Presidente francês pede mobilização contra as teorias da conspiração

21 de Dezembro 2021

O Presidente francês, Emmanuel Macron, pediu esta terça-feira aos franceses que se mobilizem contra a “conspiração do raciocínio iluminado”, a que contrapôs o conhecimento científico, salientando que nunca foi tão necessário como para lidar com a Covid-19.

“A conspiração está a ganhar terreno e a assumir formas cada vez mais extremas, como demonstra a crescente influência do movimento [da extrema-direita norte-americana] QAnon”, escreveu Macron num texto sobre espiritualidade e racionalidade publicado no semanário L’Express.

Macron apelou para que a “cultura dos factos e o reconhecimento da autoridade científica se oponham ao relativismo” e que uma “República firme na sua defesa, forte nos seus valores e alimentada pelos seus debates” se oponha ao fundamentalismo.

“O questionamento do discurso científico não cessou de se desenvolver nas nossas sociedades”, escreveu no texto intitulado “Aquilo em que acredito”, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Para Macron, a era de tudo relativizar e de tudo ser válido “desqualifica a autoridade do investigador um pouco mais a cada dia, cuja palavra é colocada ao mesmo nível que a dos comentadores”.

Macron defendeu que “a ciência e Deus, a razão e a religião podem viver lado a lado, por vezes até alimentarem-se mutuamente”.

“Isto é mesmo desejável, dado que a aspiração à razão e a necessidade de transcendência coexistem em cada um de nós”, disse, afirmando acreditar “profundamente que pode haver continuidades entre Deus e a ciência, religião e razão”.

Graças ao secularismo, que “torna possível esta rica coabitação”, a França “continuará a ser uma nação infinitamente racional e resolutamente espiritual” e uma “nação de cidadãos livres de criticar e livres de acreditar”, disse.

Macron alertou ainda que o “fundamentalismo religioso, com as suas explicações totalizantes que privilegiam a fé sobre a razão, a crença sobre o conhecimento e excluem a dúvida construtiva, está a tornar-se cada vez mais prevalecente”.

Emmanuel Macron, 44 anos, Presidente da República desde 2017, tem mantido o tabu sobre se vai recandidatar-se nas eleições presidenciais de abril de 2022, mas tem criticado candidatos já no terreno, especialmente os da extrema-direita Éric Zammour e Marine Le Pen.

“Constato que os dirigentes políticos estão a legitimar cada vez mais formas de violência. Eu penso que isso é um erro funesto, porque damos legitimidade a tudo, progressivamente, e eu condeno tudo e todos os que jogam com a violência”, afirmou na semana passada, numa entrevista ao canal francês TF1.

Sobre a possível recandidatura presidencial, admitiu apenas ter “ambições para o país” depois das eleições de abril.

“Mas hoje não consigo ainda responder a essa questão, devido ao país e a mim próprio”, afirmou Macron na altura.

LUSA/HN

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