Líder do PCP fala em “caos” nas urgências e critica PS por “medidas temporárias”

Líder do PCP fala em “caos” nas urgências e critica PS por “medidas temporárias”

“Perante o caos a que assistimos nas urgências obstétricas e as dificuldades em assegurar o atendimento médico urgente em várias especialidades, devido à falta de profissionais, e os atrasos” nas consultas, “bem se pode dizer que o PCP tinha razão para votar contra o Orçamento”, disse o líder comunista, Jerónimo de Sousa.

Na sua intervenção de encerramento da 10.ª Assembleia da Organização Regional de Beja do Partido Comunista Português (PCP), que decorreu na cidade alentejana, Jerónimo de Sousa abordou o fecho temporário, nos últimos dias, de urgências de Obstetrícia pelo país.

Tanto no anterior Governo, como no atual, “medidas consideradas indispensáveis” para a defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS), “para dar solução aos problemas que agora aparecem à luz do dia”, constavam do “núcleo duro” das propostas dos comunistas para aprovarem o Orçamento do Estado (OE).

Mas essas medidas, lembrou, “foram recusadas”, porque “o PS não quis defender o SNS do brutal ataque a que está sujeito pelos grupos económicos dos negociantes da doença”, acusou.

Agora, “a situação agravou-se”, alertou Jerónimo de Sousa, afiançando que os comunistas estão “profundamente preocupados”.

“A situação do SNS é pior do que há seis meses”, disse, vincando que “faltam médicos e enfermeiros de família, aumentam as queixas de atrasos e falta de respostas em consultas, tratamentos e cirurgias”.

Da parte do PS, contudo, “continuam os remendos dos planos de contingência em vez de soluções de fundo, como os salários, as carreiras, as condições de trabalho para fixar os médicos de várias especialidades no SNS”, criticou.

“Neste, com noutros domínios, o Governo PS limita-se a apontar medidas temporárias para atenuar alguns dos problemas que o povo e o país enfrentam” e os socialistas “fazem depender da União Europeia decisões que podem tomar”, segundo o líder comunista.

No anterior executivo de maioria socialista, “a resposta que o país e o SNS precisavam nunca chegou”, mas, “e agora?”, questionou.

“O PS tem uma maioria absoluta, tem nas mãos muito do futuro em termos governativos, legislativos. Então, precisava de uma maioria reforçada para quê? Porque continua o Governo a recusar a autonomia de contratação pelas unidades de saúde e o reforço de profissionais do SNS?”, perguntou Jerónimo de Sousa, defendendo que “é preciso salvar o SNS” e o PCP não vai “desistir desse combate”.

NR/HN/LUSA

Publicado novo anúncio para requalificação da Unidade de Saúde da Ilha do Corvo

Publicado novo anúncio para requalificação da Unidade de Saúde da Ilha do Corvo

“Este é o segundo concurso que lançamos para esta obra, depois do primeiro ter ficado deserto face à escalada de preços que se tem verificado nos últimos meses”, informa a secretária regional da tutela das Obras Públicas, Berta Cabral, numa nota divulgada.

Citada na mesma nota publicada na página da Internet do Governo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) a governante refere ainda que “os desafios são grandes e a incerteza é permanente neste momento”.

Mas, a Secretaria Regional continua “com determinação a trabalhar junto do mercado para responder às necessidades das populações das nove ilhas”, acrescenta.

“É fundamental estarmos todos conscientes de que precisamos procurar soluções de forma sistemática, para que investimentos tão importantes para as necessidades básicas do nosso regime autonómico, como este que vamos fazer no Corvo, continuem a ser uma realidade”, sublinhou ainda Berta Cabral.

O período de apresentação de propostas para a empreitada de requalificação da Unidade de Saúde do Corvo, a mais pequena ilha dos Açores, está agora a decorrer, com um preço base de 370 mil euros e um prazo de execução de 270 dias.

A obra de requalificação e ampliação do edifício da Unidade de Saúde do Corvo, permitirá “melhorar as condições de utilização, reestruturação e reorganização funcional”, segundo o executivo açoriano.

NR/HN/LUSA

Especialistas debatem em Lisboa futuro do uso medicinal da canábis

Especialistas debatem em Lisboa futuro do uso medicinal da canábis

Decorreu nos dias 16 e 17 de junho, em Lisboa, a primeira parte da 3ª edição da conferência Internacional PTMC – Portugal Medical Cannabis. A esta conferência acorreram cerca de 200 profissionais de diversas áreas, nomeadamente medicina, ciências farmacêuticas, agronomia, investigação científica, direito e investimento. 

Pretendeu-se com esta iniciativa oferecer dois dias de aprendizagem e ‘networking’. Irá, ainda, decorrer uma segunda parte desta terceira edição na ilha da Madeira nos dias 26 e 27 de outubro.

Numa excelente iniciativa da organização do evento estão disponibilizadas as gravações de todas as sessões, resumidas neste artigo.

A sessão do primeiro dia, teve início com a abertura realizada por Vasco Bettencourt, Diretor da Unidade de Licenciamento do Infarmed, que fez um resumo do trabalho da instituição nolicenciamento de empresas que atuam na área da canábis medicinal. Na sua intervenção, Vasco Bettencourt sublinhou a importância do processo de licenciamento, continuamente melhorado, para o desenvolvimento do setor em Portugal, com a finalidade de tornar o país num dos mais interessantes da Europa, nesta área. Deixou, ainda, claro que também o Infarmed aprendeu com as empresas, limando arestas e melhorando os procedimentos de licenciamento, tendo como alvo a maior eficácia, sem afetar os resultados a nível de rigor e qualidade.

Vasco Bettencourt aponta parâmetros como o número de horas de sol, os baixos custos de terrenos, de mão-de-obra qualificada e, também, a existência de uma moldura regulatória favorável, como fatores que têm vindo a atrair muitas empresas a investir em Portugal. “Existem, neste momento, cerca de 200 empresas que pediram autorizações para exercer atividades na área da canábis medicinal”, afirmou.

A intervenção seguinte, ficou a cargo do Professor Raphael Mechoulam, da Universidade Hebraica de Jerusalém, onde é professor desde 1972. A sua principal área de investigação científica é a da química e farmacologia dos canabinóides, na qual trabalha há mais de 50 anos. Em intervenção gravada, por impossibilidade de estar presente, o Professor Mechoulam desenvolveu o tema dos “Compostos Endógenos Semelhantes à Anandamida”.

Começou com a seguinte premissa: “a modulação da atividade endocanabinóide pode ter potencial terapêutico em quase todas as doenças que afetam os seres humanos”, justificando, assim, o interesse de muitos grupos na investigação dos canabinóides de origem vegetal. Desenvolveu, em seguida, as inúmeras possibilidades de tratamento, bem como os respetivos mecanismos de ação, associadas a estas substâncias, que poderão ser úteis em diversas patologias.

Em seguida, o palco foi entregue a Carl Hart, Professor da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Na sua intervenção, o especialista desenvolveu o tema “Canábis e Psicoses-mitos e factos”. Começou por uma resenha histórica das proibições ocorridas nos Estados Unidos, desde o início do século XX. Todas estas proibições tiveram fundamentos algo perversos, de índole racista, xenófoba ou económica. Foram, também, acompanhadas de campanhas destinadas a ganhar o apoio público, afirmou o Professor Carl Hart.

Continuou por analisar alguns estudos dedicados ao aparecimento de psicoses em consumidores de canábis, demonstrando erros de análise de dados, presentes em alguns destes estudos. Estas deficiências de análise poderão levar, na sua opinião, a uma sobrevalorização injustificada do problema.

Em seguida, Bonni Goldstein, Médica Pediatra e Diretora Médica da Canna-Centers Wellness & Education dos Estados Unidos, desenvolveu o tema “Canábis para Crianças: Lições de uma Pediatra”.

Goldstein é, também, autora de 2 livros sobre o tema, intitulados “Cannabis Revealed” (2016) e “Cannabis is Medicine” (2020). Revelou que mais de um terço dos pacientes que sofrem de epilepsia, continuam com a doença não controlada com a utilização dos medicamentos existentes. Sublinhou, então, os dados promissores no tratamento com a utilização de CBD (canabidiol). Também sublinhou as evoluções cognitivas e comportamentais decorrentes deste tipo de tratamento, em crianças. Desenvolveu o tema das perturbações do espectro do autismo, por vezes observadas simultaneamente com a epilepsia, sublinhando a sua grande experiência profissional com um enorme número de pacientes.

Acerca dos efeitos de longo prazo da utilização de CBD, a pediatra referiu dois estudos recentes que afirmam que o “CDB não afeta a estrutura cerebral em doentes com epilepsia” (Sharma et al 2019) e “a exposição a longo prazo ao CDB em ratos não mostra efeitos no comportamento” (Niehaus. 2022), ao contrário de medicamentos como os antipsicóticos.

Dani Gordon, médica canadiana a viver em Londres, membro da “The Medical Cannabis Clinicians Society”, falou sobre o sistema endocanabinóide, desenvolvendo a aplicação clínica de alguns canabinóides e terpenos, em diversas indicações terapêuticas. Comparou, ainda, o efeito de canabinóides sintéticos, com aqueles obtidos a partir de extratos da planta (também designadas ‘full spectrum’) e as diferentes formas de administração daqueles compostos.  Como especialista no tratamento de condições crónicas complexas, Dani Gordon partilhou com a audiência algumas da sua experiência em diversas patologias, como a ansiedade, fibromialgia, depressão, insónia e dor crónica.

Já na parte da tarde, foi Gregor Zorn, biólogo, especializado em educação médica sobre canábis, desenvolvimento de produtos fitocanabinóides e aplicações de terapia canabinóide quem cativou a plateia. Aprofundou o tema dos processos de síntese de diversos fitocanabinídes nas plantas, realçando o interesse clínico de alguns canabinóides menos conhecidos, como são os casos do canabigerol (CBG), do THCV ou do ∆8-THC. Gregor Zorn terminou realçando, também, a possibilidade de combinação dos fitocanabinóides no tratamento de diversas patologias.

A última palestra do dia, que antecedeu o debate, foi Luna Vargas, antropóloga radicada no Canadá e formadora sobre o tema da canábis na Inflore, onde fornece uma visão global da indústria da canábis, com base na ciência e na experiência. Falou da falta de informação para o público, num mercado em que os retalhistas de canábis (para uso recreativo, permitido no Canadá desde 2017) não oferecem um serviço suficientemente informado em termos de saúde e os profissionais de saúde estão ainda pouco informados sobre o tema, estando as farmácias ainda longe de ser um local de educação acerca da canábis. Com uma visão abrangente do tema, Luna Vargas considera que a educação sobre canábis deve consistir na “mediação entre diferentes partes da indústria (ciência, cultura) e o público em geral. Um nó que liga múltiplos caminhos, dando uma sensação mais completa e complexa da planta”.

Para o encerramento do primeiro dia estava reservado um debate sobre os “desafios da legislação da canábis”, moderado por Alfredo Pascual, analista de investimentos na indústria de canábis sediado na Alemanha. Os participantes foram Kai-Friedrich Niermann, advogado alemão, especialista na proteção dos consumidores, segurança dos produtos e novos provenientes da canábis, Jorge Teixeira, conselheiro político da Iniciativa Liberal e Ricardo Rocha, advogado da PLMJ. Foram comparados os caminhos seguidos na Alemanha e em Portugal, na direção da legalização da canábis para uso recreativo.

Apesar do consenso entre os membros da coligação que suporta o governo germânico, acerca do tema, foram apresentadas algumas das matérias ainda em discussão, na direção de um acordo que possa ser votado no Parlamento, o que só deverá acontecer no próximo ano. Já no caso português, o caminho será feito através da apresentação de diversos projetos de lei, como o apresentado recentemente pelo Bloco de Esquerda e, mais tarde, tentar-se-á chegar a um “consenso”, no qual desaparecerão certamente as sugestões mais ousadas.

Alfredo Pascual chamou, ainda, a atenção para o relativo “falhanço” da introdução da canábis medicinal em Portugal que, apesar de ter gerado uma indústria exportadora (tendo, como destino, países como a Alemanha e Israel) tem falhado na disponibilização de produtos ao público português. Esta aparente ambiguidade poderá ser explicada pela falta de investimento no fabrico de produtos acabados, ou seja, prontos para a venda em farmácias.

O dia 17 iniciou-se com a intervenção de Tej Virk, CEO da Acanda Corporation, empresa que, em abril deste ano, comprou a RPK Biopharma (subsidiária da Holigen em Portugal). A intervenção intitulada “Como apanhar a onda verde na Europa” aponta o valor de 2 860 milhões de euros ($3B) para o mercado europeu da canábis, em 2025, e desenvolveu a perspetiva das empresas que estão a entrar neste mercado. Virk apontou a fragmentação das regras vigentes nos diversos países europeus como o principal problema para o desenvolvimento do setor. A empresa, que centra o seu desenvolvimento nas áreas da Europa, Médio Oriente e África (EMEA) encara Portugal como o “Centro Europeu de Excelência em Canábis” já que “desde a legalização da canábis medicinal em 2018, Portugal desenvolveu um quadro de importação/exportação que posicionou o país como um núcleo global para canábis medicinal”, “de onde só poderá vir crescimento”, acrescentou. Tej Virk mostrou a excelência das instalações adquiridas em Sintra e Aljustrel e sublinhou a importância das parcerias com outras marcas e dos projetos de investigação e desenvolvimento.

Alfredo Pascual, uruguaio radicado na Alemanha, voltou ao palco na manhã do dia 17 para falar sobre o tema “Implicações internacionais da legalização da canábis”. Desenvolveu a interpretação dos tratados internacionais acerca da proibição, nomeadamente a “Convenção Única sobre Estupefacientes” de 1961, cuja “interpretação proibicionista não conseguiu fazer avançar a saúde e o bem-estar da humanidade”, o que levou o Uruguai a reinterpretar o tratado para melhor cumprir os seus objetivos, em 2012.

Seguiu-se Steven George, americano do Michigan, oriundo do setor financeiro, que veio para Portugal em 2017 para fazer um MBA e tem trabalhado na indústria europeia de canábis desde 2018, nomeadamente na Tilray. Comparou as molduras regulamentares na Europa e nos Estados Unidos, realçando que, quer seja para fins recreativos ou fins medicinais, estamos, em última instância, a falar da mesma planta. Assim, na União Europeia, os pacientes têm acesso à canábis para fins medicinais, através de uma prescrição médica, os produtos são vendidos em farmácias e regulamentados pelo regulador nacional de saúde. Já nos Estados Unidos, os pacientes têm acesso aos produtos através de uma recomendação médica, os produtos são distribuídos em dispensários e regulados por um regulador ao nível do estado (não da FDA, o regulador Federal). O acesso à canábis para uso adulto (recreativo) nos Estados Unidos, é possível acima de uma certa idade (normalmente, 21 anos), os produtos são distribuídos em dispensários de retalho e regulados por reguladores estatais individuais.

Sublinhou, ainda, as vantagens a longo prazo, de o sistema europeu considerar a canábis para fins medicinais como um medicamento, com distribuição exclusiva em farmácias, envolvendo os profissionais de saúde no processo. Já na canábis para um futuro uso recreativo, defende a sua venda fora do espaço das farmácias. Acerca da qualidade dos produtos, poderão ser seguidas as normas EU-GMP, as mesmas utilizadas para o fabrico de medicamentos, para o fabrico dos produtos de canábis, em qualquer das finalidades, apesar dos custos associados.

Seguiu-se o palestrante Shlomo Booklin, da Juicy Fields, licenciado no Instituto Técnico de Horticultura de Jerusalém e que exerce atualmente no Canadá. Na sua intervenção, dedicada ao Tema “GACP: como aplicar os padrões farmacêuticos a colheitas botânicas”, começou por referir que os dispensários se mantiveram abertos no Canadá, mesmo durante os ‘lockdown’ da COVID-19. No caso da cultura da canábis para fins medicinais, sublinhou que podemos obter dois tipos de produtos para uso medicinal: flores ou outros produtos à base de extratos. Este ciclo produtivo leva à exigência de normas como as Boas Práticas Agrícolas e de Colheita (GACP), às Boas Práticas de Fabrico (GMP) e a uma área de transição entre ambas.

O último palestrante individual, Jaime Gil-Robles, especialista em desenvolvimento empresarial em sectores regulados, trouxe ao palco, na companhia do CEO da Kannabeira, a experiência do projeto que construíram em conjunto.

O debate de encerramento foi realizado à volta do tema “O futuro das reformas das drogas: como regular o uso de substâncias no século 21” desenvolvido por um painel de convidados, moderado por Laura Ramos. Os membros do painel foram Carl Hart, Professor da Universidade de Columbia, Teresa Summavielle, investigadora da Universidade do Porto, Miguel Costa Matos, deputado pelo Partido Socialista e João Taborda da Gama advogado da Gama Glória. Foi sublinhado que nem todas as substâncias devem ser reguladas da mesma forma e foram abordados o estigma social associado ao consumo destas substâncias e a necessidade de mudança de mentalidades.

 

HN/EE

 

Nova investigação para ajudar a resolver a escassez de sangue na Irlanda

Nova investigação para ajudar a resolver a escassez de sangue na Irlanda

Um estudo da RCSI University of Medicine and Health Sciences identificou barreiras e motivadores para a doação de sangue a pessoas de grupos étnicos minoritários na Irlanda.

Os resultados do estudo ajudarão a resolver a recente escassez de sangue na Irlanda e também aumentarão a diversidade do fornecimento de sangue. As atuais carências têm consequências potencialmente graves para os doentes que necessitam de transfusões de sangue, particularmente doentes com doença falciforme, uma doença sanguínea hereditária que afeta os glóbulos vermelhos. A doença falciforme é particularmente comum entre pessoas com antecedentes familiares africanos ou caribenhos.

Os resultados são publicados esta semana na revista “Blood Transfusion”, antes do Dia Mundial das Células Falciformes, que se assinala amanhã, 19 de Junho.

O estudo intitulado “Motivadores e barreiras à doação de sangue entre potenciais doadores de etnia africana e caucasiana” é o primeiro do seu género a explorar a questão das diferenças étnicas nas doações de sangue entre diferentes grupos étnicos na Irlanda. Os resultados ajudarão em futuras campanhas de recrutamento de dadores de diversas origens étnicas na Irlanda, aumentando o fornecimento de sangue para transfusão e melhorando os cuidados aos doentes.

A Investigadora Principal, Dra. Helen Fogarty, da Faculdade de Farmácia e Ciências Biomoleculares, RCSI, afirmou: “O timing desta investigação é crucial. A Irlanda sofreu recentemente uma grande escassez de sangue, com o resultado de que, pela primeira vez em mais de 30 anos, o sangue tem sido importado do Reino Unido. Existe agora uma necessidade urgente de aumentar as doações de sangue, incluindo de pessoas de grupos étnicos minoritários. Os resultados deste estudo ajudam-nos a compreender porque é que estes grupos estão sub-representados e irão ajudar-nos a incluir pessoas de diferentes origens étnicas na doação de sangue no futuro, fazendo uma enorme diferença para todos os doentes que necessitam de transfusões de sangue”.

O estudo foi desenvolvido como parte do RCSI Student Innovation Challenge durante a RCSI Research Summer School 2021, que dá aos estudantes a oportunidade de desenvolver soluções para necessidades médicas urgentes. Mais de 380 pessoas participaram no inquérito que visava identificar motivadores e barreiras à doação de sangue. Os estudantes do RCSI e os vencedores do RCSI Student Innovation Challenge Muskan Sardana, Luke Sheridan, Phoebe Chieng e Sarah Kelly são coautores no jornal.

Os resultados revelaram que as barreiras à doação de sangue entre os respondentes não caucasianos incluíam a falta de informação e uma história de vida numa região endémica de malária. Os fatores que foram encontrados para motivar pessoas de minorias étnicas a doar sangue incluíram razões religiosas e o desejo de ajudar outros nas suas próprias comunidades. As constatações fornecem aos investigadores um foco para intervenções, incluindo campanhas de recrutamento para aumentar a diversidade étnica e a inclusividade entre os dadores de sangue na Irlanda.

NR/HN/Alphagalileo

Monkeypox: DGS divulga cuidados a ter em eventos antes e após contactos sexuais

Monkeypox: DGS divulga cuidados a ter em eventos antes e após contactos sexuais

A forma de apresentação e disseminação da infeção sugere que a transmissão esteja a acontecer por contacto próximo, incluindo relações sexuais, refere a DGS, adiantando que os casos notificados no atual surto foram na sua maioria detetados em homens que têm sexo com homens, embora a transmissão também tenha sido documentada noutras pessoas.

Portugal registou mais 35 casos de infeção pelo vírus ‘Monkeypox’, elevando para 276 o total de pessoas infetadas, todos homens que se encontram clinicamente estáveis, referiu hoje a DGS.

Segundo a informação divulgada pela autoridade de saúde, eventos públicos, privados e viagens, facilitaram a transmissão de infeções, mas estes eventos “poderão ser oportunidades para sensibilizar os participantes e transmitir informação, ao mesmo tempo que se podem desenvolver medidas de prevenção e higienização para reduzir riscos nesses contextos”.

Para a DGS, “os parceiros comunitários são essenciais para garantir uma comunicação eficaz e atempada, adequada ao público a envolver, identificar as principais mensagens de prevenção e promoção da saúde e o alinhamento entre todos os envolvidos, para identificar rumores/desinformação e ajudar a melhorar o conhecimento sobre a infeção, e para facilitar a adesão às medidas de proteção”.

Entre o conteúdo das ‘mensagens chave’ a transmitir, a DGS refere que a infeção por Monkeypox caracteriza-se pelo aparecimento de lesões na pele ou mucosas, que podem ser localizadas numa determinada região do corpo ou generalizadas, atingindo habitualmente a face e boca, membros superiores e inferiores ou região ano-genital.

O surgimento de sintomas deve motivar a procura de aconselhamento e avaliação médica e deve evitar-se o contacto físico próximo, incluindo relações sexuais.

“O contacto físico próximo é a principal forma de transmissão. Uma relação sexual pode envolver risco. Relações sexuais com múltiplos parceiros/as aumentam o risco”, destaca a DGS.

A utilização do preservativo é importante para prevenir a transmissão do VIH e outras infeções sexualmente transmissíveis (IST), mas não oferece proteção eficaz para o vírus Monkeypox, alerta ainda na informação.

Entre as medidas a adotar “antes, durante e após” os eventos, a DGS recomenda que seja desincentivada a participação em caso da existência de sintomas e que os organizadores considerem o envio de informação prévia aos participantes, através das redes sociais ou no momento da inscrição.

A DGS aconselha também formar os trabalhadores e funcionários sobre os sinais e sintomas mais comuns de infeção e sobre o aconselhamento a dar a casos suspeitos, bem como dispensar os funcionários/voluntários que apresentem sintomas.

Entre as sugestões, a autoridade de saúde quer que os organizadores incentivem os participantes a “guardar os contactos das pessoas com quem mantiverem contacto físico próximo, incluindo relações sexuais, caso seja necessário identificá-los posteriormente”.

Entre as recomendações de higiene, a DGS aconselha que “se existir roupa de cama, deve ser mudada após utilização por um novo participante/cliente”.

“Essa roupa deve ser manipulada por funcionários de limpeza que utilizem luvas e máscaras e lavada a mais de 60 graus centígrados. Após manipulação da roupa, deve retirar-se as luvas e lavar/higienizar as mãos”, pode ler-se.

A informação da autoridade de saúde adverte também contra a estigmatização da doença, tendo em conta que “a maioria dos casos até agora foram reportados em homens que têm sexo com homens”.

“O estigma e o medo podem dificultar as respostas em matéria de saúde pública, pois podem fazer com que as pessoas escondam a sua doença e são barreiras de acesso aos cuidados de saúde”, alerta a DGS.

Entre os conselhos para mitigar a estigmatização, a autoridade de saúde pede que se utilize “uma linguagem respeitosa e inclusiva” e que se transmitam “os factos de forma clara e acessível”.

De acordo com as autoridades de saúde, a manifestação clínica da ‘Monkeypox’ é geralmente ligeira, com a maioria das pessoas infetadas a recuperar da doença em poucas semanas.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, nódulos linfáticos inchados, calafrios, exaustão, evoluindo para erupção cutânea.

O período de incubação é tipicamente de seis a 16 dias, mas pode chegar aos 21 e, quando a crosta das erupções cutâneas cai, a pessoa infetada deixa de ser infecciosa.

Portugal vai receber 2.700 doses das vacinas contra o vírus ‘Monkeypox’ adquiridas pela Comissão Europeia, confirmou recentemente a DGS, que está a elaborar uma norma técnica que definirá a forma como serão utilizadas.

NR/HN/LUSA

Covid-19: EUA autorizam vacinas da Pfizer e Moderna para crianças a partir dos 6 meses

Covid-19: EUA autorizam vacinas da Pfizer e Moderna para crianças a partir dos 6 meses

A vacina de duas doses da Moderna é aprovada para crianças entre os seis meses e os cinco anos de idade e a da Pfizer, de três doses, pode ser administrada a crianças entre os seis meses e quatro anos de idade, anunciou hoje o regulador norte-americano.

A FDA também aprovou a vacina da Moderna para crianças dos 6 aos 17 anos de idade.

A vacina da Pfizer já tinha sido aprovada para crianças a partir dos 5 anos de idade nos Estados Unidos da América.

“Estas vacinas para as crianças mais pequenas proporcionarão proteção contra os casos mais graves de covid-19, tais como hospitalizações e mortes”, disse o chefe da FDA, Robert Califf, em conferência de imprensa, citado pela agência France-Presse (AFP).

Um comité consultivo dos Estados Unidos tinha emitido na quarta-feira uma recomendação favorável à autorização das vacinas contra a covid-19 da Moderna e da Pfizer em crianças a partir dos seis meses.

Após a aprovação do regulador, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças deverá agora recomendar a administração das vacinas, o que poderá ocorrer já na próxima semana.

Após o anúncio da FDA, segundo a AFP, a Pfizer afirmou que pretende solicitar a aprovação para este grupo etário à Agência Europeia de Medicamentos (EMA) no início de julho.

NR/N/LUSA