Cancro: Necessidade “cada vez maior” de cuidados personalizados e de conhecer a teranóstica

2 de Abril 2024

A teranóstica permite prever a eficácia do medicamento com base em exames prévios. Gracinda Costa refere que “ao expandir as aplicações clínicas para situações mais frequentes acaba por ser necessário falar mais sobre o tema - até porque a necessidade de expandirmos os cuidados personalizados começa a ser cada vez maior".

A GE HealthCare explica em comunicado que a medicina nuclear é a área médica que mais tem utilizado este conceito, e fá-lo há mais de 80 anos, recorrendo a medicamentos especiais que incorporam elementos radioativos (radiofármacos) e que se dirigem para determinado alvo no tumor, quer com intuito diagnóstico quer com intenção terapêutica.

“De forma simplificada, a Teranóstica – em inglês Theranostics, provém dos termos Therapeutic + Diagnostic – é uma prática de medicina personalizada, que consiste na utilização de compostos específicos de tumores, marcados com um isótopo para encontrar e diagnosticar a doença. Chamamos-lhe terapêutica alvo por essa razão – temos um alvo e, com este procedimento, conseguimos identificá-lo e monitorizá-lo ao longo do tempo. Se estes alvos estiverem presentes e forem visíveis, é utilizado um medicamento radioativo para tratar os tumores, que se dirige para esse mesmo alvo”, explica Gracinda Costa, diretora do Serviço de Medicina Nuclear da Unidade Local de Saúde de Coimbra.

“Ao conseguirmos identificar as células que contêm o referido alvo, conseguimos otimizar o tratamento – apenas avançamos com o mesmo se as células que queremos destruir apresentarem o alvo. Deste modo, também evitamos atingir os órgãos saudáveis que, à partida, expressam muito menos o alvo”, explica Gracinda Costa, acrescentando ainda que, “sendo a componente de diagnóstico da teranóstica um procedimento não invasivo – realizado por meio de exames PET/CT e SPECT/CT e não de biópsias, por exemplo – pode ser feito a qualquer momento, permitindo um acompanhamento e avaliação frequentes e regulares ao longo do tempo”.

Apesar de a teranóstica ter pouca visibilidade em Portugal, já é utilizada há várias décadas em tumores da tiroide e em tumores neuroendócrinos, por exemplo, que são relativamente raros. Porém, recentemente, foi aprovado um novo radiofármaco para o cancro da próstata avançado, que é um tumor bem mais frequente.

É provável que a teranóstica seja alargada a mais cancros num futuro próximo, já que se espera que muitos dos novos compostos teranósticos que estão a ser desenvolvidos entrem em ensaios clínicos.

Os principais fatores que estão a impulsionar o crescimento do mercado incluem o aumento da aplicação da medicina nuclear no diagnóstico e no tratamento. Existe uma necessidade crescente de um diagnóstico precoce e preciso e um número crescente de estudos de investigação relativos a radiofármacos para o tratamento e diagnóstico de múltiplas patologias.

Rui Costa, diretor-geral da GE HealthCare Portugal, afirma que “a GE Healthcare tem uma grande capacidade para apoiar o crescimento esperado no domínio da teranóstica, que vai desde a descoberta de novos biomarcadores até ao diagnóstico e monitorização do tratamento com tecnologias e soluções de imagiologia molecular”. “Essa é uma das nossas prioridades neste momento”, garante.

PR/HN

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