Trump vai continuar a enviar hidroxicloroquina para o Brasil, apesar das dúvidas

16 de Junho 2020

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse esta segunda-feira que vai enviar mais doses de hidroxicloroquina para o Brasil e outros países, apesar de uma agência do seu governo ter revogado a sua autorização no tratamento da Covid-19.

“Sim, foi solicitado [pelo Brasil] e vamos enviá-lo. Não me posso queixar, tomei [hidroxicloroquina] durante duas semanas e aqui estamos”, disse Donald Trump, quando questionado por um jornalista se os Estados Unidos vão continuar a enviar hidroxicloroquina para o Brasil e outros países.

O presidente dos Estados Unidos afirmou desconhecer o relatório da Administração de Medicamentos e Alimentos dos Estados Unidos (FDA), que na segunda-feira revogou a autorização para uso de emergência de medicação para a malária, como a hidroxicloroquina e a cloroquina, no tratamento da Covid-19 por considerar que provavelmente não é eficaz.

Dirigindo-se ao secretário de Saúde dos Estados Unidos, Trump sustentou que não entende como isso era possível, uma vez que há tantas “pessoas encantadas” com os resultados da hidroxicloroquina.

“Temos ótimas informações vindas de França, Espanha e outros países”, afirmou o presidente norte-americano.

O secretário de Saúde dos Estados Unidos, Alex Azar, observou que, sob instruções do presidente, o seu departamento continuou a estudar o efeito do medicamento nos estágios iniciais da doença e que os dados negativos obtidos foram em pacientes muito graves.

Trump sublinhou que esses doentes estavam em estado grave e que, em qualquer caso, não seriam capazes de recuperar.

“Tudo o que sei é que temos relatos tremendos e muitas pessoas disseram-me que acham que isso [hidroxicloroquina] salvou suas vidas”, disse, recordando que tomou este medicamento durante duas semanas como medida preventiva.

Donald Trump falava na Casa Branca numa mesa redonda com vários responsáveis governamentais.

Nas primeiras semanas da pandemia nos Estados Unidos, Donald Trump foi um dos principais defensores do uso da hidroxicloroquina e da cloroquina e chocou os profissionais médicos quando revelou que tomava o medicamento.

Segundo a US Food and Drug Administration (FDA, nome em inglês), “é improvável” que a hidroxicloroquina e a cloroquina seja eficaz no tratamento do novo coronavírus.

Citando relatos de complicações cardíacas, a FDA considera que os dois medicamentos constituem um risco maior para os pacientes infetados com Covid-19 do que quaisquer potenciais benefícios.

A hidroxicloroquina e a cloroquina, medicamentos para o tratamento da malária e também prescrita para o lúpus e para a artrite reumatoide, pode provocar problemas no ritmo cardíaco, ao baixar significativamente a pressão sanguínea, bem como danos musculares ou nervosos.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 435 mil mortos e infetou mais oito milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

LUSA/HN

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