Medicamentos biossimilares permitiram poupar 140 milhões de euros ao SNS em 10 anos

18 de Maio 2024

Os medicamentos biossimilares, fármacos biológicos não protegidos por patente, permitiram poupar numa década mais de 140 milhões de euros ao Estado, mas segundo a Associação de Medicamentos Genéricos e Biossimilares, o seu uso permanece aquém do “pleno potencial”.

Na véspera de se assinalar o Dia Mundial da Doença Inflamatória do Intestino, a Associação de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (Apogen) realça “o percurso favorável dos medicamentos biossimilares nesta patologia e noutras áreas, especialmente no maior acesso terapêutico e na sustentabilidade dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), apesar do pleno potencial continuar aquém”.

Presentes em Portugal desde 2008 (em 2006 na Europa) existem atualmente 18 biossimilares em comercialização, que “são uma alternativa terapêutica, mais custo-efetiva” que garante que mais doentes sejam tratados.

“Até 2022 os medicamentos biossimilares permitiram um aumento da acessibilidade superior a 46%. No caso das doenças inflamatórias do intestino”, que incluem a doença de Crohn e a colite ulcerosa, as moléculas usadas no seu tratamento aumentaram a acessibilidade em 154% e permitiram que mais 2.200 doentes fossem tratados entre 2018 e 2021.

Apesar deste aumento, o relatório de monitorização do consumo de medicamentos em meio hospitalar da autoridade nacional do medicamento (Infarmed) aponta que a adoção destes medicamentos está estagnada desde maio de 2022.

A associação, presidida por Maria do Carmo Neves, reforça em comunicado que os biossimilares (medicamentos desenvolvidos após a patente do produto biológico ter expirado) já são amplamente usados em outras patologias autoimunes e crónicas, nomeadamente na diabetes, na oncologia, nas perturbações do crescimento ou na psoríase, “tendo demonstrado uma elevada qualidade, eficácia e segurança”.

Na Europa, desde 2006 proporcionaram 5,8 mil milhões de dias de tratamento e representam uma oportunidade crescente para os doentes porque mais de 110 medicamentos biológicos irão perder a patente até 2032.

Segundo a associação, a Europa é líder na utilização dos biossimilares, representando 52% do mercado global. Em 2028 representarão mais de 50% dos medicamentos não protegidos por patente.

Em 10 anos, em Portugal os medicamentos biossimilares libertaram mais de 140 milhões de euros para o Estado. A nível europeu, a adoção destes fármacos já permitiu libertar mais de 50 mil milhões de euros.

“Só em 2023, os recursos libertados com estas moléculas biológicas permitiram ultrapassar os 10 mil milhões de euros”, sublinha a Apogen.

Apesar de existir uma evolução favorável com o aumento do conhecimento sobre estes medicamentos, refletida através da realização de ações conjuntas com o regulador, Maria do Carmo Neves considera que “em Portugal continuam a existir desafios” na sua utilização, “em particular as dúvidas que limitam a confiança dos prescritores, impedindo a maior adoção destas tecnologias de saúde no SNS”.

Maria do Carmo Neves defende que se deve continuar a apostar no “trabalho de divulgação, formação, esclarecimento e sobretudo nos sistemas eletrónicos de prescrição garantir que existe informação de apoio ao prescritor”,

“Algumas das soluções passam por fomentar uma melhor gestão, comunicação e educação sobre estes fármacos junto dos profissionais de saúde e dos utentes, de modo a gerar mais confiança e facilitar a sua utilização”, salienta a responsável.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Futuro da farmácia em Portugal: consumidores apostam em serviços clínicos e equilíbrio entre digital e humano

Um estudo da consultora 2Logical para a Inizio engage, realizado em Fevereiro de 2026 com 300 residentes em Portugal, revela que 94% dos utentes classificam a experiência actual nas farmácias como muito positiva. Apesar da satisfação, 37% acreditam que o papel destes estabelecimentos será ainda mais importante nos próximos cinco anos, enquanto 60% esperam que se mantenha igualmente relevante

Mortes por enfarte aumentam entre jovens adultos nos EUA, sobretudo em mulheres

A taxa de mortalidade por enfarte agudo do miocárdio voltou a crescer entre a população com menos de 55 anos nos Estados Unidos, depois de anos de aparente estabilização ou descida. A conclusão é de um estudo publicado esta quinta-feira no Journal of the American Heart Association, que analisou perto de um milhão de primeiros internamentos hospitalares entre 2011 e 2022. As mulheres surgem como o grupo mais vulnerável, com taxas de mortalidade superiores às dos homens e menor recurso a procedimentos invasivos para diagnóstico e tratamento.

Raquel Abrantes: “Standards GS1 podem gerar poupanças de 790 milhões de euros na saúde em Portugal”

Raquel Abrantes, Diretora de Qualidade e Standards da GS1 Portugal, analisa a maturidade do setor da saúde na adoção da identificação única. Em entrevista exclusiva, aborda os desafios da interoperabilidade, o impacto da bula digital na experiência do utente e como a normalização de dados está a gerar ganhos de eficiência e a reforçar a segurança dos doentes em Portugal

SPG e Fundação do Futebol lançam campanha nacional contra o cancro colorretal

A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) lançou uma campanha nacional de consciencialização no âmbito do Mês da Prevenção para o Cancro Colorretal, que se celebra em março. A iniciativa, que tem como lema “Há atrasos que custam a ultrapassar, outros não dão uma segunda oportunidade”, conta com o apoio da Fundação do Futebol – Liga Portugal, que irá promover a campanha durante os jogos da 26.ª jornada da Liga Betclic e Liga Meu Super.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights