Cabo-verdianos tratados nos hospitais portugueses aumentaram mais de 11% em 2021

Cabo Verde enviou para tratamento em Portugal no ano passado, em diversas especialidades, 249 doentes, um aumento de 11,2% face a 2020, chegando a 31 de dezembro com 585 pacientes em tratamento nos hospitais portugueses, segundo dados oficiais.

De acordo com dados compilados hoje pela Lusa a partir de um relatório anual do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), que gere as pensões e contribuições sociais em Cabo Verde, as especialidades “mais solicitadas” para as evacuações médicas para Portugal, ao abrigo dos acordos de cooperação bilateral, foram oncologia (26,3%), cardiologia (22,7%), neurocirurgia (15,1%) e oftalmologia (8,8%).

Durante 2021 regressaram a Cabo Verde 197 beneficiários com alta hospitalar e morreram 18, de acordo com o relatório do INPS, que suporta os custos destas evacuações, incluindo acompanhantes.

O ministro de Saúde de Cabo Verde, Arlindo do Rosário, reconheceu anteriormente que, apesar do “momento difícil” que os hospitais portugueses viveram durante a pandemia de Covid-19, Portugal “nunca fechou as portas” aos doentes cabo-verdianos do programa de evacuações médicas.

“Mesmo num momento difícil, nós sabemos a situação de Portugal, dos hospitais em Portugal [devido ao aumento de casos de covid-19]. Mas mesmo num momento difícil, Portugal nunca fechou as portas e mesmo assim nós continuamos com o programa de evacuações”, reconheceu o governante.

Arlindo do Rosário insistiu que é de “enaltecer o programa de cooperação entre Portugal e Cabo Verde, particularmente no setor da Saúde”, concretamente em áreas como as evacuações médicas ou pelo “apoio na assistência técnica e formativa” aos especialistas cabo-verdianos, permitindo que o país “ganhe progressivamente competências”.

Globalmente, foram realizadas 5.505 evacuações médicas em 2021 – internas e externas -, incluindo acompanhantes, com impacto direto no custo dos transportes e estadia, um aumento de 37,1%.

“Os acompanhantes são integrados por familiares e técnicos de saúde e representam 29% do total, correspondente a 1.597 beneficiários”, explica o INPS.

Das evacuações médicas realizadas, 5.169 foram deslocações internas, entre ilhas, (66,5%), enquanto 336 (incluindo 87 acompanhantes) foram para o exterior (Portugal).

Durante o ano de 2021 foram ainda efetuadas 459 evacuações médicas de “máxima urgência”, um aumento de 64,5% face ao ano anterior e que representam “forte impacto nos custos com o transporte, por exigirem na maior parte das vezes o recurso a afretamentos de aviões”.

Ortotraumatologia (391), oftalmologia (383), cardiologia (342), ginecologia (280), exames complementares (268) e cirurgia geral (247) foram as especialidades “com maior impacto” nas evacuações entre ilhas em 2021 em Cabo Verde.

Os custos com as evacuações médicas suportadas pela segurança social cabo-verdiana ascenderam a mais de 789,6 milhões de escudos (7,1 milhões de euros) em 2021, um aumento de 1,2% face a 2020.

LUSA/HN

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