Portugal envia esta semana mais medicamentos e componentes sanguíneos para a Ucrânia

8 de Março 2022

Portugal vai enviar esta semana para a Ucrânia medicamentos no valor de cerca de 200 mil euros doados por empresas farmacêuticas e componentes sanguíneos de dadores portugueses, avançou esta terça-feira à Lusa o secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

Esta é a segunda remessa de ajuda humanitária enviada por Portugal, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.

A primeira seguiu no dia 03 de março por transporte terrestre para um armazém na Polónia junto à fronteira com a Ucrânia e incluía 204 mil unidades de medicamentos de uso hospitalar e de ambulatório, entre os quais antibióticos, medicamentos analgésicos, soros para hidratação, bem como 416 mil seringas e agulhas, no valor de 100 mil euros.

“Durante esta semana, quarta ou quinta-feira, sairá um contingente privado no valor aproximado de 200 a 250 mil euros e que contempla igualmente soros, antibióticos, analgésicos, corticosteroides que foram doados por diferentes casas farmacêuticas”, adiantou o secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

Ao nível do Estado, será enviado até quarta-feira de manhã 500 unidades de plasma fresco congelado de quarentena, 2.000 unidades de plasma tratado por solvente detergente do grupo A e 10.000 unidades de albumina humana, adiantou António Lacerda Sales.

Estes componentes sanguíneos são provenientes de dadores de sangue portugueses e destinam-se fundamentalmente para ajudar situações de politraumatizados e queimados, referiu o governante.

“Este tipo de doações, quer as públicas, quer as privadas são feitas ao abrigo do Mecanismo Europeu de Proteção Civil e outras doações provavelmente surgirão”, disse, explicando que “é um processo muito dinâmico e muito ajustável em função daquilo que são as necessidades”.

Questionado sobre a disponibilidade manifestada por médicos portugueses e ucranianos para apoiarem os refugiados e as vítimas da ofensiva militar da Rússia na Ucrânia, Lacerda Sales afirmou que “o Ministério da Saúde tem sempre prontidão, através do INEM, o seu módulo de Emergência Médica e profissionais”, caso seja necessário.

“É uma equipa de cerca de 30 profissionais, mas se houver necessidade de ajustar ou de aumentar esse número também se faz”, assegurou.

Contudo, adiantou, há “outro tipo de situações”, nomeadamente de particulares que se oferecem para ir para as fronteiras e médicos ucranianos que “se prontificaram desde logo, através da Ordem dos Médicos que está a colaborar neste sentido, de receber ucranianos”.

Lacerda Sales salientou a importância deste apoio devido à “proximidade da língua”, para os refugiados poderem ser acolhidos “com a maior proximidade e a maior celeridade possível”.

Portugal disponibilizou 603 camas em hospitais do Serviço Nacional de Saúde para doentes emergentes, das quais 495 em enfermaria e 108 camas em unidades de cuidados intensivos (adultos, pediátricas, neonatais e queimados)”.

Foram ainda disponibilizadas 12 camas pediátricas de oncologia solicitadas pelo Mecanismo Europeu de Proteção Civil.

As camas estão dispersas por diferentes pontos do país, mas a maioria localiza-se nos “maiores hospitais de Lisboa, Porto e Coimbra”, disse, ressalvando que a solicitação de camas “é ajustável e dinâmica” em função das necessidades ao longo do país.

Perante a baixa cobertura vacinal contra a Covid-19 do povo ucraniano, que ronda os 35%, o secretário de Estado assegurou que Portugal disponibiliza “todos os mecanismos possíveis para vacinar quem o quiser fazer”.

Explicou que será feito uma avaliação do estado vacinal das pessoas que chegam, a quem é atribuído um número de utente definitivo, para poderem ter “a melhor assistência aos cuidados de saúde”.

Depois desse levantamento ser feito, as pessoas que quiserem poderão ser vacinadas através do processo de agendamento central ou de casa aberta.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que, segundo as autoridades de Kiev,  já fez mais de 2.000 mortos entre a população civil.

Os ataques provocaram também a fuga de mais de 1,7 milhões de pessoas para os países vizinhos, de acordo com a ONU.

LUSA/HN

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