África do Sul retira dois milhões de vacinas Johnson & Johnson

13 de Junho 2021

A África do Sul anunciou hoje que vai retirar dois milhões de vacinas contra a covid-19 da Johnson & Johnson (J&J), devido a "um problema de não conformidade" durante o seu fabrico nos Estados Unidos.

A agência sul-africana do medicamento (Sahpra) afirmou numa declaração que tinha “tomado a decisão de não distribuir vacinas produzidas a partir de lotes de componentes impróprios”.

As autoridades americanas anunciaram na sexta-feira que “vários lotes”, ou seja, vários milhões de doses, fabricados em Baltimore nos Estados Unidos, e cuja produção teve de ser interrompida há várias semanas, terão de ser deitados fora. Os testes tinham revelado que componentes da vacina britânica AstraZeneca, fabricada na mesma fábrica, tinham sido erradamente misturados com a fórmula J&J.

A ministra da saúde da África do Sul, Mmamoloko Kubayi-Ngubane, disse no sábado que os lotes em questão eram os que estão atualmente armazenados num laboratório de alta tecnologia em Port Elizabeth.

A África do Sul está a pressionar para haver uma suspensão temporária das patentes das vacinas covid-19, a fim de permitir aos países produzir versões genéricas de baixo custo.

“Se queremos salvar vidas e acabar com a pandemia, precisamos de expandir e diversificar a produção”, disse o Presidente Cyril Ramaphosa à cimeira do G7 em Inglaterra, no sábado.

A África do Sul conta com a entrega de 31 milhões de doses da vacina de dose única J&J para vacinar a sua população de 59 milhões. O país conseguiu obter 30 milhões de doses da Pfizer, mas a vacina de duas doses requer um armazenamento a temperaturas muito baixas.

Um novo carregamento de 300.000 vacinas J&J “aprovadas” deverá chegar na terça-feira, disseram as autoridades sul-africanas.

O Governo já tinha suspendido temporariamente a vacina em abril, após casos de coágulos de sangue nos Estados Unidos. Em fevereiro, também retirou 1,5 milhões de doses da AstraZeneca após dúvidas sobre a sua eficácia contra a variante Beta local.

A África do Sul está atrasada em relação ao resto do mundo, tendo vacinado pouco mais de 1% da sua população. A África do Sul é oficialmente o país africano mais afetado pela covid-19, com mais de 1,7 milhões de casos, incluindo quase 58.000 mortes. Mais de 9.300 novas infeções foram registadas nas últimas 24 horas.

LUSA/HN

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