Sociedade de Cardiologia contra exclusão de doenças cardiovasculares das prioridades

31 de Maio 2024

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) manifestou-se hoje contra e “eleição exclusiva” das áreas oncológica, obstétrica e da saúde mental como prioritárias, lembrando que as doenças cerebrocardiovasculares são a principal causa de morte e morbilidade em Portugal.

“As doenças cerebrocardiovasculares (DCV) e a doença oncológica são responsáveis por cerca de 50% da mortalidade global entre nós, mas as primeiras ocupam ainda a vanguarda”, escreve a SPC, num comunicado enviado a Lusa em que se manifesta desapontada com as opções tomadas pelo Governo no Plano de Emergência e Transformação da Saúde.

Apesar de saudar as iniciativas que visam melhorar a acessibilidade da população aos cuidados de saúde primários – o “canal natural” de acesso aos cuidados de saúde – a SPC lembra que algumas doenças cerebrocardiovasculares têm sobrevida inferior a algumas formas de cancro.

“Ignorar as DCV como causa número um de morbi-mortalidade em Portugal, responsáveis pela segunda maior causa de morte prematura, algumas com sobrevidas muito inferiores a algumas formas de cancro, e não as priorizar num plano com a intenção com que este foi desenhado é em nosso entender uma omissão”, considera.

Diz ainda que esta “omissão”, “mais do que lacuna estratégica, defrauda o compromisso que uma intervenção dita de emergência deve ter”.

A SPC indica que já existe uma “situação de emergência no campo da patologia cardiovascular” e manifesta preocupação com as “inequidades geográficas” no acesso a cuidados cardiológicos.

A sociedade aborda também a “embaraçosa assimetria entre o litoral e o interior” no acesso a estes cuidados, na existência de “listas de espera ocultas com mortalidades superiores a dois dígitos”, nas “dificuldades em garantir cirurgia cardíaca e procedimentos de intervenção percutânea em tempo clínico adequado” e sublinha que o acesso a programas de reabilitação cardíaca é limitado a menos de 10% dos doentes elegíveis.

“Não compreendemos a indisponibilidade no SNS de meios complementares de diagnóstico apropriados à prática clínica contemporânea, acentuando ainda mais a inequidade, com prejuízo dos economicamente mais vulneráveis”, aponta ainda.

Apesar de reconhecer que as áreas oncológica, obstétrica e da saúde mental são essenciais, lembra que, enquanto sociedade científica, tem como missão “contribuir para a melhoria da saúde cardiovascular da população portuguesa” e manifesta-se disponível para “contribuir para encontrar as soluções necessárias.

O Plano de Emergência e Transformação da Saúde está organizado em cinco eixos estratégicos prioritários: combate às listas de espera, ginecologia/obstetrícia, serviços de urgência, cuidados de saúde primários e saúde mental.

No total, apresenta 54 medidas para serem concretizadas de forma urgente, prioritária e estrutural ao longo do tempo.

Para as medidas urgentes o Governo prevê resultados até três meses, para as prioritárias resultados até ao final deste ano e, para as estruturantes, a médio e longo prazo.

No enquadramento do documento, o Governo recorda que o SNS enfrenta problemas profundos e estruturais que foram se acumulando ao longo dos últimos anos, resultando em constrangimentos no acesso à saúde por parte dos portugueses.

Segundo os dados do documento, mais de 266 mil pessoas aguardavam por uma cirurgia, 74 mil das quais acima do tempo máximo de resposta garantido, incluindo 9.374 doentes oncológicos. No que se refere às consultas, a lista de espera é de 891 mil utentes.

LUSA/HN

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