Organizadores em contacto com autoridades para realizar desfile do 25 de abril

6 de Abril 2021

A comissão promotora do desfile que assinala o 25 de Abril de 1974 está a realizar contactos com as autoridades para verificar se existem condições sanitárias para a celebração, devido à pandemia da Covid-19.

A notícia foi avançada pelo jornal Diário de Notícias e confirmada hoje à Lusa pelo coronel Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, uma das entidades que constitui a comissão promotora do desfile, que em 2020 não se realizou por causa do contexto sanitário causado pelo novo coronavírus.

“A decisão foi assumida [pela comissão], agora ainda não se pode dizer que o desfile vai ser efetuado porque nós estamos em contacto com as autoridades: a Direção-Geral da Saúde (DGS), a Câmara Municipal de Lisboa e a PSP para ver se há efetivamente condições para realizar o desfile como se deseja e como foi decidido realizar, em princípio”, avançou.

De acordo com Vasco Lourenço os contactos estão a ser feitos e “tudo indica que será possível” assinalar a data, desde que seja “dentro de determinados limites”, salientando que os organizadores continuam “à espera” de resposta por parte das autoridades.

“Quando foi tomada a decisão, só houve uma associação que se manifestou, dizendo que por eles, porque são essencialmente já de idade avançada, não iriam participar no desfile, ainda que apoiem todas as outras iniciativas que se façam”, continuou o responsável referindo-se à Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRE).

Depois disso, disse, a UGT (União Geral de Trabalhadores) também “fez saber aos membros da comissão promotora que não participaria no desfile porque considera que não há condições”.

Vasco Lourenço referiu que PS, PCP, Bloco de Esquerda, Partido Ecologista “Os Verdes” e Livre bem como a CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses — Intersindical Nacional), que integram a comissão, também mostraram vontade de realizar o desfile, dentro das regras estabelecidas.

Se avançar, o desfile terá um trajeto ligeiramente mais curto do que o habitual, terminando nos Restauradores ao invés do Rossio, como é tradicional, uma vez que naquela zona o caminho pode “estreitar” e a manutenção das regras de segurança “seriam mais complicadas”, explicou o responsável.

“Pela nossa parte desde que sejam garantidas condições que não atentem contra as regras sanitárias nós estamos de acordo que se faça o desfile, ainda que com algumas reservas, mas o significado do desfile e o significado da data a evocar e a comemorar é suficientemente forte para nos levar a essa tomada de decisão”, sustentou.

O presidente da Associação 25 de Abril disse ainda que este ano também será feito um apelo às pessoas para cantarem à janela a canção ‘Grândola Vila Morena’, de Zeca Afonso, seguida do hino nacional, desta vez pelas 18 horas.

“O ano passado foi às 15h00 porque era o início da manifestação, este ano fazemos o apelo para cantarem às 18h00 que é a hora em que o Marcelo Caetano se rendeu no Quartel do Carmo , é significativo e vamos promover também esse apelo”, disse.

No passado dia 22 de março, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, já tinha avançado que o partido iria participar “ativamente nas manifestações” para comemorar o 25 de Abril, caso seja possível realizá-las com respeito pelas regras sanitárias devido à epidemia de Covid-19.

Em 2020, os 46 anos do 25 de Abril foram celebrados de forma diferente, com uma sessão solene reduzida no parlamento. A decisão de manter a sessão solene na Assembleia da República em pleno estado de emergência gerou polémica, dentro e fora do parlamento, com duas petições online, uma pelo cancelamento e outra a favor da sessão solene, a juntarem centenas de milhares de assinaturas.

A maioria dos partidos concordou em realizar a sessão adaptada às restrições da pandemia – CDS e Chega foram contra e PAN e Iniciativa Liberal preferiam outro formato de comemorações -, numa cerimónia que só por quatro vezes não aconteceu ao longo das últimas quatro décadas.

Em 25 de abril de 1974, um movimento de capitães derrubou a ditadura de 48 anos, de Marcelo Caetano, chefe do Governo, e Américo Tomás, Presidente da República, um golpe que se transformou numa revolução, a “revolução dos cravos”.

LUSA/HN

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