Médicos do Centro alertam que carga burocrática afasta clínicos da medicina geral

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) alertou hoje que a crescente carga burocrática afasta cada vez mais os médicos de medicina geral e familiar da sua atividade clínica.

Em comunicado enviado hoje à agência Lusa, a estrutura liderada por Carlos Cortes salienta para os efeitos nefastos da “crescente influência das tarefas não clínicas na atividade diária dos médicos de família”.

A leitura do dirigente baseia-se nos resultados preliminares do inquérito online “Médicos de família da Região Centro – Que realidade?”.

Segundo Carlos Cortes, é possível verificar que “69% dos médicos referem que dedicam até 20% em média do seu horário semanal em tarefas não clínicas (administrativas, logísticas ou outras) que deveriam ser desempenhadas por outros profissionais”.

“Os médicos de família devem dedicar-se ao que realmente importa na sua atividade médica: consultas, vigilância de grupos de risco, controlo de doenças crónicas, planeamento familiar, entre outros”, defendeu.

O presidente da SRCOM entende que a “relação médico-doente deve ser a prioridade”, considerando que “a Medicina Geral e Familiar é um instrumento fundamental da medicina preventiva e que vai ao encontro dos seus doentes e dos seus cuidadores”.

“A carga administrativa e burocrática colocada sobre os médicos de família e que deveria ser feita por outros profissionais qualificados, como assistentes técnicos (administrativos e secretários clínicos), compromete os cuidados de saúde e é um enorme entrave à eficiência das unidades de saúde”, salientou.

No início da semana, Carlos Cortes tinha também alertado para a possibilidade de a curto prazo existirem cerca de 400 mil utentes sem médico de família na região.

“Na semana passada expressámos a nossa preocupação por existirem 160 mil utentes na região Centro sem médico de família, mas o alerta é de que, a muito breve prazo, serão muito mais do que isso, porque existem neste momento 200 mil utentes seguidos por médicos de família com mais de 65 anos”, disse o dirigente.

De acordo com as suas estimativas, a região Centro tem atualmente uma carência na ordem dos 90 médicos, mas “muito brevemente, nos próximos anos, poderemos assistir a uma carência de mais de 300 médicos de família”.

Quando se comemoram 40 anos da Medicina Geral e Familiar, a SRCOM encontra-se a assinalar a Semana do Médico de Família, sob o lema “Valorizar quem cuida de todos”, com visitas a centros de saúde da região e tertúlias online sobre assuntos de interesse para o setor.

O responsável máximo desta estrutura antevê “um terramoto na demografia médica” em Portugal e acusou a Ministra da Saúde de continuar “irresponsavelmente sem planear os recursos humanos que são necessários para o país”.

Por último, Carlos Cortes desafiou a ministra Marta Temido a “deixar os médicos de família serem médicos de família!”.

LUSA/HN

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