Programa de medicação gratuita apoia utentes do serviço de Psiquiatria de Vila Real

20 de Abril 2021

O serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) disponibiliza gratuitamente medicação antipsicótica de longa duração, através de um programa que já abrange 40 utentes e quer evitar abandono do tratamento.

Dulce Maia, diretora do serviço de Psiquiatria, explicou que se trata de uma “medicação onerosa”, tendo-se constatado que, “por motivos económicos, os pacientes adotavam uma toma inconstante ou simplesmente a suspendiam”.

“Portanto, esta autorização de administração gratuita a pacientes em regime de tratamento ambulatório compulsivo, ou com documentada insuficiência económica, representa um importante passo para garantir a continuidade destes tratamentos nestes pacientes”, afirmou a médica, citada num comunicado divulgado pelo CHTMAD.

De acordo com a unidade hospitalar, que tem sede social em Vila Real, estão a ser disponibilizados, em Hospital de Dia, “fármacos antipsicóticos intramusculares de segunda geração e de libertação prolongada, que permitem uma maior estabilização clínica e, consequentemente, uma menor taxa de recaídas”.

Segundo Dulce Maia, esta medida permite “uma melhoria cognitiva e motora importante, um mínimo de efeitos secundários, e portanto menor abandono do tratamento de pacientes com patologias psicóticas e outras doenças mentais graves”.

“Atualmente contamos já com cerca de 40 pacientes abrangidos por este programa, mas pretendemos chegar ao maior número possível e estamos já a trabalhar no alargamento deste regime de administração às outras unidades hospitalares”, acrescentou a diretora do serviço.

Para além de Vila Real, o CHTMAD agrega os hospitais de Chaves e de Lamego.

O conselho de administração do CHTMAD referiu que esta medida “torna os cuidados mais justos e inclusivos, permite um melhor acompanhamento dos doentes e, assim, uma melhor resposta às necessidades da população, garantindo uma cobertura universal em saúde”.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Cuidados continuados integrados: o desafio da fragmentação em Portugal

A prestação de cuidados continuados em Portugal caracteriza-se pela fragmentação entre serviços de saúde e sociais, criando lacunas na assistência a idosos e pessoas com dependência. A falta de coordenação entre os diferentes níveis de cuidados resulta em transições inadequadas e sobrecarga para as famílias

Cuidados Paliativos em Portugal: Cobertura Insuficiente para uma População que Envelhece

Portugal enfrenta uma lacuna crítica nos cuidados paliativos. Com uma população envelhecida e uma vaga de doenças crónicas, milhares terminam a vida em sofrimento, sem acesso a apoio especializado. A cobertura é um retalho, o interior é um deserto de cuidados e as famílias carregam sozinhas o peso de um fim de vida sem dignidade

O Paradoxo Português: Mais Médicos Não Significa Melhor Saúde

Portugal supera a média da OCDE em número de médicos, uma vantagem que esconde uma fragilidade crítica. A escassez persistente de enfermeiros compromete a eficácia dos cuidados, sobrecarrega o sistema e expõe um desequilíbrio perigoso na equipa de saúde nacional

Prescrição segura em Portugal: antibióticos e opioides ainda acima das melhores práticas internacionais

Portugal mantém níveis de prescrição de antibióticos nos cuidados primários superiores à média da OCDE, um padrão partilhado com outros países do sul da Europa. Este uso excessivo, aliado a uma tendência crescente para opioides, alerta para riscos de resistência antimicrobiana e dependência, exigindo uma estratégia nacional concertada para mudar práticas clínicas e culturais profundamente enraizadas

Prevenção em Saúde: A Cura que Portugal Ignora

Apenas 3% da despesa em saúde em Portugal é canalizada para a prevenção. Este investimento residual, estagnado há uma década, condena o sistema nacional a um ciclo vicioso de tratamentos caros e reativos. Enquanto isso, países como a Finlândia e o Canadá demonstram que priorizar a prevenção é a estratégia mais inteligente e económica para travar o tsunami das doenças crónicas

Inovação em Saúde Portuguesa: O Labirinto Burocrático que Prende o Futuro

O relatório “Health at a Glance 2025” da OCDE expõe uma contradição gritante em Portugal: apesar de uma investigação robusta e profissionais qualificados, a inovação em saúde enfrenta anos de entraves burocráticos, deixando os doentes à espera de terapias já disponíveis noutros países e travando a modernização do SNS

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights