OMS alerta para recorde de pessoas a precisar de ajuda em 13 anos de guerra

17 de Março 2024

Quase 17 milhões de sírios, mais de 80% da população, precisam de ajuda humanitária e 15 milhões necessitam de assistência médica, os números mais elevados desde o início do conflito, há 13 anos, alertou a Organização Mundial de Saúde (OMS).

“Atualmente, há mais sírios a necessitar de ajuda do que em qualquer outro momento desde o início da guerra”, afirmou Hanan Balkhy, diretora regional da OMS para o Mediterrâneo Oriental, citada num comunicado divulgado hoje.

A responsável descreveu que “uma geração inteira nasceu no meio da guerra, só conhece a insegurança e a privação e enfrenta choques sucessivos” e pediu “todos os esforços para proteger e reforçar o sistema de saúde sírio, para que todas as pessoas do país tenham acesso a serviços de saúde económicos e acessíveis”.

O terramoto que afetou a Turquia e a Síria em fevereiro de 2023, matando mais de 59 mil pessoas, acrescentou mais uma camada de sofrimento às pessoas devastadas por anos de guerra, relata a agência das Nações Unidas.

A instabilidade agravou-se, em especial nas regiões nordeste e noroeste, desde o início da guerra na Faixa de Gaza entre o movimento islamita palestiniano Hamas e Israel, em outubro passado.

De acordo com a OMS, 65% dos hospitais e 62% dos centros de cuidados de saúde primários em toda a Síria estão totalmente operacionais.

A organização descreve que 90% da população vive na pobreza, devido ao agravamento da crise económica, enquanto o impacto na saúde mental “é enorme”.

A OMS estima em quase 80 milhões de dólares (73,4 milhões de euros) as necessidades de financiamento para continuar a prestar serviços no país “e evitar o agravamento de uma situação calamitosa”.

O financiamento das atividades humanitárias no domínio da saúde diminuiu mais de 27% entre 2022 e 2023 e este ano deverá ser novamente reduzido em pelo menos 30%.

Só no noroeste da Síria, 15 hospitais suspenderam as operações em 2023 devido à escassez de financiamento e mais hospitais estão em risco de encerrar. Com o noroeste totalmente dependente do financiamento dos doadores, dois milhões de pessoas poderão ficar sem acesso a cuidados de saúde de emergência se os fundos não estiverem disponíveis.

“Embora existam muitas outras crises em todo o mundo que exigem a generosidade e a solidariedade da comunidade internacional, não podemos esquecer o povo da Síria”, sublinhou Hanan Balkhy.

A guerra matou quase meio milhão de pessoas e fez deslocar metade dos 23 milhões de cidadãos que constituíam a população do país antes do conflito.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

ULS Almada-Seixal à apela à dádiva urgente de sangue

A Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS), no distrito de Setúbal, fez um apelo à comunidade no sentido da dádiva urgente de sangue, por ter as reservas do tipo sanguíneo O+ “em nível critico”.

Portugal, no documento “O Estado da Saúde Cardiovascular na União Europeia”: Baixa Mortalidade, mas Fatores de Risco Persistem

O relatório da OCDE “O Estado da Saúde Cardiovascular na UE”, tornado público hoje, analisa os padrões da doença na Europa. Portugal surge com uma mortalidade por doenças circulatórias das mais baixas do continente, um sucesso que se manteve mesmo durante a pandemia. No entanto, o país ainda enfrenta desafios significativos, como a gestão da diabetes, o consumo de álcool e a mortalidade prematura, especialmente entre os homens

Doenças cardiovasculares custam 282 mil milhões de euros à União Europeia

A União Europeia enfrenta um desafio significativo com as doenças cardiovasculares (DCV), que continuam a ser a principal causa de morte e incapacidade no território comunitário. Um relatório recentemente divulgado, antecedendo o lançamento do Plano Corações Seguros, revela que estas doenças são responsáveis por um terço de todas as mortes anuais na UE e afetam mais de 60 milhões de pessoas.

Universidade Católica Portuguesa lança curso pioneiro em Medicina do Sono Pediátrico

A Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa (FM-UCP) vai iniciar a primeira edição de um curso avançado dedicado ao estudo e prática clínica do sono na infância, uma formação pioneira em Portugal. O curso, que arranca a 16 de janeiro, será ministrado em formato b-learning e em inglês, com um carácter internacional.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights