OMS alerta que são precisos novos medicamentos para doenças fúngicas invasivas

1 de Abril 2025

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje para a necessidade de desenvolvimento de novos medicamentos antifúngicos, alegando que, desde 2014, apenas foram aprovados quatro fármacos para doenças fúngicas invasivas que matam anualmente 3,8 milhões de pessoas.

O alerta consta de dois relatórios da OMS, hoje divulgados, que concluem que, embora estejam disponíveis alguns medicamentos antifúngicos no mercado, os “médicos ainda enfrentam desafios significativos no tratamento de infeções fúngicas invasivas com risco de vida, com um leque limitado de opções”.

Perante isso, a agência das Nações Unidas avisa para a “necessidade urgente” de um reforço do investimento em investigação e desenvolvimento de antifúngicos de largo e estreito espetro com o objetivo de disponibilizar aos doentes melhores terapêuticas e diagnósticos.

A OMS salienta também que são necessários estudos de eficácia que permitam definir melhor qual o tratamento adequado em crianças com doenças fúngicas invasivas (DFI).

De acordo com os relatórios, nos últimos 10 anos, apenas quatro novos medicamentos antifúngicos foram aprovados pelas agências dos Estados Unidos, da Europa e da China, estando, atualmente, em fases diferentes de desenvolvimento clínico e de testes nove fármacos para combater agentes patogénicos fúngicos prioritários.

Tendo em conta que apenas dois desses nove medicamentos candidatos estão na fase três de desenvolvimento, a OMS espera que, na próxima década, sejam atribuídas poucas autorizações de introdução no mercado de novos fármacos.

“No geral, os agentes antifúngicos em desenvolvimento clínico, combinados com os aprovados na última década, são ainda insuficientes, quando se consideram os principais alvos e a inovação necessária, para abordar os agentes patogénicos fúngicos terapeuticamente desafiantes identificados pela OMS”, salientam ainda os documentos.

As patologias fúngicas variam desde infeções comuns localizadas e superficiais até doenças fúngicas invasivas graves, que têm uma incidência mais baixa, mas que estão associadas a taxas de mortalidade elevadas, acima dos 50% em populações de risco.

A doença invasiva desenvolve-se predominantemente em pessoas imunocomprometidas e inclui, entre outras, a meningoencefalite e a criptococose pulmonar.

Entre os casos mais comuns de DFI, encontra-se a candidíase (infeção fúngica vaginal), que, nos casos mais graves, pode resultar na insuficiência de múltiplos órgãos e choque sético.

A OMS estima que existam mais de 6,5 milhões de infeções fúngicas invasivas e 3,8 milhões de mortes por DFI em todo o mundo a cada ano, uma mortalidade superior à prevista anteriormente pela organização, que variava entre os 1,5 a dois milhões de óbitos anuais.

“A cada ano cerca de 1,5 milhões de pessoas têm candidíase invasiva ou infeção da corrente sanguínea” devido a esta doença, adiantam os relatórios, que deixam também um alerta para a crescente resistência fúngica aos medicamentos.

“A resistência aos medicamentos antifúngicos tem vindo a aumentar devido à crescente utilização de agentes antifúngicos entre as populações imunocomprometidas, que estão a expandir-se, e à utilização generalizada de fungicidas na agricultura e às alterações ambientais globais”, realça a OMS.

lusa/HN

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