PSD/Açores pede que não sejam criados alarmismos na população sobre saúde

10 de Julho 2024

A bancada do PSD no parlamento dos Açores pediu hoje que não sejam criados alarmismos na população em matéria de saúde devido ao incêndio no hospital de Ponta Delgada, considerando que estão a ser dadas respostas.

“Temos dado as respostas. Está tudo preparado para acudir a quem necessita. Por isso, não é preciso os senhores [eleitos do PS] criarem alarmismo na população. Estão a ser dadas as respostas à população”, disse a deputada social-democrata Délia Melo no debate de urgência sobre saúde realizado hoje na Assembleia Legislativa Regional, na cidade da Horta, ilha do Faial, no segundo dia do plenário de julho.

No debate, que foi pedido pelo PS, a mesma deputada social-democrata referiu que o incêndio colocou “a nu as fragilidades e a grande degradação” das instalações do Hospital Divino Espírito Santo (HDES) de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, devido ao “desinvestimento que foi feito ao longo dos anos”.

“Temos agora a oportunidade de intervir. Aproveitemo-la. Faremos agora as intervenções necessárias, robustas”, assinalou.

Délia Melo também referiu que se desconhece aquilo que os eleitos socialistas querem para a maior unidade de saúde do arquipélago, desafiando-os a dizerem “exatamente o que pretendem”.

O deputado do BE, António Lima, defendeu que “é preciso reabrir em pleno o HDES para garantir o acesso à saúde”, dado que, neste momento, “está fortemente condicionado”.

“Modernizar e requalificar o HDES e toda a infraestrutura de saúde da região é essencial, mas é imperioso que o HDES volte a funcionar em pleno, rapidamente e de forma segura”, disse.

Para António Lima, importa ainda debater as causas do incêndio e o futuro do HDES a curto, médio e longo prazo.

“As fragilidades do sistema automático de deteção de incêndios (SADI) citadas no relatório por parte da própria empresa que o mantém são preocupantes. A necessidade de intervenção nesse sistema era conhecida. Constava de documentos internos do HDES que a tutela não poderia desconhecer”, alertou.

Já José Pacheco (Chega) admitiu que a saúde nos Açores “é caótica, é um caos”: “Não se resolve, não melhora, adia-se, remenda-se, mas, simplesmente, não se encontram soluções”.

O líder parlamentar do Chega disse que o PS, que esteve durante 24 anos no poder regional, também tem responsabilidades pelo estado em que o HDES se encontra: “Não vale a pena fingirem que não são [responsáveis]”.

Por sua vez, Nuno Barata (IL), disse temer que aquilo que aconteceu “tenha sido o corolário de um conjunto de medidas de prevenção, de manutenção de equipamentos, que não foi feito ao longo dos tempos”.

Pedro Neves (PAN) alertou que o partido não iria estar a esmiuçar relatórios sobre o incêndio e considerou que é preciso fazer uma “política de construção”.

Já a deputada Catarina Cabeceiras (CDS-PP) disse que após o incêndio no HDES, o foco do Governo Regional tem sido “dar a resposta que é necessária” a curto prazo e estabelecer “alguma normalidade” nos cuidados de saúde prestados aos açorianos.

João Mendonça (PPM) destacou a transparência com que a secretária regional da Saúde geriu a situação: “Desde o início foram fornecidas informações, claras e regulares à população sobre o progresso das investigações e as medidas tomadas”.

“Esta postura contrasta, fortemente, com a resposta dada pelo antigo Governo [Regional] do PS ao incêndio do Centro de Saúde de Ponta Delgada, ocorrido em 2014, onde faltou a comunicação e a transparência, uma situação que gerou incerteza e desconfiança entre os cidadãos”, lembrou.

A fechar o debate, a socialista Andreia Cardoso afirmou que o partido defende “a prestação de cuidados de saúde em segurança, com dignidade e em tempo útil”, e que sejam “alocados todos os recursos humanos, técnicos e financeiros” para a total recuperação do HDES.

O incêndio no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, que deflagrou em 04 de maio e cujos prejuízos estão estimados em 24 milhões de euros, obrigou à transferência de todos os doentes que estavam internados para vários locais dos Açores, Madeira e continente.

LUSA/HN

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