SIM: acordo pretende “dar alguma tranquilidade aos portugueses” e garante aumento de 400 euros a médicos

29 de Novembro 2023

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) defendeu hoje que o acordo intercalar com o Governo para aumentos salariais revela “sentido de responsabilidade” face ao momento do SNS e traduz-se em mais 400 euros mensais para os médicos.

“Este acordo intercalar permite a todos os médicos ter uma valorização salarial, algo que já não acontecia há vários anos, desde há mais de 10 anos, de cerca de 400 euros mensais, para todas as carreiras, se fazem urgência, se não fazem urgência, de uma forma transversal”, disse Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do SIM, no final da reunião no Ministério da Saúde (MS), a última de uma negociação que durava há 19 meses e que o executivo deu hoje por concluída.

O dirigente sindical afirmou que a situação de crise no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a crise política que se lhe juntou obrigava o SIM “a ter um sentido de responsabilidade” que levou o sindicato a assinar “um princípio de acordo intercalar”, o que significa que as negociações vão continuar, mas com o próximo Governo.

“Naturalmente gostaríamos de poder ter mais” disse Roque da Cunha, sublinhando que além de um sinal de sentido de responsabilidade o acordo é também um sinal de “grande preocupação, uma vez que o SIM sabe que “não será com este acordo que os problemas do SNS, que se vêm acumulando ao longo desta década, irão ser resolvidos”.

No entanto, rejeitou “propostas maximalistas” como as que atribui às reivindicações da Federação Nacional dos Médicos (Fnam) e que diz não fazerem “qualquer sentido”, acrescentando que “a federação responderá por si” e considerando que um aumento de “15% no primeiro ano”, conseguido depois de “muita e dura negociação com o Governo” é um resultado “particularmente adequado”.

Roque da Cunha disse que o acordo pretende “dar alguma tranquilidade aos portugueses” e “um sinal claro aos médicos”, que “vão ter um aumento salarial de 400 euros para todas as carreiras, todas as posições”, onde se incluem os médicos “que apesar de terem um aumento um pouco menor, têm uma percentagem maior desse aumento”.

Com o próximo executivo o SIM quer negociar horários de trabalho, duração de turnos de urgência, férias, investimento no SNS, matérias que também pretende discutir com os grupos parlamentares, mas que não deixará de colocar “a quem suceder a este Governo”.

“Sabemos que só o iremos fazer lá para setembro ou outubro, já que sendo as eleições em março, constituição de governo, programa de governo…”, disse, acrescentando esperar que os médicos entendam “que este acordo intercalar era o melhor que podia acontecer nesta fase” e que os portugueses entendam que a posição do SIM “foi uma posição moderada, equilibrada” e que “de alguma maneira possa mitigar e que esperemos que de alguma maneira possa mitigar muitos dos problemas que neste momento tem o SNS”.

O Governo chegou hoje a um “acordo intercalar” com o SIM para um aumento dos salários em janeiro de 2024 e deu por findas as negociações.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Trabalhadores do Hospital de Braga não querem regressar à Parceria Público-Privada

Os trabalhadores do Hospital de Braga não querem regressar à Parceria Público-Privada (PPP), garante Camilo Ferreira, coordenador da Comissão de Trabalhadores, que recordou, em conversa com o HealthNews, a exaustão dos profissionais naquele modelo de gestão e, como Entidade Pública Empresarial (EPE), a melhoria das condições de trabalho e do desempenho.

Menopausa: Uma doença ou um processo natural de envelhecimento?

A menopausa foi o “elefante na sala” que a Médis trouxe hoje ao Tejo Edifício Ageas Tejo. O tema foi abordado numa conversa informal que juntou diversos especialistas. No debate, os participantes frisaram que a menopausa não é uma doença, mas sim um “ciclo de vida”. 

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights