06/04/2022 | Nacional, Notícias

Plataforma Lisboa em Defesa do SNS quer mais investimento e valorização dos profissionais

A Plataforma Lisboa em Defesa do SNS realizou esta quarta-feira uma ação de sensibilização na capital com distribuição de panfletos a alertar para a urgência de investir mais no Serviço Nacional de Saúde e travar a saída de profissionais.

Promovida na véspera do Dia Mundial de Saúde, a iniciativa começou nos interfaces de transporte em Lisboa com a entrega à população dos folhetos que explicam as razões para o reforço do SNS, terminando à porta do Centro de Saúde da Alameda, onde se concentraram 10 elementos da plataforma, que reúne movimentos de utentes e sindicatos.

“Nesta ação, estivemos em contacto com a população e tivemos uma reação muito interessante com algumas pessoas até a parar e a questionar o que é que nós estamos a fazer e o que defendemos”, disse aos jornalistas Isabel Barbosa, membro da plataforma e dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

“Alguns perguntaram mesmo: se vocês defendem os profissionais e defendem os utentes, isso não é incompatível? Não é oposto?”, contou Isabel Barbosa, afirmando que a resposta é não.

Para a dirigente sindical, se houver valorização dos trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde “eles não saem, não vão para o privado, não vão para o estrangeiro, que é o que está a acontecer. [Por isso], valorizando os profissionais, valorizam-se os utentes. Está tudo ligado”.

Devido à preocupação com a “falta de investimento” no SNS, a plataforma pediu hoje uma reunião “com caráter de urgência” à ministra da Saúde, Marta Temido.

“As situações vão-se agravando, as notícias da situação complicada que se vive vão saindo e, portanto, preocupa-nos o acesso aos cuidados de saúde e as condições de trabalho e preocupa-nos que, neste momento, 56% o do orçamento seja destinado ao privado”, disse, apontando a saída recente de uma portaria que destina apoios financeiros apenas para unidades de cuidados continuados e paliativos privadas, afastando a possibilidade das instituições do SNS concorrerem a apoios financeiros.

Isabel Barbosa defendeu que é também preciso apostar “na porta de entrada” do SNS (os centros de saúde) “até para aliviar os serviços mais diferenciados, hospitalares, nomeadamente as urgências” que têm assistido a uma procura crescente, contratando “mais pessoal” para todos os níveis de cuidados de saúde e referiu que a situação que se verifica em alguns serviços é também resultado de “anos de política de desinvestimento” em trabalhadores, mas também nas infraestruturas, apontando o fecho dos hospitais do Desterro, Miguel Bombarda, em Lisboa, e do Barro, em Torres Vedras.

Também haver só três hospitais com serviços de urgência em Lisboa, disse, “sobrecarrega quem lá está”.

Questionada sobre se espera mudanças com o novo executivo, Isabel Barbosa disse que “a resposta do Governo com uma maioria absoluta há de complicar um bocadinho a situação dos trabalhadores e do povo”.

“Mas vai depender sempre da correlação de forças que está na Assembleia da República, mas também da resposta dos trabalhadores e do povo e essa não vai faltar”, assegurou.

Ana Pais, membro da plataforma e dirigente sindical, trabalha no Centro hospitalar Psiquiátrico de Lisboa e conhece os problemas de quem trabalha no SNS.

“A sobrecarga de trabalho é muito grande em todos os profissionais, para querer dar a melhor resposta aos utentes, e não se sente uma valorização sobre o seu trabalho até mesmo a nível salarial”, lamentou.

A nível dos trabalhadores da Administração Pública, “a grande maioria ganha o ordenado mínimo nacional”.

“Só isso para quem tem uma carga muito grande de trabalho, para quem está a lidar com vidas (…) é desmotivador”, lamentou Ana pais.

LUSA/HN

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