Famílias de acolhimento recebem formação para tratar idosos e deficientes em Bragança

Mais de três dezenas de famílias de acolhimento vão receber formação específica para tratar idosos e adultos com deficiência e prevenir algumas causas de tratamento hospitalar, no âmbito de um novo projeto apresentado esta segunda-feira em Bragança.

Trata-se do “Academia Familiar – Projeto de literacia para famílias de Acolhimento de idosos e Adultos com Deficiência” que tem como objetivo formar 34 famílias de acolhimento de idosos e adultos com deficiência, nos concelhos de Bragança, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vinhais.

Estes são os quatro concelhos no distrito de Bragança da área de influência da Fundação Caixa CA – Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Alto Douro, que financia com 25 mil euros o projeto a ser desenvolvido em parceria com a Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, com o apoio logístico da Segurança Social.

O protocolo de colaboração foi assinado esta segunda-feira, em Bragança, e irá permitir, segundo os responsáveis, recrutar um enfermeiro que vai dar, durante um ano, formação e treino às famílias de acolhimento inscritas e financiadas pela Segurança Social.

O presidente da ULS do Nordeste, Carlos Vaz, realçou o “trabalho fantástico” que as famílias de acolhimento fazem, contudo, ressalvou: “uma coisa é querer tratá-los bem, outra é saber tratá-los bem”.

A ULS disponibiliza para este projeto o apoio das equipas de enfermagem e geriatria e o presidente considera que esta formação é “uma excelente mais-valia”.

“Um doente faz uma escara em 48 horas, basta bem que uma pessoa se distraia em o posicionar ou mudar e depois, às vezes, leva meses a curar”, disse.

Todo esse conhecimento, todo esse treino, toda essa formação específica é seguramente uma mais-valia enorme”, afirmou.

Os resultados desta formação poderão também ajudar a prevenir idas frequentes ao hospital.

A ideia do projeto partiu da Fundação Caixa, segundo a responsável Cândida Brás, ao verificar que “havia várias famílias de acolhimento e que nem sempre tinham formação na área de saúde, se calhar adequada”.

“Não é só alimentar, é saber tratar, é saber mobilizar, é saber apoiar afetivamente, e é preciso que a família de acolhimento tenha essas valências todas e que perceba todas as vertentes da pessoa que vai ser acolhida, que vai ser tratada”, considerou.

A instituição pretende futuramente alargar ao distrito de Vila Real este projeto que começa em Bragança e que o diretor distrital da Segurança Social, Orlando Vaqueiro, considera “indispensável para que as famílias de acolhimento possam fazer o seu trabalho em pleno”.

Cada família pode acolher até três utentes e receber um máximo de 677 euros por cada, um montante que perece ser cada vez menos aliciante, já que o número de famílias de acolhimento tem vindo a diminuir no distrito de Bragança, segundo disse.

O diretor distrital da Segurança Social considera que para este decréscimo tem também contribuído o envelhecimento das pessoas que estavam dispostas a acolher e que pesa ainda o facto de para se ser família de acolhimento ter que se “ter alguma sensibilidade”.

A importância desta resposta social notou-se, como exemplificou, durante a pandemia, com os internamentos a prolongarem-se para lá da necessidade de cuidados hospitalares por os utentes não terem vaga nem em instituições, nem em famílias de acolhimento.

“Não tem havido motivação para que famílias mais jovens surjam neste setor, talvez com mais incentivos, melhor formação, maior sensibilização possamos contar com este “bom complemento” das estruturas residenciais para pessoas idosas, dos lares residenciais e das unidades de saúde”, afirmou.

LUSA/HN

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