O apelo foi feito pelo presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) e arcebispo de Barcelona, cardeal Juan José Omella, após ter sido recebido hoje pelo papa Francisco, juntamente com o vice-presidente e arcebispo de Madrid, caldeal Carlos Osoro, e o secretário geral e bispo auxiliar de Valladolid, Luis Argüello.

“Neste momento temos feridas muito fortes, como a covid-19, e pessoas que ficaram sem trabalho. Nisto creio que devemos trabalhar. Como presidente da CEE, em nome dos outros bispos, [faço] um apelo as forças em Espanha para nos unirmos mais para avançar neste caminho”, declarou Omella.

Omella explicou que, durante a audiência, trataram de questões como a eventual aprovação da lei da eutanásia em Espanha, uma “questão que o preocupa” porque se refere à vida, que se desenvolve desde “a criança no ventre de sua mãe até a morte”.

O arcebispo de Barcelona destacou que este assunto “preocupa muita gente” e que não deve ser reduzido apenas a um debate sobre “morrer ou não morrer com dignidade”, mas incorporar “a dor e o acompanhamento da dor”.

“Quando lhe tiram a dor e sente a companhia de sua família e dos profissionais você quer viver”, argumentou.

Relativamente a Madrid e à situação decorrente das altas infeções por coronavírus, Osoro justificou que é “a comunidade que mais sofre”, mas “também é verdade que é a comunidade que mais fez” testes e que talvez, se outros locais fizessem o mesmo, “esse mesmo problema apareceria”.

“Acho que as coisas estão sendo feitas e todos procuram saídas”, disse.

No encontro foi ainda focada a questão da Catalunha e Omella voltou a pedir um diálogo para encontrar “soluções entre todos”.

“O diálogo deve sempre ser feito sem condições ‘eu faço o meu melhor e depois fazemos tudo que podemos’ e com grande respeito por todos. (…) O que o papa quer é paz, harmonia, união de todas as regiões e de todos os países”, disse Omella, antes de indicar como fundamental o “respeito às leis e às pessoas”.

Omella, Osoro e Argüello convidaram o Papa a visitar a Espanha “para o Ano Santo de Compostela e o Ano Inaciano” e Jorge Bergoglio reconheceu que gostaria de ir, “sobretudo porque não conhece Manresa – que em 2022 vai comemorar os 500 anos da chegada de Santo Inácio de Loyola, em peregrinação a Jerusalém”, disse Omella.

Os bispos espanhóis elegeram o cardeal Omella presidente em 3 de março e o cardeal Osoro vice-presidente, e em novembro de 2018 Luis Argüello substituiu José María Gil Tamayo como secretário-geral e porta-voz da CEE.

Francisco recebeu pela última vez a liderança dos bispos espanhóis em maio de 2017, quando o presidente da CEE era o cardeal arcebispo de Valladolid, Ricardo Blázquez, e o vice-presidente, o cardeal de Valência, Antonio Cañizares.

LUSA/HN

Share This