Novo relatório da Headway destaca o impacto social da eco-ansiedade

15 de Novembro 2023

Uma nova investigação apresentada no Parlamento Europeu pela European House – Ambrosetti, juntamente com a Angelini Pharma, mostrou que cada vez mais cidadãos sofrem de um medo generalizado das alterações climáticas e das suas consequências.

A eco-ansiedade, caracterizada por um medo generalizado das alterações climáticas e das suas consequências, surgiu como uma preocupação significativa para a saúde mental, particularmente entre os jovens.

Pela primeira vez desde que a iniciativa Headway foi lançada em 2017, o relatório ‘Headway – Mental Health Index 3.0’ analisou especificamente a eco-ansiedade como um novo fator-chave. Criado como parte de uma iniciativa destinada a abordar questões importantes em matéria de saúde mental em toda a Europa, este índice compara a saúde mental entre os países da UE-27 e o Reino Unido, utilizando 54 indicadores-chave de desempenho. Este índice abrange três áreas macro: os fatores determinantes para a saúde mental, o estado da saúde mental de uma população e a capacidade de resposta dos sistemas nacionais de saúde às necessidades das pessoas, no que diz respeito a cuidados de saúde, locais de trabalho, escolas e sociedade em geral.

O relatório revela que, em média, mais de um terço dos europeus (37%) se sente exposto a ameaças relacionadas com as alterações climáticas. Em países onde os efeitos das alterações climáticas já são tangíveis, através de fenómenos meteorológicos extremos, como Itália, Espanha e Grécia – que fazem parte do chamado hotspot mediterrânico, uma das regiões que regista o aquecimento mais rápido do planeta – o impacto na saúde mental pode ser ainda mais forte. Definida como uma perturbação de stress pré-traumático, a maior parte das formas de eco-ansiedade não são clínicas, mas podem contribuir para agravar condições de saúde mental pré-existentes.

Para além da ansiedade ecológica, o relatório aponta para uma série de crises paralelas que estão a afetar a saúde mental das pessoas. Os conflitos geopolíticos, as tensões sociais e a crise do custo de vida têm afetado a vida quotidiana de milhões de europeus, com 62% dos europeus a declararem-se afetados pela atual policrise. Os jovens, em particular, surgem como um grupo particularmente vulnerável. De acordo com as conclusões do relatório, cerca de 20% das crianças sofrem de problemas de saúde mental durante os seus anos de escolaridade e uma em cada cinco declara-se infeliz e ansiosa em relação ao futuro devido à solidão, à intimidação e a dificuldades com os trabalhos escolares. Além disso, 45% das pessoas com idades compreendidas entre os 16 e os 25 anos relatam ansiedade e angústia diárias associadas à eco-ansiedade.

“Embora as perturbações da saúde mental possam afetar qualquer pessoa, independentemente da nacionalidade, do contexto socioeconómico, do género ou da etnia, os jovens e outras populações vulneráveis podem sofrer níveis desproporcionais de angústia e necessitar de maiores níveis de apoio”, afirmou Maria Walsh, membro do Parlamento Europeu, pelo círculo eleitoral de Midlands-North-West. “A incorporação de intervenções políticas e de cuidados de saúde adaptados, que ofereçam um apoio abrangente à saúde mental para os desafios únicos enfrentados por estes indivíduos, alguns dos quais já se verificam em alguns Estados-Membros, poderão ajudar a resolver as perturbações de saúde mental à medida que estas surgem e garantir a prestação de apoio e tratamento adequados.”

Ao proporcionar uma visão geral da saúde mental na Europa, com base num vasto leque de informação recolhida e analisada, o ‘Headway – Mental Health Index’ pode também servir como barómetro da capacidade de cada país em produzir bases de dados eficazes e comparáveis. Neste sentido, o Headway continua a destacar as diferenças estruturais e as limitações entre as diferentes bases de dados e os sistemas de saúde e de assistência social, defendendo uma maior comparabilidade para melhor compreender o estado atual da saúde mental da população nos diferentes países europeus e a forma como estes respondem às necessidades de saúde mental.

Tendo em consideração esta situação, existem diferenças significativas na forma como as questões de saúde mental são tratadas nos países inquiridos e o relatório indica pontuações mais altas ou mais baixas com base na capacidade de resposta dos locais de trabalho, nas escolas e na sociedade em geral. A Dinamarca, Suécia e Finlândia ocupam os primeiros lugares nos indicadores utilizados para o relatório Headway, enquanto a Eslováquia, Grécia e Croácia tendem a registar pontuações mais baixas. É importante referir que uma diminuição da pontuação de um país não significa necessariamente que os seus serviços de saúde mental tenham piorado, podendo antes indicar que outros países melhoraram mais depressa.

“Durante este último ano, a população europeia enfrentou diversos fatores de crise económica, social, geopolítica e ambiental com um impacto significativo na saúde mental das pessoas”, afirmou Elisa Milani, Coordenadora de Projetos e Consultora da Área da Saúde da European House – Ambrosetti. “Neste cenário, o Índice de Saúde Mental Headway atualizado, agora na sua terceira edição, continua a representar uma ferramenta útil para a monitorização e o planeamento de políticas de saúde, bem-estar, educação e ambiente em matéria de saúde mental nos países europeus. Nesta era pós-pandémica, que tem sido designada de policrise devido à ocorrência de múltiplas crises e desafios, a adoção de ferramentas baseadas em dados para os decisores políticos é uma oportunidade para identificar as áreas mais críticas e, consequentemente, intervir, através de uma abordagem multidisciplinar e colaborativa destinada a construir uma sociedade mais equitativa e resiliente em geral.”

“A Estratégia da UE para a Saúde Mental, recentemente lançada pela Comissão Europeia, centra-se na prevenção, no acesso aos cuidados e na reintegração na sociedade. É um exemplo encorajador da crescente consciencialização entre os governos nacionais, o meio académico, o sector dos cuidados de saúde e outras partes interessadas de que é necessário um apoio mais abrangente para abordar o aumento sem precedentes dos problemas de saúde mental em toda a Europa”, afirmou Jacopo Andreose, Diretor Executivo da Angelini Pharma. “Estamos gratos ao Parlamento Europeu e ao nosso parceiro, a European House – Ambrosetti, por continuarem a apoiar e a envolver-se em investigações como o relatório Headway e esperamos reforçar o diálogo, a mudança de paradigmas e a partilha de boas práticas em torno desta imagem mais completa da saúde mental em toda a Europa.”

Para saber mais sobre o relatório ‘Headway: A New Roadmap in Mental Health’ ou para fazer download do relatório completo, visite: https://healthcare.ambrosetti.eu/it/incontri/view/12938.

PR/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Klépierre lança ‘Hora Serena’ para inclusão no autismo

A Klépierre implementou a “Hora Serena” nos seus centros comerciais em Portugal, uma iniciativa que ajusta luzes e sons para criar um ambiente inclusivo para pessoas com perturbações do espectro do autismo (PEA) e hipersensibilidade sensorial.

Estudo português revela: VSR mais letal que gripe em adultos

Estudo realizado no Hospital de Matosinhos confirma que o vírus sincicial respiratório (VSR) em adultos, embora menos prevalente que a gripe, resulta em maior mortalidade, complicações e custos hospitalares, sublinhando a urgência de prevenção em quem tem mais de 60 anos.

ANDAR Celebra 30 Anos de Apoio aos Doentes com Artrite Reumatóide

A ANDAR celebra 30 anos de dedicação aos doentes com Artrite Reumatóide no Dia Nacional do Doente, a 5 de abril. A associação promove eventos em Lisboa para reforçar o apoio aos pacientes e divulga avanços terapêuticos nas suas Jornadas Científicas.

Daniel Gaio Simões Assume Liderança da Bayer Portugal

Daniel Gaio Simões é o novo Country Head da Bayer Portugal, sucedendo a Marco Dietrich. Com uma carreira sólida na indústria farmacêutica e regulamentação, assume a liderança num momento de reorganização global da Bayer, integrando o cluster ibérico sob Jordi Sanchez

SNS Abre 200 Vagas para Progressão na Carreira Farmacêutica

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai abrir 200 vagas para progressão na carreira farmacêutica, incluindo 50 para avaliadores séniores e 150 para avaliadores. A medida integra um acordo entre o Ministério da Saúde e o Sindicato dos Farmacêuticos, com revisão salarial e integração de residentes.

Congresso Update em Medicina Reconhece Excelência Social

Dois projetos inovadores que promovem o acesso à saúde para mulheres migrantes e pessoas sem-abrigo foram distinguidos com o Prémio Fratelli Tutti 2025. As iniciativas já estão a transformar vidas e serão celebradas no Congresso Update em Medicina, de 30 de abril a 2 de maio, em Coimbra.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights