Teletrabalho na Administração Pública sem impacto negativo na produtividade, indica estudo

6 de Abril 2021

 A produtividade e qualidade do trabalho dos funcionários públicos colocados em teletrabalho manteve-se igual ou melhorou por comparação com o registado quando estão em regime presencial, segundo os resultados de um estudo realizado pela DGAEP.

De acordo com o estudo “A adaptação dos modelos de organização do trabalho na administração pública central durante a pandemia de covid-19: dificuldades e oportunidades”, que é hoje apresentado, a maioria dos dirigentes das 29 entidades da administração central direta e indireta participantes, dá nota positiva à qualidade do trabalho.

“Cerca de 60% dos dirigentes respondentes avalia a qualidade do trabalho como sendo a mesma, independentemente dos seus trabalhadores estarem a trabalhar presencialmente ou em teletrabalho”, refere o estudo, precisando que “27,27% dos dirigentes acham que a qualidade do trabalho melhorou ou melhorou muito quando desempenhado em regime de teletrabalho”.

Apenas 12,41% dos dirigentes dão nota negativa quando questionados sobre a qualidade do trabalho desenvolvido em teletrabalho.

Este estudo, a que a Lusa teve acesso e que é hoje apresentado numa sessão em que estarão presentes a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, e o secretário de Estado da Administração Pública, José Couto, contou com a participação de 4.445 trabalhadores de um universo dos mais de 42 mil que integram aquelas 29 entidades.

O estudo revela ainda que a maioria dos dirigentes (66,61%) não encontrou resistência ao teletrabalho por parte dos trabalhadores, enquanto 52% refere também não ter havido nunca ou quase nunca resistência quando as condições permitiram o regresso ao trabalho presencial.

“Não obstante, 37,41% referem que esta resistência [de regresso ao trabalho presencial] se manifestou por vezes e 9,79% admitem que ela se fez notar sempre ou quase sempre”, refere o estudo.

Recorde-se que na sequência do primeiro confinamento geral, em 2020, cerca de 68 mil funcionários públicos estiveram em teletrabalho. No atual confinamento, esse número foi de sessenta mil segundo disse à Lusa a ministra Alexandra Leitão.

O estudo, realizado em janeiro, mostra que 48% dos trabalhadores perceciona existir um “estiga” por parte das chefias relativamente aos trabalhadores em teletrabalho, mas do lado dos dirigentes a percentagem é menor.

“Do ‘casamento’ das perceções dos diferentes grupos profissionais resulta claro que a adoção do teletrabalho como modalidade de trabalho a longo prazo tenderá a confrontar-se com divergências de sensibilidades por parte de quem o venha a coordenar e supervisionar”, salienta o documento.

Apesar de a forte subida do recurso ao teletrabalho ter sido imposta pela pandemia, 86,71% dos dirigentes inquiridos admitem ser este o momento adequado para que se repensem estruturalmente os modelos de organização do trabalho na Administração Pública portuguesa.

Nesta reflexão sobre os modelos de organização do trabalho no sentido da promoção da flexibilidade e da monitorização dos impactos, deve-se evitar “o completo isolamento”, consideram ainda os inquiridos.

“A maioria dos entrevistados concorda ser este o momento indicado para a revisão global dos modelos de organização do trabalho na Administração Pública portuguesa”, lê-se no estudo.

Adianta que, das várias justificações apresentadas, salientam-se as que valorizam o facto de ser o momento adequado para se rever o enquadramento jurídico das modalidades de trabalho assim como o seu sistema de avaliação de desempenho, “mas também as que percecionam esta revisão como inevitável uma vez que a pandemia ajudou a romper em definitivo com as resistências que existiam relativamente ao teletrabalho”.

Por outro lado, e ainda que a maioria dos inquiridos acredite que o teletrabalho dá um contributo globalmente positivo para a conciliação da vida profissional e familiar alguns alertam para a necessidade de ser realizada uma avaliação da conciliação fora do contexto da pandemia.

LUSA/HN

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