Descentralização prevê construção de quatro novos centros de saúde no Porto

24 de Outubro 2023

O executivo da Câmara do Porto aprovou hoje, com os votos contra do BE e CDU, submeter a deliberação da Assembleia Municipal o auto de transferência de competências na saúde, que prevê a construção de quatro centros de saúde.

À margem da reunião privada do executivo, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, destacou que “ao contrário das outras descentralizações, esta era voluntária”, o que permitiu ao município negociar os termos com o Ministério da Saúde e Administração Regional de Saúde do Norte.

“Do nosso ponto de vista, este foi um processo mais virtuoso do que os outros. Como não foi um presente por decreto, permitiu-nos negociar e as negociações chegaram a bom porto”, considerou.

Aos jornalistas, Rui Moreira adiantou estar prevista “uma melhoria” nos edifícios que serão transferidos para a autarquia, a construção de novos centros de saúde e a possibilidade de flexibilizar os horários de funcionamento de algumas unidades, mediante a avaliação de uma comissão criada para o efeito.

De acordo com a informação partilhada pelo município, um levantamento feito pela ARS-Norte identificou a necessidade de realizar 14 “grandes intervenções”, entre as quais quatro “construções de raiz”, nomeadamente em Azevedo de Campanhã, Lordelo do Ouro, Garcia de Orta e Carvalhido-Prelada.

Paralelamente, foi identificada a necessidade de uma “grande obra de reabilitação” em Aldoar e a ser avaliada outra “grande requalificação” em Santos Pousada.

O município deverá também levar a cabo oito requalificações “com diferentes graus de complexidade e valores”: Constituição, Vale Formoso, Foz do Douro, Cedofeita-Carvalhosa, Aníbal Cunha, Lordelo do Ouro (onde atualmente funcionam as duas unidades de saúde familiar, sendo que uma se mantém no edifício e outra será transferida para o edifício a construir), Miguel Bombarda e Covelo.

A descentralização na saúde produz efeitos a 01 de janeiro de 2024, mas “só se pratica de facto com a criação de novos contratos”, esclareceu o autarca, adiantando serem precisos entre três a quatro meses para o município conseguir “desempenhar plenamente” essa tarefa.

Também aos jornalistas, o vereador Sérgio Aires, do BE, esclareceu que o voto contra se prendeu com o auto de transferência e não com a submissão à Assembleia Municipal, afirmando ter dúvidas relativamente às verbas atribuídas pela tutela.

À semelhança do BE, também a vereadora Ilda Figueiredo, da CDU, disse existir “um nevoeiro muito forte sobre o que vai acontecer no futuro e os encargos que uma situação destas pode trazer”, referindo-se à reabilitação dos edifícios e novas construções.

Pelo PS, o vereador Tiago Barbosa Ribeiro destacou que este foi “um processo bem gerido e dialogado”, considerando que esta descentralização “vai permitir um melhor serviço à população e mais adequado à realidade local”.

Também o social-democrata Alberto Machado considerou que o processo negocial nesta área “protagonizou todos os passos que o PSD entende como certos quando há uns anos os líderes do PSD e PS assinaram o acordo para a descentralização”.

O auto de transferência, cujos encargos serão superiores a 5,2 milhões de euros, será submetido a deliberação da Assembleia Municipal do Porto.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Cuidados continuados integrados: o desafio da fragmentação em Portugal

A prestação de cuidados continuados em Portugal caracteriza-se pela fragmentação entre serviços de saúde e sociais, criando lacunas na assistência a idosos e pessoas com dependência. A falta de coordenação entre os diferentes níveis de cuidados resulta em transições inadequadas e sobrecarga para as famílias

Cuidados Paliativos em Portugal: Cobertura Insuficiente para uma População que Envelhece

Portugal enfrenta uma lacuna crítica nos cuidados paliativos. Com uma população envelhecida e uma vaga de doenças crónicas, milhares terminam a vida em sofrimento, sem acesso a apoio especializado. A cobertura é um retalho, o interior é um deserto de cuidados e as famílias carregam sozinhas o peso de um fim de vida sem dignidade

O Paradoxo Português: Mais Médicos Não Significa Melhor Saúde

Portugal supera a média da OCDE em número de médicos, uma vantagem que esconde uma fragilidade crítica. A escassez persistente de enfermeiros compromete a eficácia dos cuidados, sobrecarrega o sistema e expõe um desequilíbrio perigoso na equipa de saúde nacional

Prescrição segura em Portugal: antibióticos e opioides ainda acima das melhores práticas internacionais

Portugal mantém níveis de prescrição de antibióticos nos cuidados primários superiores à média da OCDE, um padrão partilhado com outros países do sul da Europa. Este uso excessivo, aliado a uma tendência crescente para opioides, alerta para riscos de resistência antimicrobiana e dependência, exigindo uma estratégia nacional concertada para mudar práticas clínicas e culturais profundamente enraizadas

Prevenção em Saúde: A Cura que Portugal Ignora

Apenas 3% da despesa em saúde em Portugal é canalizada para a prevenção. Este investimento residual, estagnado há uma década, condena o sistema nacional a um ciclo vicioso de tratamentos caros e reativos. Enquanto isso, países como a Finlândia e o Canadá demonstram que priorizar a prevenção é a estratégia mais inteligente e económica para travar o tsunami das doenças crónicas

Inovação em Saúde Portuguesa: O Labirinto Burocrático que Prende o Futuro

O relatório “Health at a Glance 2025” da OCDE expõe uma contradição gritante em Portugal: apesar de uma investigação robusta e profissionais qualificados, a inovação em saúde enfrenta anos de entraves burocráticos, deixando os doentes à espera de terapias já disponíveis noutros países e travando a modernização do SNS

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights