Fazer ou não Erasmus em plena pandemia, eis a questão

14 de Fevereiro 2021

Em plena pandemia de covid-19, muitos universitários enfrentam o dilema entre fazer ou não Erasmus, e se muitos abdicaram da experiência, outros fizeram as malas na mesma para passar um semestre fora.

No primeiro semestre deste ano letivo, houve menos cinco mil alunos portugueses a estudar em universidades estrangeiras no âmbito do programa Erasmus+, o equivalente a uma quebra de 68%.

Entre o primeiro e o segundo semestres, só 2.200 universitários é que não deixaram de passar seis meses fora apesar da pandemia, de acordo com os dados provisórios registados pelas instituições e enviados à Lusa pela Agência Nacional Erasmus+.

Bianca Tavares não entra nesse grupo. A estudante de Farmácia ainda chegou a estar inscrita para ir para a Faculdade de Lyon, em França, mas perante o agravamento da pandemia a instituição deixou-a sem reposta.

“Mas depois comecei a pensar se, nesta situação e com tudo o que se estava a passar, deveria mesmo ir”, contou à Lusa, admitindo que, se tivesse recebido luz verde da faculdade francesa, provavelmente teria acabado por desistir da experiência.

Do outro lado do dilema, Rita Pequito, já a fazer um mestrado, não deixou que a pandemia lhe roubasse a oportunidade de estudar durante um semestre numa universidade estrangeira e em outubro fez as malas e rumou a Halle, na Alemanha.

“Se não fosse agora, acho que já não ia ter outra oportunidade de o fazer, por isso, decidi arriscar”, contou a estudante de Design de Comunicação, sublinhando que nunca lhe passou pela cabeça desistir.

Em plena pandemia de covid-19, Rita compreendia que a experiência de Erasmus que a esperava não seria como a de milhares de estudantes que fizeram o programa em anos anteriores. E não foi.

No primeiro mês, a estudante portuguesa conseguiu “fazer uma vida relativamente normal”: Viajou dentro da Alemanha, conheceu outras cidades e pessoas, e apesar de a faculdade ter adotado o ensino a distância pouco depois do início do semestre, continuava a poder ir à biblioteca e às aulas práticas presenciais.

“Entretanto, no fim de novembro a pandemia começou a piorar. A restauração, a cultura e a maioria dos espaços públicos começaram todos a fechar e, por isso, decidi voltar para Portugal no dia 10 de dezembro”, recordou.

O semestre só terminou este mês, mas a situação epidemiológica continuou a piorar e, por isso, Rita já não voltou a Halle e terminou o Erasmus em casa.

Joana Azeiteiro também não teve medo da pandemia, mas a covid-19 meteu-se no caminho entre a aluna e Economia Internacional e Estudos Europeus e um primeiro semestre em Varsóvia, na Polónia.

Quando a faculdade para onde ia anunciou que as aulas seriam todas ‘online’, Joana soube que, por isso, deixaria de ter direito à bolsa e a única coisa que lhe amparou o desgosto foi o facto de já ter feito Erasmus durante a licenciatura.

Além da mobilidade para fins de aprendizagem, o Erasmus+ tem também um programa de estágios para estudantes, e foi nesse âmbito que Luana Millecamps foi para a ilha grega de Lipsi, para trabalhar no Archipelagos – Instituto de Conservação Marinha.

Durante cerca de quatro meses, a estudante de Biologia Ambiental “fugiu” da pandemia em Portugal e refugiou-se numa ilha onde não se registavam casos de infeção pelo SARS-Cov-2.

“Entre setembro e novembro foi tudo bastante semelhante à vida normal. Os locais também estavam muito despreocupados porque não havia casos”, relata, recordando que só a partir de dezembro, quando a Grécia decretou medidas de confinamento para todo o país, é que sentiu mais restrições.

“Mesmo assim não foi muito diferente do que seria sem a pandemia, tive bastante sorte”, sublinhou, explicando que, apesar do confinamento, as únicas atividades que deixaram de poder fazer foram as saídas de barco.

LUSA/HN

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