Marcelo diz que mudar de Presidente a meio da pandemia seria “uma aventura”

16 de Janeiro 2021

Marcelo Rebelo de Sousa defende que seria uma aventura mudar de Presidente da República a meio da pandemia e considera que o leque de candidatos provavelmente seria diferente se não se tivesse recandidatado ao cargo

Em entrevista à Rádio Renascença e ao jornal Público, hoje divulgada, o chefe de Estado e candidato presidencial com o apoio de PSD e CDS-PP foi desafiado a responder se votaria à direita nas eleições presidenciais de 24 de janeiro caso não estivesse na corrida.

Marcelo Rebelo de Sousa, que comunicou aos portugueses a sua decisão de se candidatar a um segundo mandato somente em 07 de dezembro passado, respondeu que era difícil fazer esse exercício e observou: “Além do mais, se eu não fosse candidato, não sei se o leque de candidatos era exatamente o mesmo, provavelmente era diferente”.

“Estou convencido que tenho melhores condições para ser o próximo Presidente da República, pela experiência de mandato, por estar a gerir a pandemia, mal ou bem, e estarmos a meio dela. A substituição a meio é sempre um imponderável, uma aventura”, argumentou.

O professor catedrático de direito jubilado e antigo comentador político televisivo, de 72 anos, apontou outros fatores a favor da reeleição como Presidente da República: “Pelo quadro de relações internacionais e pelo equilíbrio e moderação interna que consegui manter e consegui criar”.

No entanto, ressalvou que apela “ao voto em qualquer um dos candidatos”, que no seu entender “é preferível à abstenção, a voto branco, a voto nulo”.

No que respeita ao sistema político, o Presidente da República e recandidato ao cargo reiterou a sua preocupação com a existência de uma alternativa forte à direita: “A mim preocupa-me o facto de poder existir uma situação, sendo as eleições em 2023, em que não haja um caminho feito para essa alternativa, porque não há nada pior do que não haver alternativa, ser um sistema manco”.

“A falta de uma oposição forte torna o Governo menos exigente, facilita, no mau sentido do termo, a gestão governativa. E, em última análise, pode-se chegar a uma situação que não é boa para ninguém, sobretudo para o país, que é uma debilidade ou fragilidade ou divisão à esquerda e uma ausência de alternativa à direita”, apontou.

Contudo, desdramatizou possíveis dificuldades na viabilização do Orçamento do Estado para 2022 e sustentou que “é um dever dos partidos à esquerda de levarem até ao fim a legislatura”, voltando a rejeitar um cenário de Bloco Central PS/PSD.

Sobre a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, reafirmou-se responsável pelas consequências das decisões que têm sido tomadas, incluindo o contributo das menores restrições no período do Natal para o posterior aumento de casos de infeção e de mortes. “Sim, mas eu sou responsável por isso, obviamente”.

“Apesar de todos os partidos terem tido uma posição no mesmo sentido – e aqueles que eram contra o estado de emergência têm posições ainda mais liberais no sentido de mais preocupadas com a economia e a sociedade do que propriamente com a saúde e com a vida”, realçou, em seguida.

Nesta entrevista, conduzida pelas jornalistas Paula Caeiro Varela, da Rádio Renascença, e Leonete Botelho, do Público, Marcelo Rebelo de Sousa escusou-se a fazer uma estimativa do prolongamento do estado de emergência, que associou à gravidade da pandemia, e considerou que o setor privado da saúde “está a fazer o que pode”.

Relativamente à eutanásia, recusou uma vez mais tomar posição antes de a Assembleia da República aprovar legislação, e declarou: “Eu tinha a expectativa de que pudesse haver já um texto enviado para promulgação antes das eleições presidenciais, parece que não”.

O antigo presidente do PSD apelou à participação eleitoral e mostrou-se convicto de que os cidadãos estão envolvidos nestas eleições: “Verdadeiramente eu acho que os portugueses estão a acompanhar e a vibrar com esta campanha eleitoral. A prova são as audiências televisivas e radiofónicas”.

Marcelo Rebelo de Sousa contestou a ideia de que está a desvalorizar este processo eleitoral, contrapondo que está a seguir um modelo de campanha “muito idêntico” ao de há cinco anos: “Barata, circunscrita, pessoalizada, sem estrutura”.

NR/HN/LUSA

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