Pandemia com impacto na qualidade dos ativos e liquidez da banca – Deloitte Angola

23 de Julho 2020

A qualidade dos ativos e a liquidez são duas áreas em que a banca deverá sentir de forma mais significativa o impacto da pandemia de covid-19, afirmou hoje o presidente da Deloitte Angola, José Barata.

“A pandemia tem estado a ter um impacto significativo a nível global e obviamente que Angola não está imune a estes impactos”, afirmou o responsável da consultora, à margem da apresentação do estudo A banca em análise.

“A qualidade dos ativos é colocada em causa, desde a dívida pública às próprias aplicações, podemos ter um aumento do risco dos devedores e isso terá um reflexo no crédito concedido”, estimou, sublinhando que “quando toda a economia sofre”, os bancos sofrem também.

Por outro lado, espera-se também mais liquidez dos bancos.

“Nas situações de pandemia, as populações têm uma apetência natural para ter maior liquidez consigo, têm tendência para que as suas poupanças estejam mais líquidas e isso impacta os balanços dos bancos de forma direta”, indicou José Barata.

Quanto à análise da Deloitte sobre a banca angolana em 2019, o responsável destacou que “houve um reforço das imparidades” por forma a reconhecer, nas demonstrações financeiras dos bancos, os riscos de créditos vencidos, bem como uma redução dos resultados líquidos e do volume de crédito, apesar do aumento dos depósitos, “que não foram aplicados em crédito, mas sim em dívida pública”.

No final do debate em que o estudo foi hoje apresentado, ficou clara, para José Barata, “a necessidade de os bancos incrementarem o crédito às famílias e às empresas”.

Para o presidente da comissão executiva do Banco Angolano de Investimento (BAI), Luís Lelis, um dos participantes na sessão, há disponibilidade para dar mais crédito, mas faltam bons projetos para serem apoiados.

“A banca tem sido criticada por só conceder crédito ao Governo, tragam-nos bons projetos”, desafiou.

O banqueiro sublinhou, por outro lado, que a pandemia veio trazer uma alteração profunda no paradigma de fazer negócios, obrigando a fortes investimentos na arquitetura de sistemas e cibersegurança, bem como na criação de condições técnicas e tecnologia para o regime de teletrabalho.

O professor da Nova SBE Jorge Braga de Macedo salientou, na sua intervenção, que a pandemia ameaça a liberdade financeira e de circulação e coloca riscos operacionais, de liquidez e crédito e solvabilidade à banca.

HN/NR/LUSA

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