Instituto do Porto lidera projeto de sete milhões de euros para intervir precocemente na Doença de Crohn

10 de Outubro 2022

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) lideram um projeto, financiado em sete milhões de euros, que visa prever, intervir precocemente e prevenir a Doença de Crohn, foi esta segunda-feira anunciado.

Em comunicado, o instituto revela que o projeto, intitulado “GlycanTrigger” e financiado pelo programa Horizonte Europa da Comissão Europeia, pretende encontrar respostas para várias hipóteses associadas à Doença de Crohn, como “o que causa a inflamação do intestino” e o que “acontece na mucosa intestinal”.

A Doença de Crohn é uma das principais doenças inflamatórias do intestino e afeta cerca de três milhões de pessoas na Europa. Em Portugal, estima-se que cerca de 15 a 20 mil pessoas sofram desta doença.

Citada no comunicado, a coordenadora do projeto, Salomé Pinho, esclarece que na Doença de Crohn “há evidencias da existência de uma fase pré-clínica”, na qual ainda não há sintomas e que se caracteriza por alterações imunológicas ao nível da mucosa intestinal.

Esta fase assintomática pode “durar anos”, observa a investigadora, acrescentando que no projeto vai ser proposta uma “abordagem completamente inovadora” para compreender a transição da saúde, isto é, de uma mucosa intestinal normal para a inflamação crónica do intestino.

“Trata-se de um projeto transformador cujos resultados serão traduzidos numa melhor compreensão dos mecanismos específicos que levam à inflamação intestinal e consequentemente à capacidade de prever e prevenir a doença”, salienta a investigadora, líder do grupo de investigação Immunology, Cancer & Glycomedicine do i3S.

Salomé Pinho esclarece ainda que, pela “primeira vez”, os investigadores vão estudar como é que as alterações na mucosa intestinal, em particular na camada protetora formada por açúcares que cobre toda a superfície do intestino, podem atuar como um “evento primário” ao desencadear a desregulação do microbioma intestinal e levar à ativação da resposta imunitária do intestino.

Ao longo dos próximos seis anos, os investigadores vão também estudar como é que as alterações que desencadeiam a Doença de Crohn podem ser detetadas no sangue, desenvolvendo um “novo biomarcador capaz de prever o início da inflamação intestinal anos antes de um diagnóstico”.

“Teremos novas ferramentas preditivas da doença e novas estratégias de intervenção precoce para prevenir a inflamação intestinal”, acrescenta a investigadora.

O projeto envolve nove parceiros europeus e norte-americanos, sendo que enquanto entidade coordenadora o i3S irá receber perto de 3,5 milhões de euros para desenvolver grande parte das análises laboratoriais e dos modelos experimentais (desde estudos celulares a modelos animais e análises em amostras de doentes).

Para tal, a equipa de investigadores vai recorrer a “tecnologias de ponta” em diferentes áreas, a par de análises detalhadas de amostras de doenças, na qual irá contar com a contribuição do serviço de gastroenterologia do Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP).

Para além do i3S, integram o projeto o Hospital da Luz, em Lisboa, Sorbonne University (França), Charité (Alemanha), Leiden University Medical Center (Países Baixos), Ichan School of Medicine at Mount Sinai (Estados Unidos da América), Ludger company – Oxford (Reino Unido), European Federation of Crohn’s and Ulcerative Colitis Associations (Bélgica) e Sociedade Portuguesa de Inovação (Portugal).

No projeto, uma associação europeia de doentes com Doença Inflamatória Intestinal vai garantir o envolvimento da sociedade civil e o impacto do projeto na melhoria da qualidade de vida dos doentes.

LUSA/HN

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