Cáritas Portuguesa doa 20 mil euros a congénere ucraniana

25 de Fevereiro 2022

A Cáritas Portuguesa vai doar 20 mil euros, através do seu Fundo de Emergências Internacionais, à Cáritas da Ucrânia, para contribuir para que as pessoas sejam “cuidadas e protegidas”, afirma um comunicado da instituição.

O anúncio acontece na sequência do ataque da Rússia à Ucrânia, na madrugada de hoje, quando os russos lançaram uma ofensiva militar que já provocou dezenas de mortos, segundo as autoridades ucranianas.

A Cáritas manifesta-se “profundamente preocupada com o impacto desta intervenção na população local, que desde há oito anos vive os efeitos de uma crise que já fez 14.000 vítimas mortais e desalojou 1,5 milhão de pessoas”, números aos quais se somam as consequências da pandemia de covid-19.

“A Cáritas Portuguesa, através do seu Fundo de Emergências Internacionais, vai comprometer-se com uma doação de 20 mil euros, diretamente para a Cáritas da Ucrânia, para contribuir que as pessoas sejam cuidadas e protegidas”, lê-se no comunicado.

Citada em comunicado, a presidente da Cáritas Portuguesa, Rita Valadas, diz que a doação pretende garantir à congénere ucraniana “condições de continuar o seu trabalho junto das pessoas afetadas através da distribuição de alimentos, água potável, abrigo seguro e kits de higiene”, para além de pretender ser um sinal de solidariedade para com o povo ucraniano.

“Já desde o final do verão de 2021, particularmente no leste da Ucrânia, que a Cáritas deste país antecipou a resposta humanitária para uma possível escalada do conflito. Foram criadas equipas de profissionais e voluntários para aumentar a sua capacidade de responder às necessidades das comunidades locais e fortalecer a sua rede. Foram também instalados centros de acolhimento temporário para garantir assistência aos deslocados internos, cujo número se prevê que possa aumentar consideravelmente com o início desta intervenção militar”, refere a Cáritas Portuguesa em comunicado.

O documento recorda também números que há dias tinham sido sublinhados pela agência das Nações Unidas que coordena a assistência humanitária, que adiantava necessidades de 168 milhões de euros em ajuda humanitária para o leste da Ucrânia, ainda antes da invasão russa.

De acordo com um relatório da agência das Nações Unidas que coordena a ajuda humanitária, o universo de pessoas vulneráveis a necessitar de ajuda humanitária é de 2,9 milhões de pessoas, mas o plano de ação delineado pelas organizações humanitárias pretende chegar a 1,8 milhões dos mais vulneráveis.

Nas regiões de Donetsk e Lugansk, cerca de 750 mil pessoas visadas pelo plano humanitário residem em zonas não controladas pelo Governo e mais de um milhão em zonas controladas pelo Governo.

“Entre os mais vulneráveis estão os mais idosos, que representam 32% do total de pessoas sinalizadas para receber assistência em 2022, assim como as crianças de famílias vulneráveis, que representam 14%. O esforço humanitário também pretende responder a necessidades críticas de 225 mil pessoas com deficiências”, lê-se no relatório.

“Para a Cáritas é indispensável garantir que todas as pessoas tenham acesso à assistência humanitária, particularmente os mais vulneráveis e que a liberdade de movimento seja garantida para aqueles que procuram fugir do conflito”, sublinha a organização.

A Rússia lançou hoje de madrugada uma ofensiva militar em território da Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que as autoridades ucranianas dizem ter provocado dezenas de mortos nas primeiras horas.

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que o ataque responde a um “pedido de ajuda das autoridades das repúblicas de Donetsk e Lugansk”, no leste da Ucrânia, cuja independência reconheceu na segunda-feira, e visa a “desmilitarização e desnazificação” do país vizinho.

O ataque foi de imediato condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), União Europeia (UE) e Conselho de Segurança da ONU.

LUSA/HN

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