Marta Temido admite que primeiro desafio da vacinação será gerir “escassez” de vacinas

11 de Dezembro 2020

A ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou esta sexta-feira que “o primeiro desafio” na administração da vacina contra a Covid-19 vai ser numa primeira fase gerir “alguma escassez” de vacinas.

“Sabemos desde há longos meses que mesmo que tivéssemos uma vacina disponível ela seria sempre num primeiro momento escassa e que o desafio que se colocava era exatamente o de ter uma vacina em quantidades suficientes para a população, designadamente para a população europeia”, afirmou Marta Temido na conferência de imprensa sobre a situação da Covid-19 em Portugal.

Segundo a ministra, esse desafio da disponibilidade de doses de vacina vem sendo sublinhado “há muito tempo” pela Comissão Europeia.

Nesse sentido, a população tem que “ser paciente” e sobretudo perceber que há passos que não podem ser subestimados nem desvalorizados, designadamente as reuniões técnicas de Agência Europeia do Medicamento que se vão realizar este mês e em janeiro para garantir que todas as vacinas serão “seguras, eficazes e de qualidade”.

“Não nos interessa apenas ser os primeiros a ter a vacina interessa-nos ter vacinas de qualidade, seguras e efetivas”, sublinhou Marta Temido.

Relativamente às doses contratadas de vacina contra a Covid-19, a ministra adiantou que há trabalho que está a ser realizado e que não há “ainda números fechados” sobre a quantidade que vai ser entregue a Portugal na primeira fase.

Questionada sobre se já foram dadas orientações aos centros de saúde de como se devem organizar para a vacinação e se vão ser contratados mais profissionais de saúde, Marta Temido adiantou que estão “a fazer a articulação de meios humanos e, eventualmente, a considerar o reforço não só por profissionais próprios, mas se for necessário por profissionais de outros setores e até voluntários”.

Lembrou que o plano inicial passa pela utilização da rede de centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde para a primeira fase da vacinação, em que o desafio será o facto de haver “alguma escassez de vacinas”.

Os centros de saúde estão habituados a realizar a vacinação e onde há “profissionais que estão absolutamente habilitados, preparados e treinados e têm respondido bem ao longo dos muitos anos de Programa Nacional de Vacinação”, defendeu.

“Se tudo correr como planeado e se tudo correr bem, seguir-se-á um momento em que teremos uma muito maior quantidade de doses de vacinas e aí o desafio será o da celeridade da administração e de uma vacinação mais massiva”, declarou.

Nesta altura, poderá considerar-se recorrer a mais pontos de vacinação, inclusivamente, pontos de vacinação comunitários, avançou.

Sobre as reações adversas da vacina, Marta Temido disse que têm acompanhado o tema “com muita prudência”.

“Evidentemente que sabemos que são aspetos que poderão verificar-se e é importante que sejam tratados com transparência e sejam acompanhados clinicamente no sentido de prevenir repetições e Portugal está a fazê-lo também”, assegurou.

A vacina contra a Covid-19, que deverá chegar a Portugal já em janeiro, será universal, gratuita e facultativa, e será disponibilizada à população de acordo com as características aprovadas pela Agência Europeia do Medicamento.

Portugal contabiliza pelo menos 5.373 mortos associados à Covid-19 em 340.287 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

LUSA/HN

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