Indonésia aguarda “luz verde” para vacina do principal órgão clerical muçulmano

7 de Dezembro 2020

O principal órgão clerical muçulmano na Indonésia deverá em breve emitir uma certificação religiosa específica para a vacina experimental contra a doença Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech, referiram esta segunda-feira as autoridades locais.

Esta certificação específica de cariz religioso [certificação halal] será um passo significativo nos esforços para a imunização da população da Indonésia, o país muçulmano mais populoso do mundo, caso o uso da vacina do laboratório Sinovac Biotech, a Coronavac, seja aprovado pelas entidades reguladoras sanitárias competentes.

“Um estudo da Agência de Garantia de Produtos Halal do Conselho Indonésio de Ulemá [principal autoridade islâmica da Indonésia] e do Instituto de Avaliação de Alimentos, Medicamentos e Cosméticos foi concluído e submetido ao conselho para a elaboração de uma certificação fatwa e halal [que atestam que a vacina é apropriada para o consumo pela fé muçulmana]”, afirmou o ministro do Desenvolvimento Humano e Cultura indonésio, Muhadjir Effendy, numa conferência de imprensa.

Mais de um milhão de doses da vacina experimental Coronavac chegaram à Indonésia no domingo à noite.

O Governo indonésio ainda não definiu o calendário para o início da distribuição e da administração das doses.

O ministro da Saúde indonésio, Terawan Agus Putranto, afirmou hoje que esta vacina experimental precisa ainda de completar com sucesso a fase III dos ensaios clínicos antes de começar a ser distribuída naquele país.

“O Governo irá disponibilizar uma vacina que seja comprovadamente segura e que passe nos testes clínicos de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS)”, frisou Terawan Agus Putranto.

Um especialista da Associação de Especialistas em Saúde Pública indonésia, citado pela agência norte-americana Associated Press (AP), disse hoje que as cerca de 1,2 milhões de doses que chegaram ao país só são suficientes para abranger um grupo inicial de 600 mil pessoas, uma vez que esta vacina em questão se administra com duas doses.

A Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo, com mais de 250 milhões de habitantes.

“O Governo deve garantir que existem (vacinas) em número suficiente para a distribuição em todo o país”, referiu o especialista Hermawan Saputra, acrescentando que, caso a Coronavac conclua com sucesso a fase III dos ensaios clínicos, os programas de imunização deverão começar em meados do próximo ano no país.

O Governo da Indonésia anunciou que intenciona utilizar vacinas de outros fabricantes, num esforço para a imunização deste país com uma grande densidade populacional.

Até agora, a vacina do laboratório chinês Sinovac Biotech foi a única que chegou ao território indonésio.

De acordo com os dados hoje avançados pelo Ministério da Saúde local, a Indonésia diagnosticou 5.754 novos casos da doença Covid-19, elevando o número total de infeções pelo novo coronavírus para 581.550, incluindo 17.867 mortes, o valor mais alto na região do Sudeste Asiático.

A pandemia da doença Covid-19 já provocou pelo menos 1.535.987 mortos resultantes de mais de 67 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus (SARS-Cov-2) detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

LUSA/HN

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