Ordem dos Médicos critica “incapacidade” do SNS em atrair e fixar jovens médicos

4 de Dezembro 2024

A Ordem dos Médicos (OM) criticou hoje "a incapacidade" do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de "atrair e fixar jovens médicos" face ao "elevado número de vagas" por preencher no mais recente concurso de formação da especialidade.

Segundo a OM, que cita em comunicado dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), “ficaram por escolher no concurso para o internato médico 307 vagas das 2.167 que foram disponibilizadas” e “áreas de especialização como medicina geral e familiar (168 vagas por ocupar), medicina interna (49), patologia clínica (32) ou saúde pública (15) destacam-se pela menor procura”.

“Estes números vêm, uma vez mais, reforçar a urgência de adotar medidas que valorizem a carreira médica, medidas estruturais que estimulem e atraiam os jovens médicos para o SNS”, assinala o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, citado no mesmo comunicado.

De acordo com Carlos Cortes, o sistema de formação e de atribuição de vagas tem de ser revisto, sob pena de haver “serviços condicionados na sua capacidade formativa de novos especialistas”, colocando “em causa a sustentabilidade e a capacidade de resposta básica do SNS”.

Segundo a OM, “a situação é particularmente preocupante no Alentejo, onde ficaram por preencher mais de 50% das vagas, mas também nos Açores (31,4%) e Madeira (21,6%), Lisboa e Vale do Tejo (18,5%) e a região Centro (18,1%)”.

Na segunda-feira, a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) advertiu que a repetição de concursos com perda de médicos para prosseguirem a formação especializada, em áreas essenciais, contribui para a indiferenciação dos cuidados de saúde prestados à população, defendendo medidas que “garantam uma formação de qualidade, condições de trabalho dignas e uma carreira atrativa”, para travar a saída de médicos internos e especialistas do SNS.

O concurso para a área de especialização do internato médico de 2024 terminou na segunda-feira, tendo sido ocupadas 1.851 vagas, correspondendo a 78,8% dos 2.349 candidatos que reuniam condições de ingresso.

A ACSS realçou hoje que em 36 das 48 especialidades foram ocupadas todas as vagas a concurso, tais como pediatria (103), anestesiologia (91), cirurgia geral (82), psiquiatria (79), ginecologia-obstetrícia (59), ortopedia (59) e cardiologia (37).

De acordo com a ACSS, o processo de escolha permitiu, ainda, colocar mais 457 médicos internos na formação especializada de medicina geral e familiar e mais 34 médicos internos na formação especializada de saúde pública.

LUSA/HN

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