Cabo Verde gastou menos 20% com evacuações médicas no primeiro trimestre

14 de Junho 2021

O custo com as evacuações médicas suportadas pela segurança social cabo-verdiana, sobretudo para Portugal, caiu 20% no primeiro trimestre, face a 2020, para 1,5 milhão de euros, segundo dados oficiais compilados esta segunda-feira pela Lusa.

De acordo com um relatório sobre os pagamentos assegurados nos primeiros três meses de 2021 pelo do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) – que gere as pensões e as contribuições sociais dos trabalhadores -, o custo com o transporte e estadia destes doentes em evacuações médicas entre as ilhas e para Portugal registou em março o valor mais alto do ano, cerca de 60,7 milhões de escudos (550 mil euros).

Esse registo compara com o máximo histórico de 80,7 milhões de escudos (730 mil euros) no mês de março de 2020.

Em janeiro, o INPS gastou com estas evacuações médicas 52,1 milhões de escudos (472 mil euros) e em março 55,9 milhões de escudos (507 mil euros).

No total do primeiro trimestre deste ano, foram gastos pelo INPS mais de 168,7 milhões de escudos (1,5 milhão de euros) com evacuações médicas – dos quais quase 152 milhões de euros (1,4 milhão de euros) com estadias em tratamento nos hospitais portugueses -, uma quebra de 20,7% face aos 212,9 milhões de escudos (quase dois milhões de euros) nos primeiros três meses de 2020.

A Lusa noticiou anteriormente que o custo com as evacuações médicas suportadas pela segurança social cabo-verdiana aumentou quase 6% em todo o ano de 2020, face ao anterior, para sete milhões de euros.

Segundo o relatório anual do INPS, os custos com as evacuações médicas suportadas em 2020 pela segurança social cabo-verdiana, que em alguns casos incluem acompanhantes, ascenderam a mais de 776,3 milhões de escudos (sete milhões de euros), um aumento de 5,8% face aos 733,4 milhões de escudos (6,6 milhões de euros) em 2019.

Cerca de 65% do total dessas despesas em 2020 foram relativas às evacuações médicas para Portugal.

Dados anteriores do INPS referem que as evacuações médicas suportadas pela segurança social cabo-verdiana abrangeram 3.891 doentes em 2019, sobretudo entre as ilhas do arquipélago e com menos quase cem pacientes deslocados (319 no total) para tratamento em hospitais em Portugal.

As especialidades mais solicitadas nas evacuações para tratamento em Portugal em 2019 foram oncologia (104 casos), cardiologia (67), ortopedia (44), oftalmologia (32) e neurocirurgia (25).

“Apesar da dinâmica dos evacuados para o exterior, concluiu-se o ano 2019 com 549 evacuados ativos em Portugal”, refere-se num relatório anterior do INPS.

Globalmente, as evacuações médicas, suportadas pelo INPS, movimentaram em 2019 um total de 5.562 pessoas, incluindo em alguns casos familiares dos doentes.

O ministro de Saúde de Cabo Verde, Arlindo do Rosário, reconheceu no final de janeiro último que, apesar do “momento difícil” dos hospitais portugueses desde o início da pandemia de Covid-19, Portugal “nunca fechou as portas” aos doentes cabo-verdianos do programa de evacuações médicas.

“Mesmo num momento difícil, nós sabemos a situação de Portugal, dos hospitais em Portugal [devido ao aumento de casos de Covid-19 no início deste ano]. Mas mesmo num momento difícil, Portugal nunca fechou as portas e mesmo assim nós continuamos com o programa de evacuações”, reconheceu o governante, na inauguração do novo centro de hemodiálise do Hospital Baptista de Sousa, ilha de São Vicente, cuja construção foi cofinanciada por Portugal.

Arlindo do Rosário insistiu que é de “enaltecer o programa de cooperação entre Portugal e Cabo Verde, particularmente no setor da Saúde”, concretamente em áreas como as evacuações médicas ou pelo “apoio na assistência técnica e formativa” aos especialistas cabo-verdianos, permitindo que o país “ganhe progressivamente competências”.

LUSA/HN

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