FNAM: Governo ainda tem condições para chegar a acordo sobre todas as matérias

23 de Novembro 2023

A presidente da Federação Nacional dos Médicos defendeu hoje que o Governo ainda tem condições para chegar a acordo sobre todas as matérias que estavam em negociação, depois de o ministro ter deixado cair os temas das condições de trabalho.

“Houve um recuo por parte do Governo relativamente àquilo que estava em cima da mesa”, lamentou Joana Bordalo e Sá, em declarações aos jornalistas, à saída de mais uma reunião negocial entre o Governo e os sindicatos médicos (Federação Nacional dos Médicos e o Sindicato Independente dos Médicos).

A presidente da Fnam referia-se às matérias relacionadas com as condições de trabalho dos médicos, como a reposição das 35 horas semanais, das 12 horas de serviço de urgência e dos dias de férias, sobre as quais parecia haver já um entendimento para uma implementação faseada ao longo da legislatura.

“Até à ultima reunião, apesar de não estarmos a chegar a bom porto relativamente à forma de implementação, tinha havido uma abertura para discutir as nossas quatro reivindicações. Neste momento, o Governo retirou completamente as propostas que têm a ver com condições de trabalho e cinge-se apenas à grelha salarial”, lamentou.

Segundo explicou o ministro aos jornalistas, os temas foram deixados de parte devido à atual crise política, por considerar que “só podiam ser tomadas por um governo que depois fosse capaz de promover a reorganização do Serviço Nacional de Saúde”.

“O Governo tem condições, tem legitimidade”, contrapôs a presidente da Fnam, defendendo que o Ministério da Saúde pode e deve chegar a um acordo sobre todas as matérias que permita a entrada em vigor das medidas a partir de janeiro.

A propósito da proposta apresentada hoje pela tutela, que sobe o valor dos aumentos salariais para valores entre 9,6% e 12,7%, Joana Bordalo e Sá recusou soluções intercalares, adiantando, ainda assim, que a Federação vai analisar o diploma em reunião do conselho nacional, no sábado.

Ministério da Saúde e sindicatos voltam a reunir-se na terça-feira, naquela que a dirigente sindical considerou ser a “derradeira oportunidade de firmar um acordo com os médicos”.

LUSA/HN

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