Estudo da Universidade de Aveiro revela confiança nas vacinas

A generalidade dos cerca de 2.550 inquiridos num estudo da Universidade de Aveiro, entre professores, profissionais de saúde e idosos, manifestou confiança na vacinação contra a Covid-19, revelou esta segunda-feira fonte académica.

Com o início da administração das primeiras vacinas contra a Covid-19 em Portugal em dezembro de 2020, uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) quis perceber se os portugueses estavam disponíveis para tomar a vacina e quais os fatores que poderiam estar associados à hesitação vacinal.

O estudo, realizado entre 21 de abril e 10 de maio de 2021, incluiu um questionário ‘online’ a 1.062 professores (educação pré-escolar, ensinos básico, secundário e superior) e a 890 profissionais de saúde (médicos, farmacêuticos, enfermeiros e dentistas), bem como um questionário por entrevista telefónica assistida por computador a 602 idosos não institucionalizados.

Segundo a coordenadora do estudo, Teresa Herdeiro, “de uma forma global, os resultados obtidos evidenciam uma elevada confiança da população na vacinação contra a covid-19”.

“É igualmente importante salientar que os participantes no estudo que apresentavam maior confiança nas entidades e instituições de saúde também apresentavam maior predisposição a aceitar a vacinação”, diz a investigadora, para quem esses dados “mostram a importância das instituições de saúde na transmissão da informação às populações”.

Teresa Herdeiro revela que “embora a maioria dos participantes tivesse consciência dos benefícios da vacinação, uma pequena mas significativa proporção dos inquiridos mostrou preocupação sobre a eficácia da vacina e seus efeitos indesejáveis, e alguns tencionavam recusar a vacinação”.

Cerca de 60% dos profissionais de saúde e idosos e aproximadamente metade dos professores já tinham sido vacinados com a primeira dose aquando da realização do estudo.

No entanto, cerca de 10% de todos os participantes referiram que não estavam dispostos a receber a vacina quando esta lhes fosse disponibilizada.

“Embora os participantes estivessem conscientes do potencial da vacinação para pôr fim à pandemia da covid-19, principalmente através da prevenção da infeção e das complicações associadas”, o estudo conclui que “uma grande proporção dos inquiridos (superior a 30%) se mostrou cética” em relação ao resultado.

Uma das conclusões do estudo foi que a hesitação na vacinação “estava principalmente relacionada com a incerteza sobre a eficácia e possíveis efeitos indesejáveis da vacina, particularmente entre professores e profissionais de saúde (cerca de 50%), e não com a origem do fabricante da vacina”.

“Mais de 75% dos participantes consideraram as autoridades competentes como uma fonte de informação fiável relativamente à vacinação contra a covid-19”, anota.

O estudo conclui ainda que, enquanto cerca de 90% dos professores e profissionais de saúde gostariam de ser testados quanto à resposta imunitária obtida após infeção por Covid-19 ou vacinação, apenas cerca de dois terços dos idosos partilhavam o mesmo desejo.

“De uma forma geral os resultados mostraram que quem tinha maior preocupação quanto à segurança e eficácia das vacinas era também mais cético em relação à vacinação contra a covid-19”, acrescenta, dando conta de que esse dado foi transversal aos três grupos em estudo (profissionais de saúde, professores e população idosa).

O trabalho foi coordenado por Teresa Herdeiro, investigadora do Instituto de Biomedicina (ibimed), e também assinado por Tânia Silva e Marta Estrela, igualmente investigadoras daquela unidade de investigação da UA.

Contou ainda com a participação de Fátima Roque e de Vítor Roque, do Instituto Politécnico da Guarda, de Eva Gomes, da Universidade do Porto, e de Adolfo Figueiras, da Universidade de Santiago de Compostela, Galiza, em Espanha.

De acordo com o último boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgado na sexta-feira, 93% da população tem a vacinação completa, 66% dos elegíveis recebeu a primeira dose de reforço e 59% dos idosos com 80 ou mais anos a segunda dose para reforçar a imunização contra o vírus SARS-CoV-2.

LUSA/HN

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