Costa elogia decisão da AR sobre máscaras na rua e admite mais medidas

Costa elogia decisão da AR sobre máscaras na rua e admite mais medidas

“Não podemos excluir a necessidade de adotar qualquer tipo de medida. Devemos ir adoptando as medidas na medida do estritamente necessário”, afirmou António Costa, à margem de uma conferência da revista Visão sobre sustentabilidade e ambiente, na Estufa Fria, em Lisboa.

Dado que, afirmou, o combate à pandemia será “uma longa maratona” de muitos meses, “é preciso gerir o esforço”, pelo que há que “ir distribuindo e guardando as medidas para as utilizar nos momentos em que forem estritamente necessárias para evitar o excesso de cansaço”.

António Costa foi questionado sobre a avaliação que faz da experiência quanto ao recolher obrigatório decretado em vários países europeus.

Dois dos maiores problemas que Portugal enfrenta nesta segunda vaga da pandemia, acrescentou, é a fadiga com as medidas por parte da população e a alteração na faixa etária, mais baixa, com “casos de menor gravidade”, e que tem “diminuído a perceção do risco”.

Um dia depois da decisão da Assembleia da República, que aprovou uma lei a tornar obrigatório o uso de máscara na rua, Costa elogiou a “difícil decisão” dos deputados.

“É, obviamente, um incómodo, mas que adotamos para reforçar a consciência de que depende hoje essencial de nós controlar esta pandemia, se não quisermos ter medidas de encerramento mais globais”, justificou

O chefe do Governo recusou ainda a ideia de que a proibição de circulação entre concelhos, no próximo fim de semana, que coincide com o Dia de Finados, em que milhares de pessoas se deslocam tradicionalmente pelo país, como “um teste” para o Natal, em dezembro.

Esta medida, disse, justifica-se porque “há um risco acrescido” com a prevista deslocação, dentro do país, apesar dos apelos da Igreja para as pessoas espaçarem as suas deslocações ao longo do mês ou ainda com restrições no acesso aos cemitérios.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 42,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.276 pessoas dos 112.440 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

LUSA/HN

Pelo menos 1,145 milhões de mortos no mundo desde o início da pandemia

Pelo menos 1,145 milhões de mortos no mundo desde o início da pandemia

Mais de 42.262.290 infeções foram diagnosticadas no mesmo período, das quais 28.754.900 foram consideradas curadas.

Nas últimas 24 horas, registaram-se mais 6.366 mortes e 482.954 casos em todo o mundo, segundo a AFP.

Os países que registaram mais mortes no último dia foram os Estados Unidos com 880 mortos, a Índia com 650 e o Brasil com 571.

Os Estados Unidos são o país mais afetado, tanto em número de mortos como de casos, com um total de 223.998 mortos entre 8.494.044 casos, segundo o balanço da universidade Johns Hopkins. Pelo menos 3.375.427 pessoas foram declaradas curadas.

Depois dos Estados Unidos, os países mais atingidos são o Brasil com 156.471 mortos em 5.353.656 casos, a Índia com 117.956 mortos (7.814.682 casos), o México com 88.312 mortes (880.775 infetados) e o Reino Unido com 44.571 mortes (830.998 casos).

Entre os países mais afetados, o Peru é o que conta com mais mortos em relação à sua população, 103 por cada 100.000 habitantes, seguido da Bélgica (92), Espanha (74) e Bolívia (74).

A China (sem os territórios de Hong Kong e Macau) declarou um total de 85.775 casos (28 nas últimas 24 horas), incluindo 4.634 mortos (0 no último dia), e 80.876 curas.

A América Latina e as Caraíbas totalizavam hoje às 11:00 TMG 389.304 mortos em 10.830.540 casos, a Europa 260.198 mortes (8.499.613 infetados), os Estados Unidos e o Canadá 233.882 mortos (8.705.087 casos), a Ásia 164.802 mortos (10.088.549 infetados), o Médio Oriente 55.719 mortes (2.405.639 casos), África 40.930 mortos (1.698.937 casos) e a Oceânia 1.012 mortos (33.934 infetados).

O número de casos diagnosticados só reflete, contudo, uma fração do número real de infeções. Alguns países só testam os casos graves, outros utilizam os testes sobretudo para rastreamento e muitos países pobres dispõem de limitadas capacidades de despistagem.

O balanço foi realizado a partir de dados recolhidos pelas delegações da AFP junto das autoridades nacionais competentes e de informações da Organização Mundial de Saúde.

NR/HN/LUSA

Índia com 650 mortos e mais de 53 mil infetados nas últimas 24 horas

Índia com 650 mortos e mais de 53 mil infetados nas últimas 24 horas

O maior número de novos contágios foram detetados nos estados de Maharashtra, Kerala e Karnataka.

No mês passado, a Índia atingiu um pico de quase 100 mil casos diários, mas desde então as infeções caíram para cerca da metade e as mortes em cerca de um terço.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 41,3 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

NR/HN/LUSA

Português responsável por limpeza de hospitais condecorado pela Rainha Isabel II

Português responsável por limpeza de hospitais condecorado pela Rainha Isabel II

“Estava no escritório e recebi um email do ‘Cabinet Office’ [ministério do Governo] a dizer que tinha sido distinguido na lista da Rainha. No princípio pensava que era mentira, só pode ser engano. Os meus colegas disseram-me para apagar porque podia ser fraude”, contou, entre risos, à agência Lusa.

O madeirense de 45 anos, natural de São Vicente, foi um dos trabalhadores do serviço de saúde público britânico (NHS) reconhecido na lista deste ano de condecorações pelo aniversário da Rainha por serviços prestados durante a pandemia com a Medalha do Império Britânico (‘British Empire Medal’, designada pelo título BEM).

“Nunca na vida pensei que poderia receber uma medalha destas”, confiou, ainda incrédulo, o diretor adjunto dos serviços de limpeza e restauração dos hospitais de Ashford e de St. Peter’s, no sudoeste de Londres, perto do aeroporto de Heathrow.

A nomeação para a insígnia foi feita por colegas e superiores pelo “conhecimento e criatividade” que demonstrou para prevenir e conter a infeção pelo novo coronavírus dentro dos hospitais e proteger não só os doentes, mas também funcionários, introduzindo novas tecnologias e produtos.

O diretor médico dos hospitais, David Fluck, elogiou o português pela “forte liderança durante toda a pandemia numa equipa que desempenhou um papel fundamental na redução do risco de transmissão da covid-19 nos nossos hospitais”.

“[Vinagre] introduziu mudanças na maneira como mantemos a limpeza dos nossos hospitais daqui para frente, o que vai proteger muitos pacientes e funcionários de perigo, mesmo após o fim da pandemia”, afirmou este responsável.

Uma das inovações foi a contratação de uma empresa especializada em desinfestação para aplicar através de vapor um produto desinfectante que encontrou e que mantém as superfícies livres de vírus e bactérias durante 30 dias.

“Era um produto novo no mercado e não sabíamos se era eficaz. Mas contratámo-los para descontaminarem desde corredores a casas de banho e escadas em turnos de 24 horas por dia. Valeu a pena, o hospital tem uma das taxas de mortalidade mais baixas da zona”, congratulou-se.

O português deparou-se com outro desafio quando, em plena crise, a enfermeira chefe pediu uma solução que permitisse esterilizar máscaras de proteção dos profissionais de saúde para serem reutilizadas porque não sabia se ia receber um novo abastecimento, uma situação que afetou vários hospitais no Reino Unido.

“Mandei fazer uma linha tipo de secar roupa, pendurámos máscaras e esterilizámos 500 em três dias com luzes ultravioleta. Felizmente não foi preciso porque chegaram novas, mas se fosse preciso estava o processo pronto”, contou Vinagre à Lusa.

O português também foi elogiado pela forma como conseguiu recrutar rapidamente trabalhadores para compensar as ausências e também pela forma responsável e sensível como soube motivar os empregados de limpeza numa altura em que muitos estavam preocupados com o risco que eles próprios corriam.

Quatro funcionários dos hospitais morreram de covid-19, incluindo um empregado de limpeza sob as ordens de Vinagre, um compatriota de 71 anos chamado Manuel Santinhos.

“Ele nunca quis ir para casa, quis continuar sempre a trabalhar. Esteve três semanas nos cuidados intensivos. Foi muito complicado porque os colegas ficaram com mais medo. Mas fizemos uma missa com um padre e a diretora teve uma reunião com os empregados para motivá-los e conseguimos”, explicou.

Maciel Vinagre recorda “momentos muito difíceis” entre março e junho, os piores meses da primeira vaga da pandemia, quando os dias de trabalho chegavam a estender-se por 15 horas.

A liderança do português ajudou a dar visibilidade e importância às equipas de limpeza hospitalar pelo papel crucial desempenhado no combate à doença que já matou mais de 44 mil pessoas no país.

Vinagre é um dos 414 “heróis anónimos” a quem foram conferidas condecorações da Rainha em reconhecimento da intervenção “excecional” durante a crise, desde cientistas e enfermeiros a pessoas que produziram equipamento de proteção ou ofereceram refeições a profissionais de saúde e professores de ginástica que deram aulas gratuitas pela Internet durante o confinamento.

A Rainha agracia dezenas de pessoas duas vezes por ano, no Ano Novo e por ocasião do aniversário oficial, em junho, por recomendação do Governo.

Muitas são personalidades conhecidas em áreas como o desporto, artes ou serviço público, mas também são galardoados desconhecidos cujo mérito é avaliado por um comité oficial.

Este ano, a divulgação da lista foi adiada até outubro para ter em conta nomeações de pessoas que desempenham papéis cruciais durante os primeiros meses da pandemia e deu prioridade aos “heróis da linha da frente” e da comunidade que foram além das suas obrigações para ajudar os outros.

A Medalha do Império Britânico remonta a 1917 e era sobretudo atribuída a civis e militares, mas em 2011 foi restabelecida como uma condecoração a pessoas que se distinguem por contribuições para a comunidade, seja através da profissão ou de voluntariado.

Ao contrário da Ordem do Império Britânico, que inclui os graus de membro (MBE), Oficial (OBE), Comandante (CBE) ou Cavaleiro e Dama (KBE e DBE) e que é conferida pessoalmente pela Rainha ou pelo Príncipe Carlos, a BEM é presenteada pelo ‘Lord Lieutenant’, um dignatário local, em nome da monarca.

Antes, só se conhecem dois portugueses que foram agraciados pela Rainha Isabel II: a pintora Paula Rego, ordenada em 2010 Dama Oficial da Ordem do Império Britânico, e Lino Pires em 2013, proprietário de um restaurante, com uma BEM por serviços prestados à comunidade ao angariar fundos para causas sociais.

Ao auferir estes títulos, os distinguidos podem usar a sigla correspondente na sua assinatura, após o nome.

Maciel Vinagre chegou ao Reino Unido aos 18 anos, deixando para trás estudos em contabilidade para trabalhar num restaurante e aprender a língua inglesa e “tentar uma vida melhor”.

Começou como empregado de limpeza no hospital de Ashford em 1997 e chegou ao atual posto de diretor adjunto em 2011, tendo desempenhado entretanto outras funções noutros hospitais do Reino Unido.

Mesmo sem um curso superior, acumulou formações profissionais que lhe permitiram progredir até um nível que dificilmente conseguiria em Portugal, e hoje lidera cerca de 200 pessoas, entre os quais 30 portugueses.

“Gosto do Reino Unido porque aqui dão valor à experiência, a pessoas dedicadas e empenhadas e menos aos títulos académicos. Reconhecem o mérito próprio”, disse à Lusa.

Dependendo da evolução da pandemia, o português e todos os restantes BEM serão convidados para uma festa no Palácio de Buckingham no próximo ano, na presença de membros da família real.

“Os meus pais estão na Madeira e estão muito orgulhosos. Mas se eu puder levar alguém, levo a minha filha”, já decidiu.

NR/HN/LUSA

ARS diz que forças de segurança devem fiscalizar casamento com 200 pessoas em Arruda dos Vinhos

ARS diz que forças de segurança devem fiscalizar casamento com 200 pessoas em Arruda dos Vinhos

O presidente da Câmara de Arruda dos Vinhos, André Rijo, criticou na sexta-feira a decisão da autoridade de saúde de autorizar a realização de um casamento “com cerca de 200 pessoas”, considerando que vai colocar a população do concelho “em risco”.

Numa resposta escrita à agência Lusa, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) afirma que “a autoridade de saúde do Estuário do Tejo emitiu um parecer aquando da marcação do casamento – prévio ao estado de calamidade” que implica o cumprimento de “vários pressuposto da parte dos participantes” como por exemplo o distanciamento social, a higienização das mãos e uso de máscara.

“Face aos pressupostos entretanto definidos no estado de calamidade, entende a autoridade de saúde que compete às entidades fiscalizadoras do cumprimento da lei (forças de segurança) verificar esse mesmo cumprimento”, afirma a ARSLVT, esclarecendo que “as autoridades de saúde não possuem poderes de fiscalização”.
Através de um vídeo divulgado na página da autarquia na rede social Facebook, André Rijo disse que a Câmara Municipal soube, “ao final da manhã de hoje [na sexta-feira], da realização de um casamento com cerca de 200 convidados”, durante este fim de semana.

O autarca acrescentou que o casamento é de “uma família do Norte” de Portugal. Esta região contabilizou mais 1.516 infeções pelo novo coronavírus, do total de 2.899 registadas em todo o país nas últimas 24 horas, uma tendência verificada na última semana.

“Este é um evento que nos surpreende, porque, efetivamente, estranhámos que a autoridade de saúde – ao contrário daquilo que aconteceu no caso do Curt’Arruda [Festival de Cinema de Arruda dos Vinhos], que tivemos de cancelar à última da hora -, neste caso, desde o dia 09 de outubro emitiu um parecer favorável à realização deste casamento”, prosseguiu o edil.

André Rijo adiantou que a autoridade de saúde foi na sexta-feira confrontada sobre “esta incoerência e este erro”.

Contudo, a mesma autoridade “reiterou o parecer e disse que não ia mexer” nas diretrizes.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou em 14 de outubro, juntamente com a elevação do nível de alerta para situação de calamidade em todo o país, para mitigar a propagação da pandemia, que eventos como, por exemplo, casamentos marcados a partir desse dia estavam limitados a um máximo de 50 participantes.

As regras de distanciamento físico e a utilização de equipamentos de proteção individual também é obrigatória.

O parecer da autoridade de saúde em relação ao casamento em questão antecede as medidas anunciadas na última semana.

Visivelmente descontente com a resposta da autoridade sanitária, André Rijo explicitou que “isto é um motivo de grande preocupação” e vai “colocar a população do concelho de Arruda em risco”.

Por essa razão, o autarca disse que tem “o dever” de pedir aos arrudenses para evitarem circular pelas áreas da igreja matriz e do Casal da Gineta, para que o casamento “não venha a resultar num potencial foco” de contágio.

LUSA/HN