MSF reforçam capacidade hospitalar em província mais afetada pelo surto de cólera em Moçambique

MSF reforçam capacidade hospitalar em província mais afetada pelo surto de cólera em Moçambique

“As equipas dos MSF estão a trabalhar para aumentar para 50 camas a capacidade do Centro de Tratamento de Cólera (CTC) do Hospital Provincial de Lichinga (Niassa)”, refere a organização numa nota.

As atividades dos MSF incidem sobre o norte de Moçambique, principalmente na província de Niassa, uma das mais afetadas pelo surto, com quase 1400 casos da doença registados desde setembro do ano passado.

Além de reforçar a capacidade do principal hospital da província, a organização está a disseminar mensagens de promoção de saúde e a distribuir produtos de higiene para travar o surto.

“As equipas dos MSF estão também a trabalhar numa estratégia de base comunitária para reforçar as medidas de higiene e detetar casos suspeitos de diarreia desde uma fase inicial”, acrescenta-se no documento.

Surtos de cólera e outras doenças diarreicas surgem sazonalmente em Moçambique durante a época das chuvas, de outubro a abril, devido à falta de saneamento básico.

O Ministério da Saúde anunciou que o número de mortes por cólera no país subiu para 16 na atual época chuvosa, de um total de 1.376 casos localizados sobretudo na província nortenha do Niassa.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, manifestou-se, no início do mês, preocupado com o surto, pedindo para que se “redobrem os cuidados”.

A cólera e outras doenças diarreicas são tratáveis, mas podem provocar a morte por desidratação se não forem prontamente combatidas.

LUSA/HN

São Tomé e Príncipe avalia vários métodos de combate à malária no país

São Tomé e Príncipe avalia vários métodos de combate à malária no país

Entre agosto de 2021 e março de 2022, a organização ZzappMalaria realizou um projeto-piloto “bem-sucedido” nos distritos de Água Grande, Mé-Zochi e Lobata, que consistiu na redução significativa do número dos mosquitos que transmitem a malária, com o objetivo final de reduzir a doença, até à sua eliminação, em três anos.

“Ao fim da fase piloto, em março de 2022, a ZzappMalaria havia reduzido o número de mosquitos a metade e em 53% as chances de infeção por paludismo” (malária), garante a organização, sediada em Israel.

Fernando Bragança, coordenador de operações da ZzappMalaria em São Tomé e Príncipe, disse à agência Lusa que a ideia acordada era estender o combate da doença ao resto do país, o qual se apoia num aplicativo inovador que visa eliminar o paludismo através de inteligência artificial.

Os mosquitos, nomeadamente as larvas depositadas nas águas paradas, em grande parte acumuladas pela chuva abundante naquele país africano, são destruídos nestas ações da ZappMalaria, mas existem outros métodos que estão a ser equacionados para esta luta, como a introdução de mosquitos geneticamente modificados, após estudo dos insetos que existem em São Tomé e Príncipe.

Segundo Fernando Bragança, o anterior Governo não avançou com a continuidade e expansão do projeto porque o Centro Nacional de Endemias (CNE) nunca foi favorável ao projeto da ZappMalaria.

E o atual executivo – que tomou posse a 14 de novembro de 2022 – ainda não se pronunciou, apesar de o responsável da organização garantir que já entregou toda a informação às autoridades.

A empresa considera que este silêncio visa “permitir um estudo sobre o paludismo, financiado pela Universidade da Califórnia, a decorrer na ilha, com o objetivo de libertar mosquitos geneticamente modificados em algum momento no futuro”.

“Que fique claro: a ZzappMalaria não está contra nenhum estudo ou investigação. Acredito que podemos trabalhar em conjunto, porque o território é suficientemente grande para não eliminarmos todos os mosquitos [larvas]”, disse.

Contactado pela Lusa, o diretor do CNE, Carlos Bandeira, mostrou-se favorável a uma complementaridade dos dois projetos e negou qualquer decisão negativa da parte do organismo que dirige.

“Houve mudança do Governo e, naturalmente, todo o processo se atrasou”, afirmou.

E acrescentou: “A luta contra o paludismo não é só uma ação, mas integrada, envolvendo pulverização nas casas, larvicidas nas águas paradas, redes”.

Sobre a introdução de mosquitos geneticamente modificados, Carlos Bandeira disse que tal dependerá de uma decisão política e daquilo que a nação decidir.

Mas há uma ideia de que “é possível ter os dois projetos a trabalhar”.

Contactado pela Lusa, o ministro da Saúde, Trabalho e Assuntos Sociais de São Tomé e Príncipe, Celsio Junqueira, disse que nada está ainda decidido e que os vários métodos de combate à malária, entre os quais o da ZzappMalaria, estão a ser avaliados.

“Queremos uma decisão mais sólida e não podemos decidir à pressa. O Governo anterior teve muito tempo para decidir e não o fez e agora não nos podem pedir uma decisão em semanas”, adiantou.

Para Celsio Junqueira, numa coisa todos estão de acordo: “É preciso acabar com a malária e cumprir as metas de acabar com a malária até 2025”.

Para já, o ministro garante que o país continua a lutar contra a doença, seja através de meios governamentais, através do Fundo Global – o maior investidor nesta área – e de uma missão técnica da China.

Sem avançar datas para a decisão, o governante disse que gostaria de ver a decisão tomada até ao final do primeiro semestre do ano e que, entretanto, acontecerão mudanças nesta área, como a substituição do coordenador do programa da luta contra o paludismo.

Entretanto, a ZzappMalaria alertou que, “com o fim do projeto-piloto, os números de casos de paludismo continuam a aumentar por toda a ilha” e que “casos de dengue, uma outra doença transmitida por mosquitos, surgiram pela primeira vez”.

No ano passado, os dados do Programa Nacional de Luta Contra o Paludismo são-tomense apontavam para o “incremento acelerado de casos de paludismo desde finais de 2021”, sendo que entre janeiro e maio de 2022 houve “um registo de 1.647 casos de paludismo acumulados”, representando mais 1.023, se comparado ao mesmo período do ano passado.

A malária, ou paludismo, é uma doença parasitária do sangue, provocada por um protozoário do género plasmodium, um parasita transmitido através da picada de um mosquito (do género Anopheles).

De acordo com o Relatório Mundial da Malária – 2021, da Organização Mundial da Saúde (OMS), nenhuma morte por malária foi registada em São Tomé e Príncipe em 2018, 2019 e 2020.

LUSA/HN

Brasil anuncia nova campanha de vacinação contra variantes mais recentes

Brasil anuncia nova campanha de vacinação contra variantes mais recentes

A campanha terá início em 27 de fevereiro e, segundo calendário divulgado passará a atender maiores de 70 anos, residentes em asilos, indígenas e todos os que sofrem de algum tipo de imunossupressão.

Depois seguirá com a população entre 60 e 69 anos, grávidas e profissionais de saúde.

O Ministério da Saúde também anunciou o início de uma ampla campanha de divulgação sobre a necessidade da vacinação, negada e até combatida durante o Governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, apoiado pela extrema-direita, ao qual sucedeu o Presidente progressista, Luiz Inácio Lula da Silva, que tomou posse em 01 de janeiro.

Essa campanha será voltada especialmente para as pessoas que não cumpriram o esquema vacinal, pois foi constatado que menos de 50% dos 210 milhões de brasileiros têm as três doses da vacina, segundo o Ministério da Saúde.

O Brasil é um dos países mais afetados no mundo pela pandemia, que, segundo os mais recentes dados oficiais, desde o início do surto em março de 2020 causou cerca de 697 mil mortes entre um total de 36,7 milhões de infeções no país sul-americano.

LUSA/HN

Projeto de saúde da ActionAid abrange mais de 33 mil pessoas em Moçambique

Projeto de saúde da ActionAid abrange mais de 33 mil pessoas em Moçambique

As comunidades, de quatro distritos do Niassa, beneficiaram de consultas médicas, apoio psicossocial, serviços de medicina geral, ação social e vacinação de rotina a crianças até aos 4 anos, através de brigadas móveis de saúde.

O “Projeto de Proteção aos Deslocados Internos, Comunidades Anfitriãs e Pessoas Afetadas pelo Ciclone Tropical Gombe” está a ser implementado pela ActionAid e é financiado pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), com atividades realizadas entre os meses de julho e dezembro.

“Dos 33.126, há 310 que são beneficiários com necessidades especiais [com deficiência] e 4.298 têm apoio psicossocial”, acrescentou.

Segundo o documento, no âmbito do projeto, 251 mulheres deslocadas e das comunidades anfitriãs, devido ao conflito armado em Cabo Delgado, ​​​​​​​beneficiaram de atividades nos “Espaços Seguros” da ActionAid, que visam “reforçar a proteção de mulheres, raparigas e crianças”.

Nos Espaços Seguros são desenvolvidas “ações de aconselhamento, assistência em questões de apoio psicossocial, violência baseada no género”, além do encaminhamento dos casos para os serviços apropriados.

Para este ano, prevê-se a continuidade das brigadas móveis de saúde, bem como atividades dos Espaços Seguros e Espaços Amigos da Criança, conclui-se na nota.

LUSA/HN

Médicos moçambicanos mantêm suspensa greve que contesta salários

Médicos moçambicanos mantêm suspensa greve que contesta salários

“É decisão da associação médica não continuar com a greve, pelo menos provisoriamente”, disse Napoleão Viola, secretário-geral da AMM, citado hoje pelo jornal O País.

A 23 de dezembro, os médicos anunciaram a retoma das atividades, por um mês, após uma greve que durou 19 dias, face à época das festas.

A paralisação contou com a adesão de mais de dois mil médicos, de acordo com a associação.

Segundo Napoleão Viola, as conversações com o Governo continuam para “buscar soluções” e, em função dos resultados, a associação poderá, “como é desejável, cancelar por definitivo a greve”.

No entanto, o responsável salientou que “a classe médica continua com um alto grau de insatisfação”.

Em novembro, os médicos adiaram a ação reivindicativa, após encontros com os ministros da Economia e da Saúde, para “dar tempo ao Governo” de “implementar os princípios acordados”.

No entanto, dos 12 pontos de discórdia, foram alcançados acordos em oito, mas a associação diz que o Governo moçambicano cumpriu “apenas três”.

A AMM aponta a “mudança constante de interlocutores por parte do Governo” e a falta de transparência sobre a “forma como os salários dos médicos estão a ser ou não processados” como alguns dos pontos que determinaram o fracasso das negociações com o executivo.

A implementação da TSU, adotada nos últimos meses do ano passado, tem sido alvo de forte contestação devido a “inconformidades” apresentadas por várias classes profissionais em Moçambique, nomeadamente juízes, professores e médicos.

LUSA/HN

FMUP vai ajudar a reduzir taxa de mortalidade materna e infantil na Guiné-Bissau

FMUP vai ajudar a reduzir taxa de mortalidade materna e infantil na Guiné-Bissau

Em comunicado, a faculdade esclarece que o protocolo, celebrado com a Organização Não Governamental de Cooperação para o Desenvolvimento (ONGD), pretende assegurar um “melhor acesso a cuidados de saúde reprodutiva, materna, neonatal e infantil de qualidade”.

O protocolo, que entrou em vigor este ano no âmbito do projeto PIMI (Programa Integrado para a Redução da Mortalidade Materna e Infantil) III, formaliza a cooperação entre as duas entidades no “desenvolvimento de atividades de assistência clínica, capacitação de profissionais de saúde e investigação” na Guiné-Bissau.

O projeto irá abranger mais de 343 mil crianças até aos 5 anos e cerca de 450 mil mulheres em idade fértil, beneficiando também 1.500 profissionais de saúde das regiões abrangidas e 133 estruturas do sistema de saúde guineense, como centros de saúde, hospitais regionais e o Hospital Nacional Simão Mendes.

Citada no comunicado, a coordenadora clínica do projeto e professora da FMUP, Ana Reynolds, diz ser “gratificante poder contribuir” para a redução da taxa de mortalidade materna e das crianças com menos de 5 anos daquele país.

“A principal missão de um médico é melhorar a saúde das pessoas e salvar vidas”, destaca a médica especialista em Ginecologia-Obstetrícia, acrescentando que o objetivo do projeto é também “capacitar as autoridades locais responsáveis pela gestão e administração do sistema de saúde”.

“Pretende-se também o reforço da aquisição e distribuição de consumíveis e medicamentos essenciais, como medicamentos para a malária, entre muitos outros”, acrescenta Ana Reynolds, lembrando que apesar da evolução sentida no terreno, fruto da implementação dos projetos PIMI I (2013-2015) e PIMI II (2015-2017), “há passos que ainda não foram dados”.

“Construir uma estrutura demora muito, não é só ter salas. É ter saneamento básico e água potável, é ter oxigénio, é ter medicamentos, é ter esterilização, instrumentos cirúrgicos, é ter profissionais de saúde capacitados nas áreas de intervenção. Os resultados do PIMI foram tão positivos que houve esta continuidade até aos dias de hoje, mas ainda há muito para fazer”, observa.

O projeto, que será implementado em todas as regiões da Guiné-Bissau, é financiado pela União Europeia, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo projeto Saúde de Bandim em parceria com o Ministério da Saúde Pública da Guiné-Bissau.

Para além de Ana Reynolds, a equipa clínica inclui uma médica guineense, uma enfermeira portuguesa especialista em saúde pública, uma equipa de profissionais de saúde com 11 médicos, nove parteiras e 15 enfermeiros e um obstetra cubano.

A redução da mortalidade materna “é um grande desafio a nível global”, destaca a FMUP, notando que, em 2012, a taxa de mortalidade materna na Guiné-Bissau “rondava as 1.000 mortes por cada 100 mil nascimentos”.

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável fixaram como objetivo a redução para 70 mortes por cada 100 mil nados vivos e que o dobro dessa meta não seja ultrapassada em nenhum país.

“A redução da taxa de mortalidade materna continua a representar um enorme desafio”, destaca Ana Reynolds, defendendo ser preciso “fazer um esforço para entender as causas e contribuir para inverter a situação”.

O projeto PIMI – Programa Integrado para a Redução da Mortalidade Materna e Infantil arrancou em 2013, fruto de uma colaboração entre a União Europeia, Instituto Camões, IMVF e UNICEF, com o objetivo de contribuir para a redução da mortalidade materna, neonatal e infantil nas regiões sanitárias de Cacheu, Biombo, Oio e Farim.

O PIMI III (2023-2025), sucede-se assim ao PIMI I, que decorreu entre 2013 e 2015, e ao PIMI II, entre 2015 e 2017.

LUSA/HN