Vendedores de mercado em Luanda temem contágio devido a aglomerações diárias

Vendedores de mercado em Luanda temem contágio devido a aglomerações diárias

Localizado no município angolano de Viana, a 30 quilómetros do centro de Luanda, é o maior mercado abastecedor de produtos diversos a céu aberto e congrega diariamente milhares de pessoas, entre vendedores e compradores.

Quem tem neste mercado a sua fonte de rendimentos são sobretudo mulheres, que preenchem grande parte desta praça para o comércio de bens e serviços, e receiam o contágio pelo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19, porque muitos acorrem ao local sem uma máscara facial, de uso obrigatório em Angola.

O quase inexistente distanciamento físico constitui também preocupação para os vendedores que, mesmo tendo tomado a primeira dose da vacina contra a covid-19, dizem-se receosos, mas confiantes em Deus por ali permanecerem em busca do sustento.

A pequena chuva que cai sobre Luanda condiciona ainda mais a mobilidade de pessoas no interior do mercado, devido à lama e charcos de água nas ruas já estreitas, empurrando vendedores e compradores para um permanente contacto em busca de um local, embora estreito, para se movimentarem.

Já vacinada, mas sem qualquer máscara protetora, encontramos no mercado Celina Jaúca, que há dez anos comercializa roupa e lamenta não ter conseguido, desde as primeiras horas do dia, um kwanza (moeda angolana) sequer para adquirir uma máscara.

“Não trouxe a máscara porque esqueci em casa, e o cartão da vacina. Tenho mesmo medo do contágio, só que ainda não tenho valores para comprar máscara”, declarou à Lusa.

Celina Jaúca diz, no entanto, estar ciente da importância da vacina contra a covid-19, que “garante imunidade no organismo”, e da obrigatoriedade do uso da máscara facial, bem como do cartão e/ou certificado de vacina, desde 01 de novembro, particularmente em espaços fechados e instituições públicas.

Paula Isaac transformou um carro de mão em bancada móvel e ali expõe vários produtos alimentares que vende naquele mercado, da zona sul de Luanda, há quatro anos.

A vendedora de 31 anos deu conta que já tomou a primeira dose da vacina contra a Covid-19, admitindo também ter “medo de contágio” naquele mercado porque a doença “é invisível e não se consegue ver quem tem”.

No entanto, no contacto diário com os clientes, Paula Isaac não obriga à apresentação do cartão ou certificado de vacinas, como lhe impuseram, recentemente, quando acompanhou o filho ao hospital.

A importância da vacina contra a Covid-19 foi também realçada por Natália Ngueve, vendedora de legumes no Mercado do 30, que já com a primeira dose usa a máscara facial de forma irregular “por distração” e manifesta ainda assim “receios” pelo contágio.

“A doença só Deus é que tem de nos cuidar e vamos entregar tudo na mão de Deus (…). Por vezes uso máscara e outras vezes não, só mesmo por distração”, assumiu a comerciante, que disse não ser obrigatório os clientes exibirem o cartão de vacinas.

Vender óleo para o sustento dos filhos é um exercício que Esperança Arminda, 40 anos, faz há sete anos naquela feira, onde acorrem centenas de compradores em busca sobretudo de produtos do campo.

Esperança, que já tomou a primeira dose da vacina e garante que está prevenida, acredita que apesar das enchentes diárias no mercado as medidas de proteção individual ajudam a prevenir o contágio.

“Temos sim enchentes, mas contaminação não, porque estamos a prevenir com a máscara e já fomos vacinadas”, realçou.

As autoridades sanitárias angolanas instalaram naquele mercado um posto de vacinação contra a Covid-19 que regista grande adesão de vendedores, clientes e populares residentes nos arredores como constatou a Lusa no local.

Angola vive, há mais de um ano, uma situação de calamidade pública visando conter a propagação da Covid-19 e conta com circulação comunitária de novas variantes nas 18 províncias do país.

Até ao dia 18 de novembro tinham sido administradas contra a doença mais de 8 milhões de doses de vacinas.

LUSA/HN

Comissão Europeia prepara leis para atuar contra abusos e comércio desleal na União Europeia

Comissão Europeia prepara leis para atuar contra abusos e comércio desleal na União Europeia

A informação foi avançada pelo vice-presidente executivo da Comissão Europeia com a pasta do Comércio, Valdis Dombrovskis, que intervindo na iniciativa virtual “Dias da Indústria da UE” defendeu serem necessárias “medidas autónomas mais fortes para a União se defender e fazer valer os seus direitos”.

Na ocasião, o responsável contextualizou que na UE já existe “um regulamento de aplicação atualizado, um responsável pela aplicação do comércio e um mecanismo de rastreio do investimento direto estrangeiro”.

“E temos ainda mais medidas em preparação: faremos propostas legislativas sobre o rastreio dos subsídios estrangeiros no mercado único e os meus serviços [da Comissão Europeia] estão a trabalhar num novo instrumento contra a coerção que permitirá à UE agir rapidamente quando a nossa abertura for abusada”, anunciou Valdis Dombrovskis.

Em causa está a nova política comercial da UE, apresentada em meados deste mês, que visa tornar o espaço comunitário mais “aberto, sustentável e assertivo”, nomeadamente perante os principais parceiros comerciais, China e Estados Unidos.

De acordo com o responsável pela tutela, esta “abordagem mais assertiva ajudará a proteger as empresas europeias contra abusos e comércio desleal, tais como subsídios desleais ou transferências forçadas de tecnologia”.

“Trabalharemos com os nossos parceiros para modernizar o nosso livro de regras do comércio global e para reformar a Organização Mundial do Comércio”, adiantou Valdis Dombrovskis.

Esta renovada política comercial visa, então, cumprir os objetivos verdes e digitais, moldar as regras globais para uma globalização mais sustentável e mais justa e aumentar a capacidade da UE para prosseguir os seus interesses e fazer valer os seus direitos.

Na intervenção de hoje, Valdis Dombrovskis notou que as “fortes relações comerciais globais também ajudarão a UE a projetar a sua transição verde e digital e os seus valores subjacentes em todo o mundo”.

A UE tem uma forte rede de acordos comerciais, num total de 46 protocolos com 78 parceiros.

No espaço comunitário, perto de 35 milhões de empregos dependem do comércio.

Relacionando esta área com a atual crise gerada pela pandemia de Covid-19, Valdis Dombrovskis adiantou que “o comércio aberto ajudará as economias europeias a recuperar”, bem como a “garantir a prosperidade futura”.

“Esperamos que o crescimento seja retomado na primavera e que a economia da UE regresse aos níveis pré pandémicos em 2022, mais cedo do que anteriormente previsto”, referiu ainda numa alusão às recentes previsões macroeconómicas divulgadas pela Comissão Europeia.

Ainda assim, o responsável notou que, apesar de existem “motivos para um otimismo cauteloso”, a “incerteza é ainda elevada e existem riscos de queda”.

A iniciativa “Dias da Indústria da UE” é o maior evento sobre o setor ao nível europeu e decorreu à distância numa altura em que Portugal assume a liderança rotativa do Conselho.

LUSA/HN

Avanços e recuos das negociações sobre o ‘Brexit’

Avanços e recuos das negociações sobre o ‘Brexit’

Passados quatro anos desde o referendo que ditou a saída formal do Reino Unido da União Europeia (UE) em 31 de janeiro, o processo de divórcio só acentuou a relação conflituosa entre o Reino Unido e o bloco europeu após um “casamento” de 46 anos.

Nos últimos 11 meses as discussões centraram-se no modelo do futuro relacionamento, sobretudo económico, sendo o prémio a continuação do acesso mútuo aos mercados sem taxas aduaneiras nem quotas, estatuto que a UE nunca deu a qualquer outro país terceiro.

A estratégia do executivo do primeiro-ministro, Boris Johnson, foi sempre aumentar a pressão sobre Bruxelas para obter cedências, primeiro rejeitando uma extensão da transição, e portanto, das negociações, e depois criando vários momentos de tensão, como a proposta de legislação interna que violaria o direito internacional.

A Lei do Mercado Interno, destinada a regulamentar o comércio interno britânico fora das regras europeias, acabou por ser aprovada sem as cláusulas controversas que se iriam sobrepor a partes do Acordo de Saída da UE, em particular relativamente à Irlanda do Norte.

O Governo britânico também voltou à mesa depois de uma breve interrupção das negociações em outubro, mostrando que o interesse num acordo era maior do que a ameaça de avançar para uma solução “tipo australiana”, ou seja, sob as condições gerais da Organização Mundial do Comércio.

Pendentes continuam questões relacionadas com os apoios estatais e as medidas de controlo e de retaliação se a divergência regulatória do Reino Unido conferir uma vantagem competitiva às empresas britânicas que negoceiam no Mercado Único.

Na questão das pescas persistem lacunas nas quotas e espécies atribuídas aos barcos europeus, a área das águas a que teriam acesso e um período transitório   até à introdução de novas condições.

As interdições de viagem de países europeus ao Reino Unido nos últimos dias por causa da nova variante do SARS-Cov-2 contribuíram para uma tempestade perfeita de atrasos nos portos marítimos causados pelas restrições da pandemia Covid-19, aprovisionamento para o Natal e fim do período de transição pós-Brexit.

As imagens de filas de camiões bloqueados a caminho de Dover anteciparam as consequências previstas de uma ausência de acordo (‘no deal’), pelo que notícias de uma contraoferta pelo Reino Unido na segunda-feira reforçaram esperanças num entendimento.

Vários analistas estão convencidos de que, no final, um acordo será alcançado, tendo em conta que mais de 700 páginas já estão escritas.

Mujtaba Rahman, diretor na Europa da consultora Eurasia Group, acredita que o arrastar das negociações pode dar uma “vantagem tática” a Boris Johnson para “limitar ao mínimo o escrutínio do Parlamento de um acordo, de modo a não ser desmontado” pelos eurocéticos do próprio partido Conservador.

Um acordo de última hora coloca também pressão sobre o Partido Trabalhista, principal força da oposição, que prometeu votar “no interesse nacional” e vai querer evitar uma rotura caótica e onerosa com o principal parceiro económico.

A confirmar-se, Westminster deverá analisar o texto entre o Natal e o Ano Novo e condensar o processo legislativo em um ou dois dias, enquanto o Parlamento Europeu reservou 28 de dezembro para debater e aprovar o texto.

 As duas partes têm dito que 31 de dezembro é o único prazo que realmente interessa e Londres continua a recusar um prolongamento das negociações ou da transição, mas, neste processo cheio de reviravoltas e incertezas, nada parece ser impossível.

LUSA/HN

Câmara da Lousã prolonga isenção de taxas até final de 2021

Câmara da Lousã prolonga isenção de taxas até final de 2021

Em comunicado, a autarquia, no distrito de Coimbra, informa que a prorrogação das isenções foi aprovada por unanimidade em reunião do executivo realizada na quarta-feira.

Tomadas há alguns meses, para “dar a melhor resposta aos impactos da pandemia” da Covid-19, estas medidas “significam uma redução de receita da autarquia na ordem dos 30 mil euros”.

No âmbito de “um plano mais alargado”, outras medidas serão definidas pela Câmara Municipal, a fim de serem “lançadas durante os próximos meses”.

“No que se refere à isenção de taxas pela ocupação de terrados na feira semanal e de bancas no Mercado Municipal, a medida tem como objetivo apoiar os vendedores itinerantes e os pequenos produtores que desempenham um papel importante, nomeadamente nos desígnios da economia circular”, salienta a nota.

Já no caso das esplanadas, segundo o executivo presidido por Luís Antunes, “a medida tem como objetivo, para além de apoiar a recuperação e revitalização da economia local, aumentar a segurança de operadores e munícipes, permitindo que os operadores económicos possam privilegiar a utilização de espaços destinados aos clientes em áreas exteriores”.

“A criação dos novos espaços de esplanada carece de comunicação e validação prévia da autarquia, através de um procedimento extraordinário e simplificado, devendo os interessados efetuar o pedido através do ‘email’ balcao.unico@cm-lousa.pt, ou presencialmente neste serviço”, refere.

A autarquia adianta que “o alargamento dos espaços existentes ou a instalação de novas esplanadas deve assegurar, entre outras, as condições de segurança para os utilizadores, passagem de viaturas de emergência, bem como a circulação de peões, nomeadamente de pessoas com mobilidade condicionada”.

LUSA/HN

Vacina da Moderna provoca recordes em Wall Street do Dow e S&P500

Vacina da Moderna provoca recordes em Wall Street do Dow e S&P500

Os resultados definitivos da sessão indicam que aquele índice seletivo valorizou 1,60%, para os 29.950,44 pontos, limiar que excede o máximo registado em fevereiro.

Na mesma forma, o alargado S&P500 progrediu 1,16%, para as 3.626,91 unidades, e bateu o recorde que tinha fixado na passada sexta-feira.

Sem recorde, mas também em alta foi o comportamento do tecnológico Nasdaq, que ganhiu 0,80%, para os 11.924,13 pontos.

Para Art Hogan, da National Securities, “as boas notícias em torno das vacinas e dos tratamentos contra o vírus foram os motores principais” do mercado nas últimas semanas.

Na última segunda-feira, os laboratórios Pfizer e BioNtech afirmaram que a vacina que estavam a desenvolver em conjunto reduzia o risco de contrair a doença em 90%, o que fez subir a praça nova-iorquina.

Estes desenvolvimentos levam os investidores a esperar que “o fim da pandemia e um regresso à normalidade” estejam próximos, disse Hogan.

O título da Moderna valorizou cerca de 10%.

Entre os beneficiários desta onda de otimismo, os setores dependentes de uma reanimação da economia exibiram uma saúde de ferro, como a transportadora aérea United, que ganhou 5,16%, a empresa de cruzeiros Carnival (9,74%) ou o grupo de hotéis e casinos MGM Resorts International (2,36%).

Ao contrário, as empresas que têm beneficiado com o confinamento e da progressão do teletrabalho viram a cotação descer, à semelhança da Zoom, que perdeu 1,19%.

Mas, apesar do otimismo geral no mercado e da esperança na existência de uma vacina disponível em breve, alguns analistas mantêm-se prudentes.

“Ainda há muitos motivos de inquietação, quando os casos de infeção sobem e quando casa vez mais Estados (dos EUA) evocam a possibilidade de fechar as suas economias”, indicou J. J. Kinahan, da TD Ameritrade.

“Os confinamentos poderiam continuar a afetar o mercado e pesar nos resultados financeiros a curto prazo”, acrescentou.

Vários grupos da grande distribuição devem anunciar esta semana os seus resultados trimestrais, como Walmart, Target e Home Depot.

Este último anunciou hoje a aquisição em breve, por cerca de oito mil milhões de dólares (6,7 mil milhões de euros), do distribuidor HD Supply, que lhe vai permitir uma presença importante nos serviços pós-venda.

LUSA/HN