Ordem alerta para fraca integração dos cuidados de saúde primários nas Unidades Locais

25 de Abril 2023

O bastonário da Ordem dos Médicos alertou hoje para aquilo que considera ser uma fraca integração dos cuidados de saúde primários nas Unidades Locais de Saúde e defendeu a valorização das vertentes de medicina familiar e saúde pública.

A Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) anunciou hoje que as regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo vão ter mais sete novas Unidades Locais de Saúde (ULS), passando a totalizar 27 no país que assegurarão respostas em saúde a mais de metade da população.

Em declarações à agência Lusa, o bastonário da Ordem dos Médicos afirmou que a criação das novas ULS não é, necessariamente, uma boa notícia, manifestando preocupação sobre a forma como estas unidades têm vindo a ser criadas e a funcionar.

“Não é um modelo que tenha dado provas de ser eficiente e há aspetos que têm preocupado a Ordem dos Médicos”, começou por dizer Carlos Cortes, considerando que o modelo que tem vindo a ser implementado tem “características demasiado ‘hospitalocêntricas’ e ‘urgenciocêntricas’”.

De acordo com o bastonário, e olhando para as unidades já em funcionamento, existe um desequilibro e as ULS funcionam mais como um “modelo de captação dos cuidados de saúde primários para os cuidados hospitalares”, em que a medicina geral e familiar é desvalorizada e o papel da saúde pública não é “minimamente considerado”.

“Há uma necessidade de correção da trajetória que a DE-SNS está a tomar, valorizando mais estes dois aspetos importantíssimos”, sublinhou.

A posição da Ordem vai ser transmitida ao diretor executivo do SNS, Fernando Araújo, numa reunião na sexta-feira, com Carlos Cortes a defender uma “verdadeira integração com os cuidados de saúde primários e continuados”.

O bastonário propõe também que os conselhos de administração das ULS passem a integrar um médico da medicina geral e familiar, bem como um médico de saúde pública.

“Todos têm de estar representados de forma equilibrada, para que não haja o predomínio de um sobre os outros. Porque, se for assim, as ULS não vão funcionar, como, aliás, a esmagadora maioria, neste momento, não está a funcionar”, alertou.

Por outro lado, Carlos Cortes lamentou ainda que as novas unidades tenham vindo a ser anunciadas de forma faseada, acrescentando: “Ainda não sabemos muito bem se é para cobrir todo o território ou não”.

As novas unidades vão reforçar os cuidados de saúde nas regiões Norte – irão ser constituídas as ULS de São João, Vila Nova de Gaia/Espinho, Barcelos, Dão Lafões (Tondela e Viseu) e do Baixo Mondego (Figueira da Foz) -, e na região de Lisboa e Vale do Tejo, com as unidades locais de Saúde do Estuário do Tejo (Vila Franca de Xira) e do Médio Tejo.

O Serviço Nacional de Saúde passará a dispor assim de 27 Unidades Locais de Saúde, que irão assegurar respostas em saúde a mais de 50% da população portuguesa.

LUSA/HN

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