FNAM apela a escusas de responsabilidade massivas e admite endurecer luta dos médicos

7 de Dezembro 2024

Os médicos devem apresentar “escusas de responsabilidade” sempre que se deparem com “equipas insuficientes” e “sem condições de trabalho”, defendeu hoje a FNAM, que também decidiu o prolongamento da greve às horas extraordinárias nos centros de saúde.

Na sequência da reunião desta manhã do Conselho Nacional da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), a presidente do organismo, Joana Bordalo de Sá, adiantou à Lusa estar ainda em cima da mesa o “endurecimento da luta” caso continuem sem respostas da tutela até ao final do ano.

Qualificando como “extremamente insuficiente” o plano de inverno, a FNAM considerou ainda ser “ilegal” a tentativa “nos hospitais de desviar os médicos da sua atividade programada para o serviço de urgência” além de deixar a “atividade programada de consultas e cirurgias a descoberto”.

Já o plano em relação aos médicos de família é uma “violação” por “tentar impor que mais utentes sejam colocados nas listas”, traduzindo uma “interferência na gestão da lista dos utentes dos médicos de família (…) e na autonomia das unidades de saúde familiar, das USFs”, acrescentou.

“Portanto, o que a FNAM deliberou é que estamos a apelar a que sejam colocadas escusas de responsabilidade de forma massiva sempre que os médicos se encontrem em situações com equipas insuficientes e sem condições de trabalho”, anunciou a responsável à Lusa.

Joana Bordalo de Sá notou que essa situação já ocorre entre os médicos de pediatria do Algarve, do Hospital de Faro, garantindo que esta é uma “forma de proteger o médico, mas acima de tudo proteger também o utente”.

A FNAM também decidiu prolongar a greve ao trabalho extraordinário nos cuidados primários, ou seja, nos centros de saúde, cujo fim estava previsto para o final de dezembro, admitindo agora poder durar durante o primeiro semestre de 2025.

“Ainda aguardamos uma resposta do Ministério da Saúde de Ana Paula Martins, a quem nós enviámos uma missiva [a 02 de dezembro], sobre a questão de continuar a negociação” em termos salariais e de melhoria das condições de trabalho, referiu a dirigente, notando que, se “nada for feito, e eventualmente em 2025, agora no início, pode endurecer a nossa luta”.

“Poderão estar em cima da mesa novas greves, novos protestos, porque, de facto, nós estamos a lutar para que os médicos tenham melhores condições de trabalho, mas, acima de tudo, estamos a lutar para que o Serviço Nacional de Saúde também consiga dar resposta à população e que o Serviço Nacional de Saúde se mantenha público, universal, acessível a toda a população e isso não está a acontecer”, argumentou.

Depois da aprovação do Orçamento do Estado “não há razão para não haver reunião e não haver negociação até ao fim do ano”, notou.

LUSA/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Médicos com novo contrato coletivo de trabalho nos Açores

Os sindicatos dos médicos assinaram contratos coletivos de trabalho com o Governo Regional dos Açores (PSD/CDS/PPM) e os três hospitais da região, que preveem mais dias de férias, mais horas para formação e melhorias na avaliação de desempenho.

Smartwatches Revolucionam Monitorização do Consumo de Álcool

Uma investigação da Universidade de Bristol demonstra que smartwatches podem monitorizar o consumo de álcool com maior precisão do que métodos tradicionais. O estudo revela que esta tecnologia pode transformar intervenções futuras e melhorar o entendimento dos padrões de consumo

Descoberta Revolucionária: Novo Antibiótico Combate Gonorreia Multirresistente

Investigadores das universidades de Konstanz e Viena descobriram um novo antibiótico que ativa o mecanismo de autodestruição da bactéria Neisseria gonorrhoeae. Este avanço, publicado na Nature Microbiology, combate eficazmente variantes multirresistentes sem prejudicar outras células ou microrganismos.

Trabalho em Equipa Revoluciona Cuidados Primários para Doentes Crónicos

Um estudo da Universidade Hebraica de Jerusalém revela que o trabalho em equipa e sistemas proativos são cruciais para garantir acompanhamento médico regular a pacientes com doenças crónicas. A colaboração interdisciplinar melhora a adesão ao tratamento e os resultados de saúde

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights