Surto em lar de Reguengos de Monsaraz pode já estar na comunidade

20 de Junho 2020

O surto de covid-19 detetado esta semana num lar de Reguengos de Monsaraz, que já registou 56 casos positivos, pode já estar instalado na comunidade, disse hoje em Évora o responsável da Autoridade Local de Saúde.

O foco detetado esta semana conta já com 56 testes positivos, de 40 utentes e 16 funcionários, segundo a última atualização da Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARS Alentejo), que aguarda ainda o resultado de 47 testes, entre os quais três que tiveram um primeiro resultado inconclusivo.

Em conferência de imprensa realizada hoje na sede da ARS Alentejo, Augusto Santana de Brito, a Autoridade Local de Saúde do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Alentejo Central, referiu que a investigação epidemiológica, “a decorrer”, já se estende a contactos de funcionários e utentes com pessoas de concelhos vizinhos de Reguengos de Monsaraz e apelou a cuidados redobrados por parte da população dessa região.

A testagem, de acordo com Santana de Brito, vai depender agora da investigação epidemiológica, mas estão já a ser tomadas diversas medidas de prevenção no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, onde o surto foi detetado.

“Foram canceladas todas as visitas, cessaram as atividades conjuntas, entre as quais as refeições, cessou a atividade da creche adjacente ao lar, por precaução, estão a ser criadas alas diferentes para os utentes que testaram positivo ou negativo e reforçaram-se as medidas de higienização da instituição”, elencou o responsável da Autoridade Local.

Com exceção de um único caso que ficou internado em enfermaria, no Hospital do Espírito Santo, em Évora, todos os utentes que testaram positivo encontram-se em residências de familiares ou na instituição, pois a autoridade local considera que “em utentes com esta idade pode ser contraproducente retirá-los” para outros locais.

“O Centro de Saúde está, neste momento, a avaliar todos os utentes no sentido de perceber quais possam precisar de cuidados diferenciados”, explicou o Presidente do Conselho Diretivo da ARS Alentejo, José Robalo.

Quanto aos 16 funcionários que testaram positivo, estes encontram-se em isolamento nas suas residências, pelo que os serviços do lar afetado vão ser reforçados com 15 técnicos especializados, cedidos pela Segurança Social, que vai assegurar, também, o fornecimento de equipamentos de proteção individual adequados.

José Robalo explicou ainda que teve conhecimento na quinta-feira de manhã de um utente do lar que tinha sido transportado para o serviço de urgência do hospital de Évora e que nessa tarde iniciaram “de imediato” os testes a todos os 105 funcionários e 83 utentes.

Apesar dos números “preocupantes” e das suspeitas de que a infeção possa estar já disseminada na comunidade local, a responsável da Autoridade Regional de Saúde Alentejo, Filomena Araújo, garantiu que a autoridade “estava preparada” para os testes e para a investigação epidemiológica e avançou que tem capacidade para, em caso de necessidade, efetuar entre 400 e 500 testes diários.

Por outro lado, apelou à responsabilidade civil da população no sentido de travar o surto epidemiológico que se alastra na região alentejana.

“O Alentejo tem sido considerado seguro e estamos em crer que é possível manter esta situação. É um esforço que todos temos de fazer. Se tiverem quaisquer sintomas suspeitos, não se desloquem ao local de trabalho, contactem a linha Saúde 24, não saiam da área de residência e evitem ao máximo contactos mais próximos com quaisquer familiares”, pediu Filomena Araújo.

Quanto à origem do foco, a responsável referiu que “ainda não foi possível perceber” e que isso será determinado, “se possível”, através da investigação epidemiológica.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 456 mil mortos e infetou mais de 8,5 milhões de pessoas em 96 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.527 pessoas das 38.464 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

LUSA/HN

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