Linha de apoio a doente com diabetes recebeu mais de 500 chamadas durante a pandemia

15 de Junho 2020

Em apenas dois meses, a linha telefónica de informação “Covid-19 e Diabetes” recebeu mais de 500 telefonemas de cuidadores, familiares e doentes com diabetes. As principais questões estavam relacionadas com a situação de saúde, preocupação face à Covid-19, necessidades de ajuste no tratamento e conselhos para conseguir controlar o nível glicémico e o peso. A linha telefónica esteve ativa até ao início deste mês e contou com a participação de trinta médicos voluntários.

A linha telefónica serviu como ferramenta de apoio a doentes com diabetes e familiares durante a pandemia da Covid-19. De acordo com o Coordenador do Núcleo de Diabetes Mellitus da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, Estevão Pape, a linha de apoio surgiu após ser constatada a diminuição de utentes às unidades de saúde. “Muitas pessoas deixaram de contactar diretamente com os seus médicos de medicina geral e familiar e deixaram de se dirigir a centros de saúde e hospitais”, afirma.

Estevão Pape garante que através da linha foi possível esclarecer dúvidas relacionadas com o impacto do novo coronavírus em diabéticos. “No início, as perguntas que nos chegavam estavam relacionadas com a Covid-19 e a diabetes. As pessoas começaram a ouvir notícias que mencionavam que as pessoas com diabetes eram um dos grupos de risco para quem contrai o novo vírus, e surgiram muitos receios e dúvidas por parte dos doentes, que era necessário esclarecer.”

O mês de abril foi o mês em que surgiram mais chamadas de questões e pedidos de apoio devido ao confinamento e ao Estado de Emergência. Algumas das principais questões que chegaram à linha telefónica foram dúvidas sobre as terapêuticas, aumento de peso, controlo dos níveis de glicose no sangue e necessidade de ajuste de tratamento. No entanto, houve também quem colocasse questões burocráticas e relacionadas com o teletrabalho, direitos dos doentes com diabetes e autorizações para transporte de insulina no controlo alfandegário.

A linha telefónica foi criada pela Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), pelo Núcleo de Diabetes Mellitus da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD). A inciativa que decorreu durante dois meses contou com a participação de 3 endocrinologistas, de medicina interna e de diabetologia em regime voluntário. Os especialistas estiveram disponíveis todos os dias da semana, das 8h às 22h, para responder às questões dos doentes.

O presidente da SPEM, Davide Carvalho, explica que o número de chamadas diminuiu devido à retoma da normalidade e à remarcação de consultas médicas e à normalização das idas aos centros de saúde e hospitais, levando, assim à desactivação da linha de apoio voluntária. “As sociedades vão continuar o seu trabalho de apoio aos médicos, profissionais de saúde e doentes, nos moldes que existiam até aqui. Fazemos um balanço muito positivo da linha telefónica, que teve um papel essencial durante o confinamento social”, garante.

A maior parte dos telefonemas foi de pessoas com 40 ou mais anos com diabetes mellitus tipo 2, mas houve ainda registo de doentes mais novos, com diabetes mellitus tipo 1. Verificou-se também uma “procura interessante” por parte de familiares, amigos e cuidadores de pessoas que vivem com diabetes que procuraram esclarecer algumas dúvidas. Apesar das chamadas terem sido feitas maioritariamente do território português, verificaram-se também contactos de portugueses a viver no estrangeiro, como a Suíça e o México.

PR/HN/ Vaishaly Camões

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