o número de doentes com aquele cancro que deram entrada no Hospital de Braga diminuiu 25% em relação ao ano anterior, porque os cuidados primários estiveram “assoberbados” por causa da pandemia de Covid-19.

“O problema é que, infelizmente, não foi o número de pessoas com aquele cancro que baixou, mas sim o número de pessoas que foram referenciadas e encaminhadas para o hospital”, sublinhou.

Para Joaquim Costa Pereira, a diminuição das referenciações, assim como dos rastreios, leva a que os doentes cheguem ao hospital num “estadio mais avançado”, o que, muitas vezes, “faz toda a diferença”.

O responsável lembrou que o cancro colorretal pode ser alvo de rastreio, para procurar lesões em doentes sem sintomas.

Por outro lado, a referenciação atempada, por parte dos cuidados primários de saúde, de doentes que apresentem sintomas assume caráter decisivo.

“O que acontece é que tivemos os cuidados primários todos focados na pandemia e a fatura é que os doentes que já tinham sintomas vêm mais tarde e aqueles cujos cancros poderiam ser preveníveis já nos chegam com lesões plurais”, referiu.

Garantiu que, em 2020, o Hospital de Braga tratou todos os doentes com cancro colorretal “dentro dos tempos de resposta definidos” e mais teria tratado se para ali tivessem sido encaminhados.

Joaquim Costa Pereira disse que, naquele hospital, se praticam cirurgias minimamente invasivas, que implicam internamentos entre três e cinco dias, contra os “dez ou mais dias registados na maioria” das unidades do país.

No caso do cancro do reto, o hospital pratica, sempre que o tumor não seja superior a cinco centímetros, a técnica “NOSE”, com extração da “peça afetada” pelo ânus.

“No dia seguinte, o doente está em casa”, explicou Costa Pereira.

O cancro colorretal é a doença oncológica com maior incidência anual em Portugal, contabilizando 10.501 casos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde em 2020.

Mata mais de 10 portugueses todos os dias.

LUSA/HN

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