Rui Tato Marinho: “O SNS que tem sido muito permissivo em relação ao serviço de urgência”

6 de Novembro 2023

O diretor clínico do Hospital de Santa Maria afirmou hoje ao nosso jornal que o Serviço Nacional de Saúde tem sido "muito permissivo" em relação ao acesso às urgências hospitalares. 

Contactado pela HealthNews sobre os constrangimentos registados no serviço de urgência pediátrica do Santa Maria, Rui Tato Marinho explicou que “ter a porta aberta das urgências é um problema” que se prolonga há mais de trinta anos e que tem levado ao “esgotamento das equipas médicas”.

“As pessoas dirigem-se a estes serviços muitas vezes por razões que não têm justificação nenhuma… Vão para ter uma consulta ou para fazer exames. É algo que não faz sentido e que tem esgotado as equipas médicas que estão no terreno”, disse.

De acordo com o médico, a afluência às urgências “é um problema complicado com trinta anos e que não se vai resolver de um momento para o outro”.

O especialista defendeu uma limitação no acesso. “Os portugueses estão habituados a ter tudo a toda hora e todos os dias. Isto é algo insustentável porque não temos recursos humanos suficientes no SNS (…) À semelhança do que se passa na grande maioria dos países da Europa, a urgência deve ficar reservada para os casos mais graves em que de estarmos ocupados com casos não urgentes. Não faz sentido ocupar estes especialistas com situações que podem ser vistas pela Medicina Geral e Familiar.”

Sobre a situação atual do serviço de pediatria do Hospital de Santa Maria, o diretor clínico admitiu que “as esquipas médicas estão um pouco reduzidas”.

Apesar dos constrangimentos, garantiu que “a situação do serviço de urgências é bastante calma e está controlada”.

Sobre a previsão para os próximos dias, Tato Marinho admitiu a possibilidade de assistirmos a um agravamento. “Temos uma previsão que a situação possa vir a agravar-se e que mais hospitais fechem à volta. Outra previsão que esperamos que possa vir a acontecer é um pico de infeções respiratórias nas crianças.”

Apesar de tudo, o especialista passa uma mensagem de tranquilidade aos utentes do hospital de Santa Maria. “Faz parte da nossa profissão manter a calma no meio da guerra. Assim como aconteceu no Covid-19, em que nos fomos orientando e adaptando todos os dias, tenho muita confiança nas minhas equipas que estão preparadas para lidar situações de maior fluxo”, concluiu.

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