Primeiro-ministro britânico multado por festas em Downing Street

12 de Abril 2022

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, foi esta terça-feira notificado pela Polícia Metropolitana de Londres que será multado por infrações às normas de contenção da Covid-19 depois da realização de festas em Downing Street durante a pandemia.

“O primeiro-ministro e o ministro das Finanças [Rishi Sunak] receberam hoje uma notificação de que a polícia pretende emitir multas”, afirmou uma porta-voz de Downing Street, citada pela agência France-Presse (AFP).

“Não temos mais detalhes, mas emitiremos novas informações quando os tivermos”, acrescentou a porta-voz.

A Polícia Metropolitana de Londres, que está a investigar pelo menos 12 “festas” alegadamente ilegais que ocorreram em edifícios governamentais em 2020 e 2021, anunciou esta manhã que remeteu mais pedidos de multas para o Escritório de Registos Criminais ACRO – elevando para mais de 50 o total de notificações.

Este escritório é responsável por emitir e enviar as notificações aos envolvidos que, por sua vez, têm 28 dias para pagar ou contestar.

No comunicado hoje divulgado, onde não revela a identidade dos sancionados, a polícia diz que “continua a investigar o assunto com urgência” e não exclui a possibilidade de impor mais sanções nas próximas semanas.

O primeiro-ministro, Boris Johnson, admitiu anteriormente ter assistido a vários dos eventos, mas negou que as regras de contenção contra a Covid-19 tenham sido violadas.

O líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, recorreu à plataforma social Twitter para reagir ao anúncio de Downing Street sobre a notificação dos governantes, considerando que Johnson e Sunak “devem demitir-se”.

“Boris Johnson e Rishi Sunak violaram ambos a lei e mentiram de forma repetida ao público britânico. Os dois devem demitir-se”, escreveu na sua página no Twitter.

Starmer atirou que o Partido Conservador está “totalmente inapto para governar”, considerando que o Reino Unido “merece melhor”.

No final de janeiro, um inquérito interno conduzido pela alta funcionária pública e especialista em ética parlamentar Sue Gray às festas realizadas durante a pandemia criticou a “falta de liderança” do executivo por não ter evitado as reuniões enquanto a população britânica estava sujeita a restrições apertadas.

O chamado ‘Party gate’ causou uma onda de indignação entre os britânicos, impedidos de se encontrar com amigos e familiares durante vários meses em 2020 e 2021, para conter a propagação da Covid-19.

Quando rebentou o escândalo, Johnson enfrentou grande pressão para se demitir, incluindo do próprio Partido Conservador.

O caso acabaria por perder algum mediatismo na sequência da invasão russa da Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro.

A Covid-19 provocou mais de seis milhões de mortos em todo o mundo desde o início da pandemia.

A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

LUSA/HN

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