Investigador defende reforço da vacina “só se a pandemia piorar” e para grupos de risco

Uma nova dose de reforço da vacina contra a Covid-19 só deve ser administrada se a situação da pandemia se agravar e apenas em pessoas de maior risco, defendeu esta sexta-feira o investigador Miguel Castanho.

“Só faz sentido administrar uma quarta dose se a situação epidemiológica piorar muito e apenas aos grupos de maior risco”, adiantou à agência Lusa o especialista do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa.

Na quinta-feira, após o Conselho de Ministros, a ministra da Saúde avançou que as autoridades do setor estão a preparar a administração de uma nova dose de reforço da vacina antes do período de outono e inverno.

“A Comissão Técnica de Vacinação contra a covid-19 considerou que seria de recomendar, de facto, uma segunda dose de reforço e esse segundo reforço deveria acontecer com uma sazonalidade de maior risco”, referiu Marta Temido, sem especificar a que grupo em concreto será administrada essa nova inoculação da vacina contra o coronavírus SARS-CoV-2.

Em abril, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças e a Agência Europeia do Medicamento já tinham recomendado uma quarta dose da vacina, apenas para maiores de 80 anos de idade.

Para Miguel Castanho, a administração de uma quarta dose de forma generalizada à população portuguesa “não faz sentido”, a não ser que surja uma nova vacina “muito eficaz contra as novas variantes” do coronavírus que causa a Covid-19.

“Vários estudos, incluindo um português, apontam para uma manutenção de proteção imunitária além do declínio de anticorpos. Portanto, não vale a pena persistir em vacinações sucessivas com a mesma vacina”, salientou o investigador do Instituto de Medicina Molecular.

Relativamente ao fim do uso obrigatório de máscaras decidido quinta-feira pelo Governo e que hoje entrou em vigor, Miguel Castanho lembrou que o objetivo das máscaras é o de “fazer reduzir todos os indicadores a níveis considerados aceitáveis”.

De entre todos os indicadores de avaliação da pandemia, o de “maior importância e impacto é a mortalidade”, salientou o especialista, para quem, traduzindo um padrão internacional para a população portuguesa, o objetivo em Portugal deveria corresponder a 15 mortes diárias ou menos, quando o país está com cerca de 20 óbitos por dia.

“Agora, subitamente, contrariando decisões recentes, [o Governo] abdicou de algumas medidas sem que o objetivo tivesse sido atingido. Não sabemos se o Governo claudicou no objetivo ou se quis apenas libertar-se do ónus da manutenção das medidas”, considerou o investigador à Lusa.

 O uso de máscaras deixou de ser hoje obrigatório, depois de ter sido publicado na noite de quinta-feira o decreto-lei que altera e simplifica as medidas no âmbito da pandemia de Covid-19 em Diário da República.

Segundo o decreto-lei, a máscara continua obrigatória nos estabelecimentos e serviços de saúde, nas estruturas residenciais ou de acolhimento ou serviços de apoio domiciliário para populações vulneráveis ou idosas, bem como unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e, ainda, nos transportes coletivos de passageiros, incluindo o transporte aéreo, bem como no transporte de passageiros em táxi ou TVDE.

Segundo o Governo, Portugal regista uma mortalidade por Covid-19 de 27,9 óbitos por um milhão de habitantes a 14 dias, superior ao limiar de 20 mortes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) e que era uma das referências para o país passar para um nível sem restrições de controlo da pandemia.

LUSA/HN

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