Unicef preocupada com grande aumento de crianças que não sabem ler na América Latina

27 de Janeiro 2024

O responsável pela educação da Unicef para a América Latina e Caraíbas manifestou, esta sexta-feira, preocupação com o aumento de crianças menores de 10 anos que não sabem ler e escrever e apelou ao aumento do investimento.

Em entrevista à agência Efe, no âmbito da reunião de ministros da Educação da América Latina e das Caraíbas, que terminou esta sexta-feira com um apelo à ação, o responsável do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) garantiu que há números que sugerem que a percentagem aumentou de 50% antes da pandemia, para quase 80% atualmente.

“Há projeções que fizemos no ano passado com o Banco Mundial sobre 2022, onde poderíamos, nos piores casos, atingir 80% destas crianças de dez anos” que não sabem ler e escrever fluentemente, e que têm problemas na compreensão de textos mais complexos, alertou Italo Dutra.

“Um menino ou uma menina que não aprender a ler até aos dez anos terá sua vida académica impactada, a sua entrada no mundo do trabalho será impactada. Estamos num mundo onde temos cada vez mais informalidade laboral e que, claro, tem impactos gigantescos ao longo da vida e no rendimento económico da família”, acrescentou.

Italo Dutra defendeu a cooperação entre países – mas também entre governos e instituições como a Unicef – e no intercâmbio de soluções para uma crise que, na sua opinião, deve ser prioritária.

Este responsável da Unicef propôs também “foco na aprendizagem básica, para que as crianças possam continuar a aprender ao longo da vida” e uma reflexão sobre “quais as transformações são necessárias na educação do século XXI”, apontando para fatores como guerras, emergência climática e avanço de tecnologias como a Inteligência Artificial (IA).

“Temos muito interesse na cooperação internacional, aproximando os países e estando preparados para que quando os países precisarem possamos prestar-lhes assistência técnica, trazendo-lhes as experiências mais inovadoras, as experiências de outros países da América Latina e de outras regiões”, explicou.

O objetivo é “apoiá-los nas suas políticas para garantir o direito à educação de meninos e meninas” e convencer os governos de que é essencial “priorizar fundos e garantir mais eficiência nos gastos com educação”.

O especialista defendeu também recuperar algumas ferramentas que foram extremamente úteis durante a pandemia de covid-19, como o ensino à distância, e que foram gradualmente abandonadas para criar um modelo combinado em que os benefícios sejam mutuamente potenciados, que junta o formato presencial e à distância.

“Sempre, na história da educação, houve o desafio de incorporar tecnologias. Na educação demora muito mais tempo”, admitiu.

“Mas devemos entender que a escrita, a leitura e a matemática básica fornecem às crianças os instrumentos para compreender, decifrar e interpretar códigos que estão em diferentes coisas”, como a própria IA, que está a avançar a passos gigantescos, vincou.

Dutra alertou ainda que o maior impacto negativo durante a pandemia foi sofrido pelas famílias mais vulneráveis, não só em termos de aprendizagem, mas também na sua segurança alimentar, na sua saúde mental, e em outros aspetos importantes como o aumento da violência.

LUSA/HN

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